Famílias recorrem cada vez mais a livros de empréstimo
12-09-2013
Tem vindo a aumentar o recurso a livros escolares de empréstimo ou a compra via internet, em S. João da Madeira. Se uns poupam nos livros e no material escolar, existe, no entanto, quem poupe nos livros e recorra ao material escolar mais caro.
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Dar, trocar, emprestar ou alugar, são expressões muito em moda nos últimos tempos, um pouco por toda a cidade. Com o arranque de mais um ano lectivo, tem vindo a aumentar, na cidade, o recurso a livros escolares emprestados ou em segunda mão. Continuam a ser as papelarias o local de eleição para as encomendas, seguidas das grandes superfícies e existe ainda quem prefira a compra via internet.
Segundo apurámos, a escola Secundária Dr. Serafim Leite e a Escola Oliveira Júnior, em S. João da Madeira, serão as únicas com banco de livros, onde se pode conseguir, ou trocar, livros gratuitamente na cidade, mas parece que não é para todos. Quando “eu nunca consegui trocar ou ter acesso a livros. Estou desempregada há muito tempo, o meu marido também, e revolta-me saber que funcionários das escolas tenham tido acesso aos mesmos”, refere Ana Gomes. Mas o descontentamento não fica por aqui. “Se os livros são para ajudar quem mais necessita, quem está, afinal, a controlar isto?” E acrescenta: “ Os livros emprestados pelas escolas têm que ser devolvidos e isso na sua maioria não acontece”.
Sandra Pinho tem quatro filhos e todos frequentam o ensino obrigatório. Para esta mãe, o início do ano é sempre um período de grande agitação e um desafio para conseguir uma redução no preço dos livros ou material. “Este ano optei por comprar vários livros em 2.ª mão, na internet, e tentei vender também alguns que tinha dos meus filhos de anos anteriores”. Conta que fotografou as capas e que criou um site onde os vendeu. “No total, coloquei cerca de 30 livros e já vendi 13”.
Segundo Sandra Pinho, depois das contas feitas para gerir este regresso às aulas dos seus filhos e se optasse pela compra de livros novos, bem como de outros materiais, gastaria cerca de mil euros. Com a compra on-line, esta sanjoanense de 46 anos estima gastar apenas 10 por cento.
Poupam nos livros mas compram o
material mais caro

A nossa reportagem contactou uma das mais conhecidas papelarias em S. João da Madeira. Glória Rosa diz que “os preços dos livros mantêm-se, que as pessoas podem comprar apenas os livros, deixando os extras”. Lamenta que com a troca de livros, ou compra na internet, as pessoas, numa primeira fase, fazem a encomenda dos livros todos “mas, depois, vêm cancelar alguns, pois conseguiram-nos por outra via, esquecendo-se que a encomenda está feita e que isso é um prejuízo para a papelaria”. Além disso, acrescenta: são as pessoas com menor recursos que “compram sempre os livros, pois guardam o dinheiro para este efeito”. No entanto, a responsável pela papelaria Lusíada diz também não entender a atitude de muitas pessoas que recorrem ao banco de livros. “Poupam nos livros, mas não se privam de comprar o material escolar mais caro, o que é no mínimo estranho. Os melhores cadernos, mochilas…”, concluiu.
Ter um filho no ensino secundário representa um gasto obrigatório que ronda os 300 euros em manuais escolares. Já em anos anteriores, a factura era mais reduzida. Óscar Marques, pai de três estudantes, em declarações à nossa reportagem, entende que tempo de crise é também de oportunidade. “É importante repensar os gastos e a prática da reutilização de manuais há muito que devia ser uma rotina”. Garante que “a diferença de idades entre os filhos permitiu que os manuais servissem grande parte das vezes” e, quando assim não era, “fazíamos troca de manuais com casais que tinham filhos de idade próxima dos nossos, ainda mais agora que os manuais se mantêm por seis anos”.
Segundo este responsável pela gestão das contas da família Marques, os livros escolares há muito que são um grande negócio. “Grande parte das escolas já fazem troca de livros, bem como muitas associações de bombeiros, e seria importante que esta troca ou ajuda contemplasse de facto quem mais necessita”.
Segundo soubemos junto de duas papelarias em S. João da Madeira, são necessários cerca de 75 euros para manuais do 1.º ciclo; para o 2.º ciclo, os livros obrigatórios rondam os 140 euros; já no 3.º ciclo rondam os 235 euros.

 

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