Sete elementos de uma família
S. João da Madeira vai receber este mês mais refugiados
08-11-2018 | por António Gomes Costa
São sete elementos de uma família síria que vão chegar a S. João da Madeira este mês e que se vão juntar às duas famílias sírias que há muito estão a tentar reconstruir a sua vida em solo sanjoanese. Uma das grandes dificuldades continua a ser arranjar emprego para estas pessoas.
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A Cruz Vermelha de S. João da Madeira vai receber este mês uma família síria, originária do campo de refugiados do Egipto, composta por sete elementos. Trata-se de uma “cabeça de casal”, uma mulher, ao que apurámos com mais de 55 anos, com duas filhas e três filhos e um bebé, que já nasceu no campo (neto) e, até ao momento, não existem mais informações disponíveis sobre o assunto.
O município acolhe neste momento duas famílias sírias, com cinco elementos cada uma. S. João da Madeira “abriu as portas” aos refugiados em Março de 2016 e, segundo soubemos, “muitos, por opção, já abandonaram a cidade, o que é muito normal acontecer”. Estas pessoas encontraram em S. João da Madeira uma nova oportunidade para terem uma vida nova e voltar a sonhar. Desde essa altura que a cidade está “aberta ao mundo”, tendo recebido refugiados vindos da Eritreia, conhecida também como a «Coreia do Norte de África», governada por um regime fortemente opressivo, o que tem levado muitos cidadãos a fugir. Para trás ficam, em muitos casos, uma família, amigos, uma vida difícil que muitos não querem recordar. 
Joana Correia, diretora técnica do Centro Humanitário da Cruz Vermelha (CHCV) de S. João da Madeira, explicou-nos que a integração de refugiados foi, “provavelmente”, um dos maiores desafios que teve na sua prática profissional e uma das maiores surpresas. O assunto é delicado e, “por mais preparados, treinados, informados que possamos achar que estamos, nunca será suficiente”.
Esta responsável assegura que, “infelizmente”, grande parte da população portuguesa ainda não é capaz de interpretar adequadamente aquilo que vê na televisão e lê nos jornais. “Reagem como se o acolhimento de refugiados no nosso país se tratasse de uma invasão, um conjunto de pessoas que nos vêm roubar os postos de trabalho e os nossos subsídios; um conjunto de pessoas que vêm destruir a nossa cultura e tentar minar as nossas crenças”. E reforça: “devemos insistir na tolerância e na aceitação de diferentes formas de vida. Aceitar que o mundo é composto por infinitas formas de ser e viver” e esse é e tem sido o trabalho do Centro Humanitário (CH) de S. João da Madeira, que passa por sensibilizar a comunidade para a necessidade de receber estas pessoas com o “respeito e a dignidade que elas merecem”, realça Joana Correia.
E esse trabalho parece ter sido conseguido em S. João da Madeira, uma vez que não tem sido “difícil” que estas famílias se sintam integradas. “Elas próprias já nos transmitiram sentirem-se muito felizes com a simpatia da comunidade e a disponibilidade que todos têm mostrado”. O mesmo acontece na escola, onde a integração das crianças e dos jovens “tem sido fantástica”, remata a diretora técnica.
 
“É importante aceitá-los, não é só trazê-los para cá”
 
Iolanda Santos, Assistente Social no CH, acompanha todos estes processos dos refugiados que chegam à cidade. Na sua opinião, mais do que receber estas pessoas, é importante “aceitá-las e acompanhá-las”, não basta trazê-los, é necessário “dar-lhes a oportunidade de usufruírem de um lugar digno para viver”. Nestas situações, assume que não é possível abdicar da “nossa cultura” para receber estas pessoas. “Um bom trabalho de acolhimento consegue-se através do equilíbrio entre a aceitação do que lhes é próprio e a tentativa de os integrar naquilo que nos é próprio, sem exigências para que se mudem estilos de vida”. 
Iolanda Santos confidenciou-nos que as maiores dificuldades que o CH sente perante estas situações prendem-se com o exercício da profissão. “Eles querem muito trabalhar, mas têm muita dificuldade em perceber que o trabalho têm particularidades, por exemplo, um horário fixo a cumprir”. Recorde-se que um dos elementos da família já esteve integrado numa empresa de S João da Madeira mas, “por uma questão de saúde, utilizou a baixa três vezes, o que fez com que a empresa o dispensasse”. São pormenores que se tornam foco de preocupação para a Cruz Vermelha, principalmente, quando “sabemos que daqui a poucos meses o protocolo terminará e deixaremos de poder ajudar a família financeiramente. É um trabalho exaustivo, mas que tem que partir deles. Eles têm que definir as suas prioridades e nós trabalhamos a partir daí”, rematou a assistente social.
 

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