S. João da Madeira é concelho há 92 anos
Emancipação concelhia é “demonstração da singularidade do nosso povo”
18-10-2018 | por Joana Gomes Costra
Em dia de celebração, o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira lembrou a luta daqueles que há 92 anos se uniram com a “força, energia e convicção necessária para levar a cabo este empreendimento” que foi a Emancipação Concelhia, que se concretizou a 11 de Outubro de 1926. Um facto “absolutamente singular no contexto da história do país” que, nas palavras de Jorge Sequeira, é uma “demonstração da singularidade do povo” sanjoanense. Com os olhos na preparação da cidade para o futuro, o edil aponta um dos desafios actuais: a expansão do território. Garantiu aguardar “serenamente a decisão da Assembleia da República” relativamente à freguesia de Milheirós de Poiares, na convicção do desejo de manter “excelentes relações com os nossos [concelhos] vizinhos”.
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Foi ao som da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira que decorreu a tradicional cerimónia do hastear das bandeiras, que antecedeu a sessão solene comemorativa do 11 de Outubro.
Coube a Ana Francisca Cunha, representante da primeira Assembleia Municipal Jovem (AMJ) de S. João da Madeira, o primeiro discurso na sessão solene, que assim se iniciou com uma “perspectiva mais jovem da cidade”.
Ana Francisca partilhou então uma história muito pessoal, de como a perspectiva de deixar S. João da Madeira para ir estudar na Covilhã a fez reflectir sobre a forma como a cidade sempre a acolheu e em todas as oportunidades que lhe proporcionou. Optou por um outro curso, na cidade do Porto, “perto o suficiente para que possa voltar sempre que queira”. Uma decisão que confessou não ter sido compreendida por “quase ninguém”, mas Ana Francisca acredita que só assim sente “quem nunca teve um lugar que o tivesse acolhido e abraçado como S. João da Madeira fez comigo”.
É por isso que acredita que os jovens “preferem ficar cá perdidos do que lá no caminho certo”. Porque “S. João da Madeira é o lar”, a cidade que permite aos jovens terem oportunidades como a AMJ, que assumiu ter sido “um das melhores experiências” da sua vida.
Ana Francisca Cunha agradeceu à Câmara Municipal e sublinhou que “uma autarquia mais próxima das escolas estará automaticamente mais próxima dos jovens”, contribuindo para que estes “estejam mais envolvidos, sejam mais participativos e informados” e queiram “cá ficar para fazer desta a melhor cidade do mundo”.
“De onde vimos e para onde vamos?”. Foi esta a reflexão que a presidente da Assembleia Municipal de S. João da Madeira, Clara Reis, lançou perante o público na sessão solene, defendendo que devemos “aprender a conhecer a nossa história e as nossas raízes” para que as possamos “honrar” e “ir além”. E partindo da constatação de que “os jovens são a alma desta cidade”, anunciou o lançamento de um projecto junto das escolas da cidade, que se irá focar na “aprendizagem das nossas raízes”, propondo “fazer história com a nossa história”.

“A autonomia  bem utilizada  gera progresso”

O presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, começou por dizer que o 11 de Outubro de 1926 é uma “data marcante da nossa história e absolutamente singular no contexto da história do país”.
A Emancipação Concelhia de S. João da Madeira representa um “fenómeno raro, singular e só possível devido à energia, força e empreendedorismo de um grupo de sanjoanenses que soube defender a sua terra e congregar o consenso político necessário para uma decisão desta grandeza”. “Um território pequeno ganhar independência é um acontecimento raro na história”, que Jorge Sequeira considera ser uma “demonstração da singularidade do nosso povo”.
O edil recordou que o próprio decreto datado de 1926 descrevia a então vila de S. João da Madeira como o «centro industrial mais importante do distrito de Aveiro», numa história que teve início no século XIX, em que a indústria da chapelaria se assumiu como o “motor da industrialização da nossa cidade”, fazendo com que esta pequena freguesia de Oliveira de Azeméis tivesse “mais população, indústria, riqueza e prosperidade que a sede do concelho”. O mesmo documento reconhecia ainda que o progresso económico e social estava a ser «prejudicado, sufocado pela sua inferior categoria administrativa».

“Fez-se futuro”

Para Jorge Sequeira, “é muito importante evocar esta história”, uma vez que considera que S. João da Madeira “pode figurar nos manuais de ciência política” como um exemplo de que “a autonomia bem utilizada e colocada ao serviço da população gera progresso”.
E citando as palavras do Padre Álvaro Rocha na missa comemorativa do 11 de Outubro sobre a necessidade da comunidade evocar a sua memória, Jorge Sequeira sublinhou que “o que temos hoje foi-nos legado pelos nossos antepassados”. “Quem lutou pela nossa Emancipação Concelhia não o fez para si próprio, mas para o futuro”, afiançou o autarca, prestando homenagem ao Grupo Patriótico Sanjoanense que se uniu com a “força, energia e convicção necessária para levar a cabo este empreendimento” da independência administrativa de S. João da Madeira.
Nestes 92 anos, este “território pequeno” em área criou “infra-estruturas absolutamente notáveis” e Jorge Sequeira enumerou algumas como o Estádio Conde Dias Garcia, o saneamento, o Cine-Teatro Imperador, as piscinas, o Pavilhão das Travessas, a Sanjotec, entre outros. “Fez-se futuro”, concluiu, apontando depois os “muitos indicadores” que colocam S. João da Madeira no topo da qualidade de vida no panorama nacional.
“Somos uma comunidade coesa, sólida, politicamente relevante e activa”, com uma “grande expansão industrial”, onde se desenrolou na história também um “grande movimento de luta operária”. Um território onde se travou uma “luta singular pela liberdade”, recordou com o exemplo da vitória do General Humberto Delgado nas eleições de 1958.
Mas de todos os indicadores onde S. João da Madeira se destaca, o presidente reconhece especial orgulho naquele que demonstra que mais de 50 por cento das crianças que frequentam a rede escolar da cidade são oriundas dos concelhos vizinhos. “S. João da Madeira é uma cidade aberta, solidária, cujas infra-estruturas de educação, cultura e desporto estão ao serviço dos nossos vizinhos e de toda a população”.
Pretendendo dar continuidade a este “olhar para o futuro que conduziu a cidade a este caminho”, Jorge Sequeira citou algumas das “medidas políticas” que implementou neste seu primeiro ano de mandato e que “tentam colocar a nossa cidade na linha da frente”. Abordando medidas no âmbito da educação, da solidariedade e apoio social, da cultura, dos serviços e da eficiência energética, sublinhou que S. João da Madeira é “uma cidade dinâmica e em revolução constante”, apontando que a Câmara iniciou a execução de lançamento de “11 novas obras” dispersas pelo território.
Com “orgulho na sua história e no seu presente”, S. João da Madeira vive, nas palavras do seu presidente da Câmara, “um novo desafio”, recordando que “está pendente na Assembleia da República” um projecto de lei que defende a integração da freguesia de Milheirós de Poiares. “Aguardamos serenamente a decisão que a Assembleia da República venha a tomar”, afiançou Jorge Sequeira, reafirmando que “acolhemos a pretensão” dos milheiroenses, garantindo que “queremos sempre em qualquer circunstância manter excelentes relações com os nossos vizinhos, tal como conseguimos manter com Oliveira de Azeméis”.
“O futuro da cidade constrói-se com diálogo político, consenso e democracia e esta Câmara tem dado provas nesse sentido”, disse Jorge Sequeira que, voltando a citar o pároco sanjoanense, garantiu querer continuar “a projectar o futuro” agindo “com persistência, confiança e humildade”.
A sessão solene do 11 de Outubro foi acompanha pela secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Maria Fernanda Rollo, que no âmbito da sua carreira como historiadora estudou o exemplo da história e desenvolvimento industrial do concelho, considerando que “S. João da Madeira escolheu bem e na altura certa”, até “precocemente” e “em contra corrente” face ao resto do país.
Distinguiu também a “dimensão fortíssima e inovadora” que representa hoje a Sanjotec, que assumiu ser “um orgulho nacional”, e as “taxas de sucesso” das escolas sanjoanenses, que em alguns ciclos estão até acima da média nacional e de municípios como o Porto.
Mas, tal como no resto do país, a governante assume para S. João da Madeira o desafio do alargamento da frequência do ensino superior, pois numa época em que as empresas se confrontam com falta de mão-de-obra, em especial a qualificada, a estatística dita que apenas “um em cada três jovens prosseguem os estudos superiores”.
Maria Fernanda Rollo sublinha que nesta “era digital” em que se vive uma “revolução brutal”, prevê-se que “cerca de 50 por cento das profissões” do futuro ainda não sejam sequer conhecidas, mas há já certezas que “vão exigir competências e valores sociais”.
E perante as intervenções nesta sessão comemorativa, Maria Fernanda Rollo considerou “comovente como S. João da Madeira tem sabido cuidar de si”.
A Sessão Solene terminou com o hino de S. João da Madeira tocado pela Banda de Música de S. João da Madeira, que recentemente comemorou o seu 155.º aniversário.

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