Sanjoanense de 32 anos
Tem hematoma “gigante” na barriga e acusa hospital da Feira de negligência
20-09-2018
Um sanjoanense acusa o Hospital de S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, de negligência e de hostilidade. Filipe Aguiar suspeita que algum objecto estranho possa ter ficado no interior do abdómem durante uma cirurgia. O Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga garante que os exames complementares de diagnóstico “não evidenciam” qualquer corpo estranho.
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A vida de Filipe Aguiar, de 32 anos, não tem sido fácil nos últimos meses. Depois de efectuar uma reconstrução do intestino, no Hospital S. Sebastião, em Santa Maria da Feira, este jovem que reside na Av. do Brasil, em S. João da Madeira, teve se ser submetido a nova cirurgia, em Julho de 2017, para retirar uma hérnia.
“Tenho um hematoma a crescer na zona abdominal e tem cerca de 40 por 30 centímetros”, refere. Sem “qualidade de vida”, tem recorrido ao serviço de urgências do hospital feirense e diz que ali tem sido recebido com bastante “hostilidade”. Na sua opinião, o hematoma será causado por um corpo estranho, que “foi deixado na sequência da cirurgia”, e está disposto a levar o seu caso a tribunal, acusando o Hospital de negligência. O Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga (CHEDV) garante a ‘O Regional’ que os exames complementares de diagnóstico “não evidenciam” qualquer corpo estranho. A reforçar esta convicção “está o facto de o próprio hematoma ter vindo a reduzir lentamente - mecanismo normal de absorção do organismo nestas situações - conforme o próprio utente reconhece”.

Hospital não confirma clima de hostilidade

O CHEDV não reconhece a existência wde clima de hostilidade, pois justifica que “é prática da instituição atender todos os utentes com a atenção, respeito e humanismo que merecem”. E reforça: “este tipo de hematomas não devem ser objecto de tratamento cirúrgico, pois a evidência clinica demonstra que a absorção orgânica do mesmo, diluindo-se no tempo, conforme se tem verificado”.
Vamos à sua história. Filipe Aguiar foi operado no dia 17 de Julho. No dia seguinte, recebeu alta hospitalar e veio para casa com um dreno. “Quando o dreno encheu, fui ao hospital e o médico decidiu retirar-me o dreno”, o que “não me pareceu um procedimento nada normal, uma vez que o mesmo encheu logo durante a primeira noite, pois continuava a drenar”. Desde essa altura, refere ter “uma massa”, que os médicos dizem ser um hematoma, a aumentar gradualmente na barriga. “Foi um erro retirar o dreno. Não é necessário ser médico para perceber isso. Como me retiraram o dreno, o líquido ficou todo na minha barriga”, enfatiza.
A vida de Filipe mudou por completo. Foi obrigado a ficar de baixa médica, a receber cerca de 320 euros, e a deixar de fazer desporto, que era uma coisa que adorava fazer. “Tive que parar de trabalhar porque não conseguia. Isto afecta a minha vida. Só quero ficar bom e que me tirem esta massa gigante. Não tenho qualidade de vida. Tenho muitas dores. Isto não é humano viver assim”.

“Falta de informação entre médicos e o Hospital é muita”

Mas a sua história não fica por aqui. Em Fevereiro, numa ida ao Hospital diagnosticaram-lhe outra hérnia, também na zona abdominal, e ficou em lista de espera para cirurgia. Foi agendada para a passada quarta-feira, dia 12. Para seu espanto a mesma foi desmarcada. ”Se não fosse eu a ligar de véspera para lá não tinha conhecimento que a mesma tinha sido adiada, pois não consideravam o meu caso assim tão urgente”. Acusa o médico que lhe “picou recentemente o hematoma para tentar drenar”, de o ter enviando para casa, onde chegou mesmo a sangrar. Recorreu ao centro de saúde, onde ficaram todos “incrédulos com a situação”.
Filipe Aguiar diz que de todo este processo tem uma certeza: “A falta de informação entre o Hospital e os médicos é evidente”. A cirurgia para reparação da hérnia foi cancelada um dia antes. O CHEDV esclareceu à nossa reportagem que o mesmo se deveu “ao facto de terem surgido necessidades de operar doentes prioritários por doença oncológica”. Referem também, que, quanto ao hematoma, “este tipo de hematomas não deve ser objeto de tratamento cirúrgico”. O CHEDV explica ainda que as razões para este cancelamento “foram-lhe transmitidas directamente, numa consulta realizada no dia 11 de Setembro”. A razão que justificou a necessidade de adiar esta cirurgia deveu-se ao facto de, entretanto, terem surgido “necessidades de operar doentes prioritários (por doença oncológica) pelo que houve necessidade de reajustar os agendamentos”.
Filipe é natural de Lisboa, diz ter pedido transferência do processo para o Hospital do Barreiro, que já se “mostrou disponível” para o operar. O CHEDV diz não ter recebido oficialmente qualquer comunicação, explicando que todos os hospitais do SNS “podem tratar qualquer doente, não carecendo de autorização ou comunicação ao hospital da área de residência”.
Depois do cancelamento da cirurgia, o CHEDV já agendou uma consulta de pré-operatório para 13 de Dezembro.

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