Mercado Municipal de S. João da Madeira
Comerciantes acusam autarquia de “abandono”
20-09-2018
O elevador esteve várias semanas sem funcionar. O cheiro a galinhaço “parece não ter fim”. A Comissão de Vendedores do Mercado Municipal de S. João da Madeira afirma que os comerciantes sentem-se “abandonados por parte do município” e esperam para breve uma solução para vários problemas há muito conhecidos pela autarquia. Concurso público para a requalificação do edifício terá de ser reformulado.
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O presidente da Comissão de Vendedores do Mercado Municipal de S. João da Madeira revela que os comerciantes deste espaço se sentem “abandonados pela Câmara” e acusa o município de “não ter apreço pelas pessoas que frequentam o Mercado, principalmente as que têm dificuldades motoras. O elevador está avariado há três semanas, sem reparação à vista”.
António Rodrigues, explica que o elevador que dá acesso aos pisos do mercado Municipal “está avariado e ninguém parece resolver o assunto”. Diz que os comerciantes que estão no 3.º piso são os mais afectados por falta de clientes, o que se traduz em “prejuízo elevado”, apesar das sucessivas queixas ao município não só relativamente a este assunto, mas com o velho problema da venda dos animais vivos no interior do Mercado.
Este responsável entende também que na próxima remodelação “a Câmara deve ter em conta a necessidade da existência de mais do que um elevador”.
Questionada relativamente a este assunto o município faz saber que o  elevador do Mercado Municipal está de novo a funcionar. “A intervenção do município foi célere, mas a execução do trabalho acabou por ser mais prolongada, por ser tratar de uma reparação complexa, que implicou a substituição de uma peça danificada, tendo sido necessário fazer uma nova e proceder à sua colocação”. Segundo refere ainda o executivo a obra de requalificação do Mercado prevê “um novo elevador”, pelo que vão passar a existir dois, o que diminuirá o impacto de eventuais avarias.

“Fazer inquérito no mercado”

António Rodrigues diz que os problemas não ficam por aqui. Afirma que a Câmara Municipal “insiste em deixar aos animais vivos no interior do Mercado na próxima remodelação”, decisão com a qual a Comissão de Vendedores “não concorda”, e entende que “deveriam ser feitas instalações adequadas para esse efeito”. Sugere, por exemplo, colocar os animais vivos “por cima do armazém do Centro Columbófilo – elevando as instalações ao nível da estrada e criar ali um espaço para os referidos vendedores, que, assim, teriam um lugar em frente para estacionar as carrinhas com os animais, que facilmente eram descarregados para os respetivos balcões de venda”.
A Comissão de Vendedores diz “aguardar pela informação em definitivo da Câmara Municipal”, relativamente à solução que vai dar. Quanto aos animais vivos, “para tirar dúvidas”, propõe que se “fizesse um inquérito à porta do Mercado aos utilizadores para saber a sua opinião sobre os animais”, se devem ficar dentro do edifício ou ao lado do mesmo.
Localizado na Av. Dr. Renato Araújo, uma das principais artérias da cidade, o edifício do Mercado Municipal de S. João da Madeira distribui-se por três pisos, apresentando uma área de cerca de 6.100 metros quadrados.
“O cheiro ardente a galinhaço é horrível e até provoca vómitos nos dias de maior calor”. É desta forma que alguns clientes se manifestaram na passada semana, no Mercado Municipal, junto da entrada pela Rua 5 de Outubro. “Este é um problema que parece não ter fim. Não se entende como é possível este cheiro forte, mal se entra no Mercado, muito próximo dos talhos”, desabafou Rosa Maria Guedes, frequentadora habitual do Mercado, um local, que há muito se assumiu como um espaço de referência no quotidiano da cidade, que “importa preservar, respeitar, dignificar e modernizar com urgência”.
Noutro ponto do mercado, encontramos Ana Lima. “Eu hesito entrar pela zona dos animais vivos, pois não se suporta o cheiro”. E diz: “Nem sei como é que estas pessoas, que passam o dia aqui, o suportam”.
O certo é que há muito que alguns vendedores, questionados pela nossa reportagem, se queixam que, aquando da realização das últimas obras, não tenha sido ali colocado «uma aspiração mais forte, principalmente no local onde as galinhas são vendidas». Contam que o mercado tem “quatro pontos de tiragem, um em cada canto”, o que na opinião destas pessoas “é insuficiente, pois, quando não temos galinhas, cheira a peixe”.
Hélio Pinto, além do cheiro do galinhaço, aponta o dedo quando à demora da resolução do problema do elevador. “Tenho 75 anos e subir as escadas é difícil para mim. Tenho evitado ir ao último piso comprar bacalhau, pois não consigo subir”. Relativamente à presença dos animais, entende que «poderiam estar noutro local, que não no interior do mercado, para bem de todos”.

“Concurso terá que ser reformulado”

A autarquia faz saber que a  empreitada de requalificação e valorização do Mercado Municipal “tem por base um projecto elaborado por uma equipa de arquitectos e engenheiros de uma empresa da especialidade, que assegurou a elaboração de todas as peças do concurso público, cujo prazo entretanto já terminou”. Nesse âmbito, “foi recebida uma proposta que apresentava, porém, um valor superior ao preço-base definido”, pelo que não foi possível fazer a adjudicação. Essa situação terá agora segundo dá conta a autarquia que ser levada em conta “num novo procedimento que será necessário realizar”. 
Como se verifica em vários municípios do país, “as dificuldades no que concerne a resposta/disponibilidade de empreiteiros nos concursos públicos” têm afectado também S. João da Madeira, como aconteceu neste concurso do Mercado Municipal, assume a autarquia.
No que concerne aos animais vivos, “essa foi uma questão imposta à equipa responsável pelo projecto, que propõe uma solução técnica no sentido da compatibilização das diversas actividades desenvolvidas no Mercado, nomeadamente criando condições para que a frequência deste equipamento se faça em condições de conforto e higiene para clientes e trabalhadores e respeito pela dignidade dos animais e comércio. Nesta perspectiva, os animais vivos são encarados como um negócio-âncora do Mercado”, enfatizam.
A preparação do projecto envolveu a realização de contactos e reuniões com os comerciantes, tendo o documento final sido aprovado em reunião de Câmara no final de Julho deste ano, altura em que se lançou o concurso público para a obra.

Intervenção visa a requalificação do Mercado

Em Agosto último, o município dava conta, em comunicado enviado às redações, que se trata de um passo «decisivo para que o nosso Mercado municipal dê um grande salto em frente».
O mesmo comunicado revela que na sequência de reuniões com os comerciantes, «tinha já sido elaborado e aprovado em reunião de Câmara, em Dezembro de 2017, o anteprojecto para o Mercado Municipal, de forma a permitir, desde logo, com o avanço da candidatura a fundos comunitários, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), com uma comparticipação de 85 por cento».
Com a concretização do projecto, a autarquia pretende «intervir estruturalmente no Mercado Municipal e no recinto que o constitui, requalificando-o, modernizando-o e recentrando-o enquanto importante unidade comercial e ponto de referência de centralidade comercial, histórica, social, económica do concelho».
A intervenção a realizar «visa a requalificação do Mercado e a aquisição de todos os equipamentos e mobiliário necessários, bem como a promoção da revitalização, dinamização e requalificação da atividade dos atuais operadores e retalhistas de produtos alimentares, complementando-a com a captação de novos operadores com outros tipos de comércio, produtos e serviços» anunciava o município.

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