Em que país estamos ?
13-09-2018 | por Abel Paiva da Rocha
Estatísticas

219 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

Retenho de há muitos anos dois pensamentos do saudoso D. António Ferreira Gomes, ilustre intelectual e bispo do Porto, e que são os seguintes: “de joelhos diante de Deus e de pé diante dos homens” e “há dois tipos fundamentais de fidelidade/ amizade/ solidariedade: a canina e a racional”.
Estes dois pensamentos, que nunca esqueci, têm-me sido muitos úteis em muitas situações da vida. Interpreto-os como estímulos permanentes para a ousadia de pensar livremente e a coragem de assumir posturas racionalmente fundamentadas, por oposição quer à preguiça de não pensar, quer à conveniência de adotar os comportamentos dos outros;  só por serem de muitos ou considerados de pessoas notáveis.
Ousemos, portanto, pensar e denunciar:
a) A desfaçatez e “elegância” com que nos querem convencer de que é mais apropriado, a bem da Nação, manter o anonimato dos grandes devedores/caloteiros da Caixa Geral de Depósitos bem como dos responsáveis pela atribuição desses empréstimos;
Por que não permitir o conhecimento dessas situações, até porque não serão todas iguais e, porventura, algumas até compreensíveis?... E não são os contribuintes a sofrer as suas consequências?
b)  O fim da possibilidade de consulta das subvenções vitalícias dos altos dirigentes políticos do nosso país.
Por acaso pensarão os nossos atuais dirigentes políticos que o povo ainda não está preparado para reconhecer que estão a ser mal pagos? Então, que bela oportunidade para fazer pedagogia política e demonstrar a todos que, de facto, estão a ser mal pagos (quem não deve não teme); que são compreensíveis, embora não justificáveis, as estratégias usadas por alguns para conseguir mais umas centenas de euros para além do vencimento.
c) A complacência com que o nosso Estado permite que os Bancos e outras entidades fornecedoras de serviços de interesse público apresentem aos seus clientes contratos tão grandes e tão complexos, cuja justificação racional só pode ser a de que os assinemos de cruz. Com efeito, uma das formas mais eficazes de não comunicar e informar é comunicar e informar de maneira palavrosa.
d) A forma como se legisla no nosso país: em quantidade excessiva, de produto de qualidade muito duvidosa (devido à falta sensibilidade ao equilíbrio dos interesses em presença, à excessiva complexidade que a torna por vezes inoperacional, à completa dependência das dinâmicas sociais em curso, arriscando-se a tornar-se muito “colada” aos contextos em que se produz).
Por exemplo, sobre a complexidade das leis no nosso país, António Bagão Felix fez recentemente um artigo, publicado no “Público” no passado mês de Agosto, que é digno da atenção de todos. Exemplifica ele com uma lei que remete para mais de cem normativos. Este exemplo, tenhamos a ousadia de opinar, é notavelmente ridículo! Os Portugueses merecem melhor, o Estado tem obrigação de fazer melhor.
Nota: Não pretendemos saber ou pensar melhor do que todos. Desejamos apenas ser o  “ moscardo” na cidade, à maneira de Sócrates (o grego).
Desejamos provocar a reflexão e, idealmente, alguma reação...

Comentar

Anónimo