Coligação PSD/CDS acusa executivo de “falta de ambição”
Tecnologia LED chega a 55 por cento da rede de iluminação pública
13-09-2018 | por Joana Gomes Costa
A Câmara Municipal de S. João da Madeira vai investir cerca de 533 mil euros para instalar sistemas de LED em 1613 luminárias da iluminação pública. Se a este número for somado as cerca de 991 luminárias que serão substituídas no âmbito de candidatura a fundos comunitários já em fase de conclusão, concluiu-se que cerca de 55 por cento da rede de iluminação pública da cidade passará a dispor de tecnologia LED. O município estima uma economia anual na ordem dos 142 mil euros. A coligação PSD/CDS acusa o executivo de “falta de ambição”, uma vez que defende a substituição das luminárias em todo o território.
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Com base numa proposta apresentada pela coligação PSD/CDS, com posterior deliberação em Fevereiro último, a Câmara, em colaboração da agência de energia ENERGAIA, realizou um estudo económico para a substituição dos actuais sistemas de iluminação pública por sistemas de tecnologia LED. O estudo analisou e identificou os principais pólos de consumo de energia, tendo-se optado por «intervir nos principais eixos rodoviários estruturantes e nas áreas residenciais conexas», como se pode ler na proposta levada à reunião de Câmara da passada terça-feira, o que resulta na intervenção em 1613 luminárias, num universo total de 4724, em que apenas 3733 «correspondem a iluminação pública em arruamentos», sendo que «as restantes 991 se referem a iluminação decorativa ou de parques e jardins» e estão já «integradas numa candidatura a financiamento de eficiência energética através do programa operacional NORTE 2020», que está em fase final de aprovação.
Através destas intervenções, a cidade passará a contar com tecnologia LED em 55 por cento da sua rede de iluminação pública.
O estudo concluiu ser mais vantajoso avançar com a intervenção recorrendo a fundos próprios da autarquia, devendo o investimento ascender a cerca de 533 mil euros. O município estima uma poupança anual na ordem dos 142 mil euros, pelo que o retorno do investimento é esperado em cerca de 4 anos.
A proposta inicial incluía a instalação de sistema de telegestão da iluminação pública. No entanto, o estudo aponta no sentido deste representar um «acréscimo de 30 por cento no valor do investimento, traduzindo-se apenas num acréscimo de poupança na ordem dos 4 por cento». Na proposta levada agora à reunião, é destacado que os PT’s da rede de iluminação pública estão «dotados de relógios astronómicos», dispositivos que permitem «impactos positivos» ao nível da eficiência energética e que as «luminárias propostas» têm «regulador de fluxo», que possibilitam a definição de «horários com fluxos diferentes», embora «manualmente e no local».
O presidente da Câmara, Jorge Sequeira, assumiu a “opção de numa primeira fase fazer parte do território”, com incidência de “ir aos pontos onde se consomem mais energia”, remetendo o alargamento a todo o concelho para “mais tarde”. Sendo “mais vantajoso” avançar com a intervenção com fundos próprios, o autarca reconhece que o investimento irá “implicar a contratação de um empréstimo”, falando numa “opção consciente”.
O vereador da coligação PSD/CDS Paulo Cavaleiro discorda da opção de avançar apenas em parte do território, defendendo que a proposta inicial, aprovada por unanimidade, previa a substituição de toda a rede de iluminação pública. Destacou ainda que a questão do sistema de controlo remoto era proposto “não só pela lógica da poupança”.
“É falta de ambição não querer fazer a cidade toda”, afiançou Paulo Cavaleiro.
Jorge Sequeira argumentou que a deliberação inicial previa avançar com o estudo desta questão, com Paulo Cavaleiro a sublinhar que se propunha o estudo para toda a cidade.
“Os sanjoanenses merecem muito mais”, disse Paulo Cavaleiro, com Jorge Sequeira a retorquir que “os sanjoanenses vão felicitar o executivo por avançar com esta matéria”.
A proposta acabou por ser aprovada por maioria, com os votos contra dos dois vereadores da coligação PSD/CDS.
Em declaração de voto, Paulo Cavaleiro justificou o voto contra com o facto de considerar que “esta decisão prejudica 45 por cento dos sanjoanenses que não vão ter direito a nova iluminação na sua zona”. O vereador da oposição considera que a proposta “contraria” a deliberação anterior e reafirma que a telegestão é “fundamental para o concelho”. “S. João da Madeira perde uma oportunidade de se afirmar de forma diferenciadora quando tem todas as condições para o fazer”, concluiu.

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