O Verão terminou
05-09-2018
Estatísticas

304 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

O Verão terminou. E ainda bem!
Por um lado, ainda bem que terminou, para nos livrarmos dos incêndios e dos consequentes “desenrascanços” da habilidade lusitana, da monotonia das não-notícias (porque notícias são conteúdos novos, não os mesmos repetidos até à exaustão), das notícias que nem ao menino Jesus interessam (mesmo que seja sportinguista!), do mito que consiste na admissão de que é possível construir um mundo sem competição, de que o caso “Robles” é um exemplo paradigmático pela contradição que encerra (não há competição numa organização em que se pode fazer menos, ganhando o mesmo? não há competição pela ligação ao poder político para obter as benesses correspondentes, numa sociedade em que tudo é de todos?), numa sociedade de fugas de informação dos processos judiciais parados para férias, fazendo letra morta da presunção de inocência a que todos os cidadãos têm direito (também os primeiros ministros!...), dos comboios que nunca chegam (e, quando chegam, nos invadem de calor, a condizer com as dinâmicas hormonais próprias do estio), dos originais tweets de Trump (com a chuva e a descida da temperatura no hemisfério norte, talvez consiga ponderar melhor os seus tweets), dos naufrágios do Mediterrâneo em que gente, desesperada, foge da fome, da peste e da guerra (verdadeiro espelho da desumanidade a que chegámos enquanto sociedade). Por tudo isto, ainda bem que terminou!
Por outro lado, ainda bem que terminou, para podermos dar lugar a um novo tempo, a uma nova esperança.
Sim, porque não há vida humana sem esperança. Diz o povo, e é verdade, que “a última coisa a morrer é a esperança”. E uma verdadeira esperança não é um esperar, um “ver passar os comboios”. Uma verdadeira esperança é uma construção; é uma construção de sentido que diariamente se faz de trabalho esforçado consistentemente planeado, resiliente às adversidades que sempre surgem, adequado às competências e desejos de realização de cada um e, ainda, adequado às dinâmicas dos contextos em que se realiza. Uma verdadeira esperança é, portanto, ação que, transformando a realidade, constrói o homem e, nessa medida, o faz feliz.
Demos, pois, lugar a uma esperança feita de ação que reflete e de reflexão que age, num diálogo tanto quanto possível aberto e livre, porque se realiza a partir de um “ lugar” sem lugar. De um lugar que, embora originariamente “preso” ao concreto de cada um (com efeito, pensamos até com as unhas dos nossos pés!), se abre à multiplicidade dos “lugares” dos homens e aproveita a riqueza infinita da sua diversidade.
Esforcemo-nos, portanto, por sair do nosso sofá das divergências do costume e dos preconceitos estabelecidos.
(Eu também pecador me confesso. Como isto é difícil!... costumo ter para mim uma justificação: é defeito de formação e, até, o ser assim, e de forma pública, pode ter alguma utilidade para alguém.)
É melhor acabar, porque isto está a resvalar para o moralismo... (escrevo para outros? ou escrevo para mim?)

Comentar

Anónimo