05-09-2018 | por Manuel Martins
Não é meu hábito ter opinião repetida. No entanto e porque o tema diariamente nos manifesta a realidade da vida, venho relembrar o meu artigo publicado nos princípios do mês de julho pp, sobre o tema a MENTIRA. Reforçando o afirmado e após conviver com determinadas pessoas, venho reforçar a minha apreciação sobre o tema, verificando que a mentira é a forma corrosiva de determinada pessoa usando-a como desestabilizadora da vida humana. Mentir compulsivamente está longe de ser engraçado e pode mesmo representar uma patologia denominada mitomania. Neste quadro clínico inserem-se as pessoas que mentem com muita frequência, tornando esta atitude num vício que reflete uma forma de estar na vida, explicação manifestada por psicólogos credenciados sobre tal patologia. Identificar e reconhecer a mentira como um hábito basta analisar a sua frequência, uma vez que a mentira excessiva é um sintoma comum de diversas doenças mentais. Este tipo de comportamento é causado por um transtorno psicológico, no qual existe uma eventual simulação, omissão ou distorção da verdade que normalmente é praticada por indivíduos aparentemente saudáveis.
Apreciações retiradas de leitura de psicologia, esta mostra-nos como principais causas decorrentes de traços de personalidade, nomeadamente, problemas nas relações familiares e experiências stressantes ou traumáticas. Por exemplo, pessoas que sofrem de transtorno da personalidade antissocial normalmente mentem para se beneficiar junto dos outros. Alguns indivíduos com esta perturbação podem mentir para chamar a atenção, alegando que eles foram maltratados ou pressionados, revelando um distúrbio psicológico na qual o doente possui uma obsessão compulsiva pela mentira.
Os grandes fingidores há muito que se especializaram na arte da pose e seus artificialismos, acreditando no que fabricam tanto quando conseguem que muitos seguidores acreditem como o próprio. Tal patologia foi identificada, pela primeira vez, em 1905 pelo psiquiatra francês, Ernest Dupré. O pensador e poeta espanhol do Modernismo, António Machado Y Ruis, dizia: Também a verdade se inventa. A verdade que se inventa, são os caminhos daqueles que, de tanto mentir, chegam a acreditar que é mesmo verdade. Os grandes mentirosos nem se apercebem da quantidade de mentiras que inventam, tamanha é a cauda da besta que alimentam.
A mentira é predadora e age em nós como um animal cobarde e velhaco, capaz de destruir a verdade, pisando e arrasando tudo na sua luta e correrias pela supremacia. Aparentemente, a mentira tem uma escala que vai da mais infantil e piedosa à dos piores criminosos, passando pela ausência de verdade nas relações familiares e amorosas, pelas traições entre amigos, pelos jogos de máscaras socialmente aceites, pela dissimulação, omissão e inverdade de políticos, gestores, líderes, pares nas organizações, autoridades e outras figuras de referência.


