75.º aniversário
05-09-2018 | por Fátima Guimarães
Para assinalar os 75 anos da Greve dos Sapateiros, acontecimento marcante na vida coletiva deste comunidade, a organização do PCP promoveu uma sessão debate no dia 3 de agosto pela 21,30 horas, no auditório Zeca Afonso/Sindicato do calçado.
A participação de diversos intervenientes na sessão, conduzida por Joaquim Almeira, que é um estudioso da luta dos trabalhadores no distrito e foi coordenador da União dos Sindicatos, e Daniel Vieira que é licenciado em história e naturalmente interessado na evocação deste acontecimento enquanto neto de um dos organizadores da Greve, tornaram a comemoração particularmente relevante e extremamente adequada. Como foi referenciado, não se pode viver adequadamente o hoje, sem conhecer o que aconteceu antes, sem se perceber como se chegou cá!
Foi há setenta e cinco anos que milhares de trabalhadores do calçado reagiram organizadamente às degradantes condições de vida que levavam.
Vivia-se em plena guerra, 2.ª mundial, com restrições brutais na distribuição dos géneros alimentícios e com condições de trabalho sufocantes: nos horários, nos salários, nas condições para o desempenho da profissão.
Assim, esgotadas as possibilidades de entendimento com os patrões, num acto colectivo edificante da sua condição de trabalhadores, ousaram reivindicar melhores condições de vida e de trabalho, utilizando para isso a ultima arma que lhes restava, o recurso à greve!
“No dia 5 de Agosto de 1943, pelas 8 horas da manhã, muitos operários não se apresentaram ao trabalho; dividiram-se em grupos e foram de fábrica em fábrica, incitar outros trabalhadores à greve. ..2000 operários sapateiros em Greve!... de S. João da Madeira mas também do Couto, Arrifana e Nogueira do Cravo! Na hora de almoço, juntaram-se a estes, os trabalhadores da Oliva e de toda a massa trabalhadora da região numa grande manifestação, protestando contra a falta de géneros e reclamando a satisfação das suas reivindicações.
As suas justas reivindicações foram violentamente reprimidas pelo regime fascista e muitas famílias de sanjoanenses ou de freguesias vizinhas, viram familiares e amigos, serem detidos, espancados e torturados alguns tiveram mesmo que passar à clandestinidade.
Estas lutas da classe operária foram ferozmente reprimidas pelas forças da repressão da ditadura fascista de Salazar em especial a PIDE
S. João da Madeira foi, durante 2 meses, ocupada militarmente e mantida em estado de sítio.”
As razões desta luta, a forma como se organizou e concretizou, as suas consequências, estiveram na rua, numa exposição que o PCP organizou e expôs à população da região, na sexta feira, 2 de agosto no Largo do Souto/Avenida Dr. Renato Araújo e nos dias 3 e 4, sábado e domingo seguintes, na Praça Luís Ribeiro.
A comissão concelhia do PCP, procurou dar visibilidade a uma parte da história local, contributo para sabermos quem somos como coletivo mas também para respeitar e homenagear aqueles que, não se conformando com as injustiças e sofrimento do povo, ousaram lutar para alterar a situação e ajudaram a dar dignidade a esta terra que hoje somos!


