Questões da nossa Cidade DCCLXXXV
02-08-2018 | por Adé
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 I – O desleixo
É inquestionável que o estado de degradação dos espaços verdes da cidade tem vindo a agravar-se ano após ano, à custa de uma manutenção insuficiente, pouco rigorosa e de um desinvestimento naquilo que era já uma referência na cidade.
Os outrora espaços relvados verdejantes não passam hoje de campos cheios de ervas daninhas e espécies invasoras. E se durante o Inverno é até possível criar, em alguns locais, a ilusão de extensos tapetes relvados ou de jardins de criação espontânea, chegados a esta época quente e seca do ano, a natureza encarrega-se de nos mostrar que a relva é algo que já não existe por ali. Tudo se transformou em mateira indesejável que se traduz no desleixo em que a cidade está a ser votada.
Se é verdade que a equipa do topo da hierarquia da Divisão que trata dos assuntos relacionados com os espaços verdes é a mesma de há anos atrás, como se procura justificar o executivo, então é sinal de que está na hora de trocar por outros comandos no topo da hierarquia da referida Divisão, porque a actual não consegue superar as insuficiências de pessoal com uma programação rigorosa e atempada e que dê as respostas necessárias que os novos tempos exigem! Deixar para os meses de Junho, Julho e Agosto, altura em que os funcionários vão para férias, para fazer uma das mais importantes manutenções dos espaços verdes, é uma decisão errada e prejudicial à cidade e à qualidade de vida dos são-joanenses.
Ir buscar ao Centro de Emprego gente inqualificada para o serviço de manutenção dos espaços verdes, é prestar a essa manutenção a pior qualidade! Se o município não tem pessoal qualificado suficiente para a tarefa, contrate-se empresas privadas do ramo para se fazer uma manutenção de qualidade. A cidade é que não deve manter por mais tempo esta incomodativa imagem de degradação ambiental!

II - Por que tem que ser à noite?
Há semanas atrás, quando conversava com pessoa amiga, ela questionou-me se eu estava a par do barulho provocado pelo camião e respectivo guindaste que faz a recolha noturna do lixo doméstico na cidade, que incomoda demasiada gente que, acordando com tamanho barulho, não consegue recuperar o sono em que estivera “mergulhado” antes daquele barulho habitual, em horas que seriam para o total descanso de quem tem que trabalhar logo pela manhã! Respondi-lhe que sim, como todos os são-joaneses, infelizmente!
A questão é a seguinte: por que não fazer a recolha do lixo a partir das oito horas da manhã? Se é hábito das pessoas colocar o lixo durante a noite nos contentores, por que não é o mesmo recolhido apenas no decorrer do dia, em que não há pessoas a dormir, isto porque a maioria trabalha de dia e descansa à noite?
Depois e como é óbvio, facilitaria igualmente as pessoas que são postas a fazer essa recolha, que assim estariam a fazer o seu trabalho durante o dia e descansariam à noite como os demais?!
Haja vontade da empresa que faz a recolha e de uma convincente sugestão municipal, para que se faça uma alteração que é, à partida, benéfica para todos e com melhoria acentuada na qualidade de vida dos são-joanenses.    

III - Com ou sem conotação religiosa?
Há umas semanas atrás, a Junta de Freguesia organizou e realizou uma passeio para seniores que eu avaliei, subjectivamente, claro, como o melhor de todos os passeios desde 2001. E o destino foi o Santuário de Fátima. Agora, foi anunciado a abertura de novas inscrições em Agosto para um outro passeio de organização municipal para Setembro, com o destino a Santiago de Compostela, Espanha, ao que parece por suposta promessa feita (a quem? A Santiago ou aos idosos?) pelo presidente da Câmara Municipal em caso de vitória eleitoral nas últimas autárquicas, como acabou por acontecer.
Eu sempre discordei que se fizesse qualquer conotação religiosa, por actos ou palavras, com os passeios dos seniores são-joanenses. E digo isto com total à vontade, porque fui batizado na igreja  católica  e casei-me na igreja católica. Nunca achei correcto que se levasse o coro e o Padre aos passeios dos idosos e se rezasse o terço no decorrer da viagem nos vários autocarros, porque isso era um mais que evidente apoio a uma religião em particular e o desrespeito por todas as outras em geral.  E como a nossa Constituição determina o Estado Português como um estado laico, logo, não compreendia o porquê da conotação que, para mim, era abusiva e que a autarquia (Junta e Câmara) consentia!
Lembro-me que o primeiro passeio organizado pela Junta de Freguesia presidida pela presidente Dr.ª Helena Couto, ainda no anterior mandato, já não houve a habitual missa com Padre e coro da nossa cidade (o que achei correcto), embora se continuasse a ir sempre, no segundo passeio do ano, ao Santuário de Fátima.
Por isso, e muito embora se constasse desta promessa do presidente da Câmara, não deixo de achar estranho que os dois passeios dos idosos do ano acabem por ter como destino dois santuários de religião católica.
Pois não estranhem nem se queixem, os presidente da nossa Câmara Municipal e da nossa Junta de Freguesia, se no futuro uma minoria religiosa, que tem direitos consagrados na Constituição Portuguesa, venha propor uma ida do passeio de idosos à Mesquita de Casablanca/Marrocos (a única que consente a entrada de não crentes muçulmanos), ou à Mesquita de Lisboa como passeio cultural e com reza do Alcorão no decorrer da viagem, ou mesmo para uma visita a um cemitério judeu no Alentejo, etc., etc.! Quem sabe?

O jornal entra em férias a partir de hoje e durante os restantes dias de Agosto. E, por isso, o nosso reencontro se fará apenas em Setembro. Sendo assim, vão os meus votos de boas férias para os leitores do jornal ‘O Regional’, em especial, e aos são-joanenses de modo geral. Fiquem bem, com a família e com os amigos!

Comentários
Anónimo | 02-09-2018 10:27 ROTUNDAS
este jornal esta sempre a falar da mesma coisa,não diz nada de novo e tudo sempre igual ou mentiras , já andam a dizer que a rotunda de sanfins, era para começar ,a 2 anos e continua na mesma,até quando pergunto
Anónimo | 03-08-2018 17:51 Ervas daninhas, abate de árvores e boas práticas
A degradação dos espaços verdes não se mede tão simplesmente com os "campos cheios de ervas daninhas". Na verdade, os relvados são uma solução paisagística pouco amiga do ambiente na medida em que é muito exigente em água e manutenção. Desejavelmente deveríamos recorrer a soluções mais ecológicas e até esteticamente mais interessantes do que os relvados, aliás como vem sendo apanágio de outras latitudes onde estas questões são levadas a sério e já levam em consideração o impacto das alterações climáticas. Por cá faziam falta mais alternativas aos arrelvados do tipo "jardim mediterrânico" que recorrem às nossas espécies mais adaptadas ao território (ex: alecrim, lavanda) e em nada ficam a dever a tanta exótica utilizada por aí fora, bem pelo contrário. Podendo ser mais bonitas são também, sem sombra de dúvidas mais úteis do ponto de vista ambiental, ao promoverem, por exemplo, a biodiversidade e requererem menos manutenção, ajudando a poupar dinheiro. Um exemplo disto é a cidade inglesa Kingston upon Hull, em que a câmara municipal decidiu substituir a relva por flores silvestres nas bermas das estradas (ver aqui: https://bit.ly/2O9FKJJ ). Até mesmo aqui ao lado, em Espanha, são inúmeros os casos.
Noutro artigo desta edição escreve-se sobre abate de árvores e invasoras e neste capítulo as câmaras, juntas e até escolas deixam muito a desejar. Em escolas será sempre mais grave já que estamos a perpetuar naqueles que irão comandar dos destinos da nação práticas absolutamente erradas e nefastas para as árvores e segurança de pessoas ao debilitarmos a árvore. Em SJM foi disto exemplo o que aqui foi noticiado sobre as árvores roladas na Escola Oliveira Júnior. Ainda sobre segurança há que aqui dar nota de uma tilia de grandes dimensões que se encontra morta nos limites NW do parque da Nossa Senhora dos Milagres junto à rotunda. É imperioso remover esta árvore e substitui-la por outra. E, já agora, que se plantem árvores (com futuro!) nas caldeiras de alinhamento das bermas de ruas de vários pontos da cidade, que ainda têm, desde há vários anos, esse espaço desocupado sem explicação.
Sobre as invasoras, nomeadamente de acácias, que o artigo também refere, é importante fazer a remoção das mesmas, sempre que possível, como ditam as boas práticas, que passam no caso de plantas jovens pelo arranque em época chuvosa para facilitar o arranque, e não pelo corte, que não só não resolve como ajuda à propagação. Era muito importante a Junta e a Câmara levarem os responsáveis pela área de espaços verdes e jardineiros/as a tirar formação nesta área.

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