Pedro Neves em entrevista
“Sou crente e rezo todos os dias”
02-08-2018 | por António Gomes Costa
O seu nome é, há muito, uma referência no humor em Portugal. Mas Pedro Neves é muito mais do que isso. São cerca de 17 anos e mais de 1200 espetáculos. Quanto às anedotas, já perdeu a conta das que contou. Pedro é nosso. É sanjoanense e orgulha-se muito disso. Comediante, professor e homem da política. Um verdadeiro lutador. Nesta entrevista dá a conhecer o seu lado mais sério. Gosta de trabalhar a motivação, felicidade, comunicação através do coaching em várias organizações. Homem crente, reza todos os dias e muito próximo da família. Pedro Neves é o verdadeiro «Gargalhão», festival que já tem data anunciada para o final de Novembro. A política continua a ser uma paixão, mas mostra-se profundamente “desapontado com políticos” e partidos, de uma maneira geral. Apesar de ser bem-disposto e de fazer rir, não esconde o seu mau feitio nos primeiros minutos do dia. Define o seu humor como “muito físico e intenso”, pelo que, ao fim de todos estes anos, garante estar cansado e admite já ter pensado “parar de fazer humor”.
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Jornal ‘O Regional’ - O que é feito do Pedro Neves que já foi presidente da Assembleia de Freguesia e nunca escondeu a forte paixão pela política em S. João da Madeira?
Pedro Neves - Continua por S. João da Madeira, apaixonado por política local, nacional e internacional, mas profundamente desapontado com políticos e partidos políticos, de uma maneira geral. Sempre quis, na minha vida, fazer coisas para além da política, sempre me recusei ser um “politicodependente” e, portanto, estou a fazer outras coisas que me apaixonam.

E, já agora, o que é feito do professor de turismo?
Nunca parei de dar formação. Deixei de estar como professor numa escola do concelho mas tenho dado formação e palestras em diversas escolas, academias e centros de formação no âmbito da animação turística, das técnicas de atendimento, comunicação interna e marketing estratégico.
Aproveitei para me especializar noutras áreas e, nos últimos cinco anos, fiz três certificações internacionais em Coaching e Programação Neurolinguística.

Dizia-me um dia que, apesar de fazer rir as pessoas, tem um péssimo acordar…
Terrível (risos)! Tenho um mau feitio, horroroso, naquela primeira meia hora do dia. A Ana e o Afonso já optam por falar comigo só depois de sairmos de casa; e irrita-os profundamente quando as pessoas chegam perto deles e dizem “ai, deve ser uma animação estar sempre com ele, não é?” - acreditem que não!
É claro que ao longo do dia o meu feitio vai melhorando e depois, passado algum tempo, transformo-me neste poço de simpatia e sensualidade a que todos estão habituados (risos).

O que é que as pessoas, e em particular os sanjoanenses, desconhecem ainda do Pedro Neves?
Aquilo que têm de desconhecer! Se há uma série de coisas que não sabem é porque não são próximas o suficiente para terem de saber. Têm conhecimento daquilo que permito que seja público.
Sabem que faço espetáculos de humor, que sou muito ligado à família e alguns amigos e que vou fazendo umas “cenas” que não percebem muito bem o quê!
Mas como sei que quer que eu dê aqui um contributo com algumas novidades, cá vai (risos).

Se calhar não sabem que gosta muito de cozinhar…
É verdade, eu adoro cozinhar e até acho que tenho jeito para isso (risos). Mas muitos também desconhecem que sou um apaixonado pela Serra da Estrela, em especial por Folgosinho. Não sabem que sou crente e  que rezo todos os dias e que tenho uma tatuagem da medalha de S. Bento.
Não sabem que, apesar de não ter tempo para praticar desporto, adoro artes marciais e Stand up Paddle!
Serve?

O seu nome é, nos dias de hoje, uma referência no humor em Portugal. Já lá vão cerca de 17 anos como humorista/stand up. Pensou algum dia chegar ao lugar que ocupa como comediante nos dias de hoje?
Desde já, fico agradecido por acharem que sou uma referência do humor em Portugal. Sim, sempre acreditei porque trabalhei muito para isso.
Demorei muito tempo a criar uma identidade artística, uma forma de atuação que se percebesse que era minha, um registo próprio e as coisas foram acontecendo.
Acredito que poderia ter tido uma dimensão ainda maior, mas sempre continuei a ter outras atividades profissionais, nunca me dediquei em exclusivo à comédia.  Hoje sou feliz como estou, com o resultado desta minha “carreira”.

O programa «Levanta-te e Ri», que terminou há vários anos, ainda hoje seria um bom programa de televisão?
Obviamente! E a prova disso é que o meu querido amigo Fernando Rocha criou uma programa ao estilo do levanta-te e ri no youtube (o pi100pe), que tem largas dezenas de milhar de visualizações cada vez que é lançado um episódio.
E digo mais, o «Levanta-te eRi» só terminou porque era um programa incómodo, sem filtros, que tocava na classe política, no processo casa pia, nos poderosos do nosso país, que não ficavam agradados com isso e exerciam pressão para que acabasse. Não era por falta de audiências! Tinha centenas de milhar de espectadores. E fazia serviço público de televisão levando espetáculos com grandes artistas nacionais a todas as terras do nosso país (coisa que não era comum na altura).

Fazer humor em S. João da Madeira é sempre mais difícil para si?
Pelo contrário, é sempre um prazer enorme e os nosso cidadãos são sempre espetaculares no carinho com que me tratam. A prova disso foi a enchente que tivemos na Praça Luís Ribeiro há dois anos, no meu espetáculo ao vivo com banda. A única pena que tenho desse espetáculo é que se tenham esquecido de gravar o áudio do mesmo. Se tivesse o registo áudio desse espetáculo tinha feito um DVD incrível porque gravei as imagens todas com grande definição e qualidade.

Recentemente abraçou mais um desafio. Coaching com Humor nos Navios da Douro Azul…
Eu trabalho a motivação, felicidade, comunicação e o coaching em várias organizações.  A Douro Azul é uma grande empresa (que deve orgulhar todos os portugueses pelo contributo que dá à economia nacional e ao turismo em Portugal), que faz parte de um conjunto de clientes empresariais que a Like a Pro (sediada na OCF e da qual sou responsável) tem.
Eles entendem que é muito importante que os seus colaboradores se sintam bem, que cuidem do físico e da mente, pois só desta forma poderão prestar um serviço de excelência aos seus clientes e, nesse sentido, contrataram os serviços de uma equipa de especialistas, da qual, também eu faço parte.

Que cliente gostaria de ter (que ainda não tem) e a que personalidade gostaria de fazer coaching?
Ui, isso agora. Epá, só  me faz perguntas difíceis (risos). Mais do que pensar em quem, ou a quem, eu quero muito continuar a estudar esta vertente do desenvolvimento pessoal e do comportamento humano. Tenho muita curiosidade em aprender mais sobre o Desporto de Alta Competição e começar a trabalhar as minhas formações em “Princípios de Sucesso” já a partir de setembro.

Que workshops ou cursos dá na Oliva Creative Factory?
Neste momento desenvolvo duas ações formativas na OCF: o Curso “Falar em Público com Sucesso” e o Curso de Introdução ao Coaching Desportivo (certificado pelo IPDJ).

Estamos a falar de todo o tipo de público. De onde vem a imaginação para a aplicação do humor em várias vertentes?
Do quotidiano, de coisas que me contam, de tudo, de todo o lado.
É mais uma questão de ter o nosso cérebro focado em “estupidificar” tudo o que vê, sente e ouve.
A maioria dos profissionais de coaching refere a importância do humor nas apresentações, nas palestras, nos cursos e,todos eles fazem um esforço por estudar e modelar o comportamento de humoristas, para terem piada. Ora, eu já levo essa vantagem sobre todos eles… resta-me ser bom a fazer Coaching… e acho que estou no bom caminho!



4.ª edição do Gargalhão em Novembro


É o diretor e produtor do festival de comédia Gargalhão – Festival de Comédia de S. João, que conta com o apoio do município. A 4.ª edição já tem data definida?
O Gargalhão contou, na segunda e terceira edição, com o apoio do município e já tem uma data prevista, que será nos últimos dias de novembro.

Estamos a falar de um festival que não é só para a cidade. A prova disso, segundo o balanço de edições anteriores, é que o Gargalhão tem trazido à cidade público de todo o continente e os nomes mais fortes do humor em Portugal. José Nuno Vieira, vice-presidente do município, considerou durante a apresentação da edição anterior que o evento é já uma “marca na cidade e na região”. Revelou na altura ainda que o festival “é um exemplo daquilo que a cidade tem conseguido com a Oliva Creative Factory, com a instalação de novas empresas em áreas distintas e que têm conseguido projectar-se através destas infra-estruturas”. Sente que o município e toda a cidade reconhece este festival como um dos eventos de maior projeção que acontece na cidade?
Sinto que os munícipes acolhem com muito entusiasmo este evento, sinto que, cada vez mais, é um festival de referência a nível nacional e a ver vamos de que forma é que este evento também é preponderante para o nosso executivo camarário, nesta edição. Estamos em conversações e brevemente tomaremos algumas decisões importantes sobre a edição deste ano.

Este festival, além das sessões nas fábricas e atuações nas nove escolas do ensino básico do município, junta milhares de pessoas. Qual é, afinal, o grande segredo deste evento?
É ser o evento mais transversal e inter-geracional do género no nosso país.
Tem duas ou três noites de festival com humoristas para todos os gostos e uma vertente de responsabilidade social impagável e inigualável no nosso país, com a ida a todas as escolas e jardins de infância do concelho. Isto ainda não acontece em mais lado nenhum.
E tudo isto por um valor que não chega, nalguns casos, a metade do que é cobrado por um grande artista nacional!

Mas, como se explica, por exemplo, o sucesso junto das empresas?
Pessoas motivadas são pessoas mais felizes, que produzem mais e melhor!
20 minutos de intervalo, uma vez por ano, para receberem na fábrica uma performance de humor, é incrível e provoca um efeito maravilhoso nos trabalhadores. E devia acontecer mais vezes, ao longo do ano, para além do Gargalhão.


“Não vivo só do Humor”


É certamente um humor diferente daquele que apresenta num palco…
Sim, é! É um humor mais direto, mais óbvio, até porque só temos 20 minutos para a performance.

A Oliva Creative Factory  (espaço onde a ideia do festival nasceu) volta a ser o palco principal do festival?
Enquanto for feito cá e produzido pela Like a Pro, sim! A sala dos fornos da Oliva Creative Factory é a sala que mais espectadores leva em SJM. Ainda assim, estamos sempre limitados a 800 lugares (que sendo razoável, não é muito).

Voltamos ao humorista. Acha que tem piada nas anedotas que conta?
Devo ter porque o público normalmente não me contrata só uma vez. E, ao fim de 17 anos e mais de 1200 espetáculos, o saldo não é mau de todo (risos).
Eu tenho um humor muito físico, muito intenso, muito elétrico e isso permite que o meu espetáculo não seja uma seca.

Que humoristas o fazem rir em Portugal?
O Mestre Herman, sempre, o Fernando Rocha, o João Seabra e o Miguel Sete Estacas, três profissionais do humor de enormissima qualidade que me fazem rir, ainda mais fora de palco do que quando estão a atuar, curiosamente.

O que tem sido mais difícil para si nos últimos anos nesta profissão?
O desgaste. Mais uma vez, não vivo só do humor, tenho espetáculos à noite e trabalho durante o dia. Estou cansado e já pensei parar de fazer humor.
E, por outro lado, combater o centralismo de Lisboa! Não são dadas as mesmas oportunidades aos humoristas do Norte. E quando são, normalmente, a coisa “traz água no bico”.

Para finalizarmos: Qual é a melhor anedota que contou relativamente a S. João da Madeira?
A minha anedota GPS, em que atravesso de bicicleta toda a cidade, na década de 80, relatando todas as ruas e lojas existentes na altura - não o vou fazer agora porque, acredite, os caracteres que tem disponível para a entrevista não seriam suficientes…(risos).

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