Avós sanjoanenses no Dia Metropolitano dos Avós
“Os avós são uma transmissão de valores”
02-08-2018 | por António Gomes Costa
São avós e orgulham-se disso, pois afirmam com convicção que os netos são uma “continuidade da vida e transmissão de valores”. A Área Metropolitana do Porto (AMP) voltou a unir, durante várias horas, o convívio e a solidariedade desta geração, num dia a eles dedicado, que este ano teve como convidado Herman José, que se fez acompanhar de várias personagens criadas pelo humorista. S. João da Madeira esteve representada por 300 pessoas.
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“A única coisa que se pede, quando chegamos a esta idade, é amor, respeito e uns fortes abraços, tanto dos netos como dos nossos filhos”. Esta foi a garantia dada por Maria Silva, uma das muitas sanjoanenses presentes na 12.ª edição do Dia dos Avós, que se realizou no Centro de Congressos do Europarque, em Santa Maria da Feira, na passada quinta-feira, dia 26.
Todos os anos, cerca de 300 avós sanjoanenses participam no encontro, que reuniu pessoas de 16 municípios da AMP: Porto, Vila Nova de Gaia, Arouca, Espinho, Gondomar, Maia, Oliveira de Azeméis, Paredes, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, S. João da Madeira, Vale de Cambra, Valongo e Vila do Conde, à exceção de Matosinhos, que, como em edições anteriores, voltou a não participar, para ali conviverem um dia a eles dedicados.
Mas, se os avós estavam presentes em grande número, os netos nem por isso. “Já que se trata de uma festa dos avós, e nós só cá estamos porque os temos, eles deviam fazer parte desta festa, pois faz todo o sentido esta partilha”, uma vez que “são também a nossa identidade e fazem também parte do nosso crescimento”, assegura Maria Silva.
Um mar de gente, com um amor incondicional aos seus netos, demonstrado de formas muito diferentes, foi aquilo que encontrámos quando chegámos ao local. Enquanto uns já se divertiam, outros aproveitavam para fazer uma massagem gentilmente oferecida pela equipa das Termas das Caldas de S. Jorge.
Maria Ondina Costa, de 73 anos, residente na Avenida Renato Araújo, nunca escondeu a felicidade incondicional de ser avó, enquanto falava à nossa reportagem. ”Os netos representam a continuidade da nossa vida”. Tem sete netos e uma alegria “incondicional”. Lembra-se muito bem do dia em que foi avó pela primeira vez. “Foi uma alegria, chorei que me fartei. É uma bênção” e já lá vão 23 anos. “Ao longo destes anos, como avó, tenho feito o melhor que sei” e, pensando bem, “acho que não mudava nada dos valores que passei e continuo a passar”, admite.

“Nós somos de S. João da Madeira”

Quem não faltou ao encontro foi o presidente da Câmara de S. João da Madeira, Jorge Vultos Sequeira, que, acompanhado da vereadora Paula Gaio, confraternizaram com os avós sanjoanenses, que se destacavam no meio da grande multidão pelo chapéu que usavam. “Gritavam em voz alta”, exibindo com orgulho o adereço.
Entre dança, sorrisos e muita alegria, encontrámos Maria Pires, da Freguesia de Aldoar, no Porto. Tem 10 netos, que diz serem tudo na sua vida. “Eduquei-os da mesma maneira que eduquei os meus filhos. Mantenho o rigor quanto às regras que impunha. Não admito falta de respeito” e diz que aprendeu uma coisa com eles: “passei a ouvir tudo o que me dizem e com muita atenção ao que me perguntavam”. Descarta a ideia de ser uma avó “galinha”. “Os avós são uma transmissão de valores” e, se existe algo que me incomoda, “é ver um idoso a ser mal tratado, ignorado ou mesmo desrespeitado, seja por um jovem ou por outra pessoa qualquer”, enfatiza.
Da mesma freguesia veio Ana Maria. Em Portugal tem, apenas, dois netos mas “os suficientes” para se sentir de coração grande. “Sou uma avó meia maluca, pois acabo por me transformar também em criança”, ao ponto de utilizar determinados termos da juventude – “e divertimo-nos sempre muito, pois acabo por fazer mais asneiras do que eles”, desabafa, entre fortes gargalhadas. Mas, de uma coisa tem a certeza: “Passei os valores do respeito e da educação que é aquilo que, hoje, infelizmente, se vai perdendo”.
Uns metros mais à frente, encontrámos Manuel Pinho, que representava a freguesia feirense. “Os netos não são os nossos segundos filhos”. Apesar de não ter um convívio permanente com os netos, justifica que uma boa relação “não passa pela quantidade do tempo que passamos juntos, mas, sim, pela forma como o mesmo é utlizado”. De olhar caído, assumiu que o corte na relação entre pais e filhos acaba por afetar sempre a proximidade dos “avós com os netos”, o que terá acontecido na sua família, enfatizou Manuel.
E, porque os avós são uma parte fundamental na família, a Área Metropolitana do Porto conseguiu durante várias horas unir o convívio e a solidariedade desta geração, celebrados através deste encontro. Aos 75 anos, é um exemplo vivo de juventude. “Eu digo muitas vezes que, quando estou com os meus netos, não sei quem tem menos idade”, graceja.

Herman levou Europarque ao rubro

Emídio Sousa, presidente do Conselho Metropolitano do Porto, não escondeu a satisfação de, mais uma vez, receber em “sua casa” a iniciativa que “pretende ser uma resposta ao desafio do envelhecimento da população”. O também presidente do município de Santa Maria da Feira pediu aos presentes “para se divertirem e conviverem muito”, uma vez que “a vida deve ser vivida em pleno”.
Recordou ainda que o grande objetivo do Conselho Metropolitano do Porto passa por valorizar o papel dos avós, enquanto cidadãos ativos e privilegiados, na transmissão de valores sociais e culturais na sociedade.
Durante mais de uma hora, subiram ao palco algumas das principais personagens criadas por Herman José, o convidado escolhido este ano para animar os presentes. Desde o José Esteves, Serafim Saudade a Tony Silva, o “verdadeiro artista” subiu ao palco com o tema «És tão boa, es tão boa», que, de imediato, agarrou o público num coro que envolveu e contagiou o Centro de Congressos.
Acompanhado pelo seu quarteto de “luxo”, assumiu à nossa reportagem que para si foi uma “experiência adorável poder viver o máximo denominador entre festa, carinho, calor humano e vontade de viver o momento em pleno”. Hermana reforçou ainda que a “idade não conta, mas, sim, o espírito de cada um”.
A iniciativa da AMP é para o humorista uma grande “justiça”, já que estes cidadãos “merecem, mais do que nunca, sentirem-se vivos e respeitados”, rematou.

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