Reversejar
12-07-2018 | por F.S.L.
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Um poema na dor ou a dor num poema

Porque será que quando desperto,
Mesmo antes da manhã se abrir,
Que pego na pena, que tenho perto,
Com um olho aberto e o outro ainda a dormir?

E ela a apontar na direção,
Para onde levar a alma acordada!
Mas ainda sem a emoção
De uma procela ou calma adequada.

Cérebro e pena jogam a par;
Um dita a ordem a outra executa,
Neste compasso o poema a tomar
Forma e textura e a mensagem à escuta.

E o tempo, passa como é veloz,
Pena a correr atrás da poesia,
Esta desafia aquela a ter voz,
Antes que me interrompa a luz do dia.

O cérebro pede cada vez mais!
A pena aceita, quer escrever,
Surgem os ecos, palavras demais,
E é um encanto vê-los aparecer.

As horas passam, o joelho não dói,
Já não há tempo para ter a pena,
E nem é mau o que se constrói,
E assim a dor dá lugar ao poema.

A dor passou, volto a dormir,
Comigo dorme o poema e a pena,
E todos juntos os quatro a sorrir,
Esperam outra noite para outra igual cena:
      Eu e a pena, a dor e o poema.

F.S.L.

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