Reflexos
05-07-2018 | por Fernando Moreira
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A nossa Cultura Desportiva…
José Manuel Constantino, presidente do Comité Olímpico de Portugal, há muito, adoptou uma forma muito própria de encarar o desporto nacional em geral, não alinhado no modo “politicamente correcto” – comportamento vulgarmente decorrente dos que neste país exercem cargos públicos ao mais alto nível – deu recentemente grande entrevista a o “O Jogo” que na condição de agente desportivo não deixei de reter.
Desde logo, na separação das águas – «não se trata de esquecer ou desvalorizar o futebol. Trata-se é de, no reconhecimento que se faz a essa modalidade e ao valor que ela tem no quadro competitivo nacional e internacional, esquecer as outras». É, goste-se ou não, esta a dura realidade dum país de futebol e da qual, não fogem à regra a generalidade dos municípios por não se vislumbrar ali verdadeiras excepções quanto a política desportiva. Realidade recorrente ainda no município sanjoanense, que atinge de sobremaneira  e afecta quem dele há muito espera por uma outra filosofia uma vez no papel de decisor político.
E, há um dado absolutamente real e notório, claramente visível no orçamento camarário apontando para a verba destinada ao Desporto Local: 1,6% é a parcela do Orçamento Municipal para o apoio a tudo que diz respeito às nossas vinte e três (creio) colectividades com formação e desporto federado. E, no entanto, a cidade anuncia justamente, uma prática desportiva bem acima de média nacional (4,5%), aproximando-se mesmo, da taxa média (18%) verificada nos mais evoluídos países europeus em matéria desportiva.
Confrontados com uma tal realidade, não poderemos ignorar o potencial das nossas instituições, os nosso jovens e a sua actividade desportiva real. Não podemos (eternamente) pensar que fazemos parte de um país fatalmente parco de recursos ou, ainda, fazermos de conta que muito fazemos pela causa só por que, celebramos contratos programa com os clubes – e, pronto. Estava assim, cumprida a missão…
Muito já escrevi sobre assunto tão importante – julgo até, que alguns pensarão e dirão: o gajo bate sempre na mesma tecla… Pois, mas vou falar e escrever as vezes necessárias até que canse aos decisores políticos desta nossa terra. O assunto/tema, terá tão importância  para o futuro de S. João da Madeira, quanto o tem de facto na mesma medida, o pertinente e actualizado discurso do nosso presidente Jorge Sequeira no seu enorme e honroso desígnio que consiste em «criar as condições para fixar os jovens sanjoanenses na sua cidade».
A câmara de Jorge Sequeira devolveu aos sanjoanenses (em boa hora) abertura e sobretudo outra vontade política para sentir e ouvir os seus mais legítimos anseios. Desde logo, mudando o paradigma há muito instalado (uma só cabeça pensante, a das boas ideias, da modernidade e, sobretudo, da (tal) “mudança”) de uma liderança baseada num forte protagonismo da personalidade, acalentado na ambição para outros patamares do exercício político que, anunciando ou declarando aos seguidores produzia nestes o silencio (apanágio) dos politicamente correctos. Aos demais (opositores), a escusa às respostas de centenas de requerimentos – de, gente sem ideias, era o que era…
Dizia, muito a propósito, naquela entrevista o presidente do COP que, «da parte do poder político nem sempre se trata de forma igual aquilo que é equivalente». Em tempos não muito distantes o desporto com mais praticantes entre nós, era justamente o Atletismo – e, não é que a prioridade de equipamentos recaiu no futebol com um campo relvado (Travessas)!..., perdão, “Academia dos Campeões”… Então(!) para quando as condições de dignidade para o nosso Atletismo! São aliás, diversas as modalidades de desporto em S. João da Madeira com sérias dificuldades de espaço condigno ou mesmo disponível, para treinar. Numa cidade que, paradoxalmente, tem seis (6) Pavilhões operacionais…
Creio estarmos todos em absoluto de acordo com José Manuel Constantino, quando afirma: «Compreendo a agenda mediática, mas não compreendo que as políticas vão atrás dela»… E aqui, entra a “desdita” Carta Desportiva. Não são necessários recursos municipais extraordinários para a sua elaboração. A câmara conhece o percurso já percorrido mas porém, não aquele de um suposto “Conselho Municipal para o Desporto”, adoc…

P.S.: Não compreendi a foto no site da FPN que celebrava o Contrato Programa da câmara destinado ao apoio financeiro à nadadora Ana Rodrigues, pelo seu desempenho no enquadramento federativo tendo em vista os Jogos de Tóquio. Estão lá como não podia deixar de ser, o presidente Jorge Sequeira, o vereador Pedro Silva, os representantes da FPN e ANCNP (antigamente apenas ANA) para além da Ana Rodrigues, obviamente. E então, a A.D. Sanjoanense(!) não tinha ali lugar!. Esqueceram-se, ignoraram-na!
Confesso que também não entendi o porquê ou razões que terão levado a Natação da A.D. Sanjoanense a ausentar-se do XII Torneio AEJ de Natação na nossa piscina olímpica. O Torneio com um prestígio nacional (que definitivamente… não é de todo desprezível) consiste na última oportunidade para muitos (centenas) de nadadores alcançarem os almejados mínimos (TAC’S) para o acesso/participação nos Campeonatos Nacionais de Verão que se avizinham – Nacional de Infantis S. J. Madeira e Open Portugal Jamor – já em Julho. Será que a ADS tem aqueles Nacionais garantidos para assim tantos dos seus Nadadores? Creio que não, infelizmente… Mas, vamos esperar para ver.

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