Arquitecto Sidónio Pardal traça plano de consolidação do Parque do Rio Ul
“O Parque não é um parque de diversões”
05-07-2018 | por Joana Gomes Costa
Um parque urbano “é um corpo vivo” e não deve ser confundido com um “parque de diversões”. A convicção é do arquitecto Sidónio Pardal, autor do projecto do Parque do Rio Ul e foi expressa na passada semana, aquando da apresentação do plano de manutenção e consolidação deste espaço verde que está a preparar em colaboração com a Câmara Municipal de S. João da Madeira. Além da plantação de cerca de 180 árvores e 800 arbustos, esta intervenção irá contemplar a construção de uma ponte de atravessamento do rio prevista no projecto inicial mas que não chegou a ser concretizada.
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Com uma extensão de quase 16 hectares, o Parque Urbano do Rio Ul foi aberto ao público em Maio de 2008. Uma década depois, é agora “altura de fazer a reabilitação e acabamento” do espaço verde, “preparando o Parque para a ampliação” para Sul.
Neste sentido, o arquitecto sanjoanense autor do projecto, Sidónio Pardal, está a trabalhar com a Câmara no plano de manutenção e consolidação deste espaço verde, tendo decorrido, no passado dia 28 de Junho, uma sessão sobre a gestão e manutenção do Parque do Rio Ul. A intervenção que está a ser preparada irá implicar a plantação de “180 árvores e 800 arbustos”, contemplando ainda a construção de uma nova ponte de atravessamento do rio, prevista no projecto inicial mas que não chegou a ser concretizada. Está ainda prevista a melhoria e complemento de algumas estadias e do enquadramento do bar, assim como a aferição dos sistemas de rega e de iluminação. Será ainda criado um “manual de manutenção e gestão do Parque”.

“O que é um parque urbano?”

Autor do Parque da Cidade do Porto, Sidónio Pardal afiança que um parque urbano “é um corpo vivo que não segrega ninguém”, pelo que recusa a criação de “espaços estruturados” como um parque infantil ou os equipamentos de manutenção, acreditando mesmo que a cafetaria “é um convite à preguiça”. “O Parque não é uma sala de espectáculos, nem um parque de diversão ou um ginásio”, defende.
Para Sidónio Pardal, um parque é “um espaço de liberdade, um palco aberto e livre sem nenhuma formalização”, que pode ser visitado diariamente, residindo nesta simplicidade um “desafio à arquitectura”.
No que concerne à manutenção e limpeza do Parque, Sidónio Pardal tem também uma posição particular, começando por sublinhar que “um parque não é um jardim”, os quais são “geralmente uma extensão da casa e um espaço de ostentação”, mas admite que existe alguma “dificuldade em compreender os conceitos e significados de usos e utilização dos espaços territoriais”.
O arquitecto alerta para a excessiva limpeza da vegetação por vezes realizada no Parque, defendendo que “num parque não existem ervas daninhas” e rejeita limpezas com herbicidas. “É bonito ter ervas nos caminhos”, disse, apontando que esta vegetação deve apenas “ser roçada uma vez por ano”.
Sidónio Pardal gostaria que o Parque do Rio Ul fosse “entendido como uma obra de arte de arquitectura paisagística para as pessoas fruírem, contemplarem e estarem no sossego da paisagem” e acredita que “as novas gerações têm muito mais apetência pelos parques”. “Há muito mais pessoas que desligam a televisão e vão caminhar”, constata, frisando a “necessidade de espaços para isso”.
Numa altura em que decorrem os procedimentos burocráticos relacionados com a aquisição dos terrenos necessários para avançar com a ampliação do Parque do Rio Ul, Sidónio Pardal considera que a “prioridade é dar acabamento e consolidação” ao espaço verde. Numa análise à cidade, acredita que pode “vir a ser sentida a necessidade de um segundo parque urbano na zona do Outeiro”.

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