Questões da nossa Cidade DCCLXXIX
21-06-2018 | por Adé
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I - Ver para crer como S. Tomé
Quando li a notícia da remoção do material de fibrocimento das escolas básicas do concelho, gostaria de ter sentido a mesma euforia que senti quando o Cristiano fez o terceiro golo da Seleção contra a Espanha. E não senti, porque desconfio de tudo respeitante às decisões da nossa Câmara Municipal, particularmente quando a notícia diz “a Câmara Municipal vai”! Porque o “vai” da Câmara Municipal pode ter o mesmo significado do “nunca”, como nos demonstrou decisões recentes, como aquela do presidente “vai” mandar fazer o estudo sobre os atropelamentos na cidade e o “vai” é... nunca à tarde!
Sendo assim, vou esperar sentado até que o concurso se conclua. E que o material que cobre as salas de aulas das nossas escolas, que contém amianto e põe em risco a saúde das nossas crianças, seja realmente removido! E então aí darei vivas a esta rápida decisão do novo executivo da Câmara Municipal que, em apenas oito meses, consegue resolver um grave problema que outros não quiseram resolver em quatro anos, evitando mesmo que tal assunto fosse preocupação e prioridade na agenda do município.
Vou estar atento até que o “vai ser removido” passe a “foi removido o material” e então  farei a minha vénia a este executivo pela rapidez de uma decisão favorável à resolução de um problema que muitos procuraram esconder da opinião pública!
Ver para crer como o S. Tomé!

II - Fazer oposição política de qualidade
Estar na oposição na política local não é fácil, particularmente quando se não tem experiência de como se deve fazer essa oposição.
Nos quatro anos em que fiz parte da oposição política na bancada do PS na Assembleia da Junta de Freguesia, deu para tirar algumas ilações e chegar à conclusão de que aquilo não é para todos.
Na altura, não se faziam reuniões prévias para se preparar sobre os pontos agendados na Ordem de Trabalhos para a Assembleia. Alguém tida como a chefe da bancada – nunca votei para eleger alguém para essa função – chegava perto de mim e dizia-me quais os pontos em que eu tinha que votar contra e quais em que tinha que me abster. A favor não havia nada para votar!
Semanas depois, cheguei à conclusão daquilo que já ouvira falar fora dos órgãos políticos: que o Partido mais organizado na oposição era o PCP! Tinham sempre os assuntos bem estudados, criticavam com fundamento e propunham soluções credíveis. Tanto assim era, que quando a Deputada da CDU ou PCP fazia a sua intervenção, a sala ficava em silêncio absoluto por respeito das suas válidas intervenções. O resto, eram intervenções avulsas, em que o PSD fazia valer a sua maioria e o PS a fazer o que podia, e era pouco. O tempo passava com as intervenções para se fazer emendas às actas anteriores, colocando ou retirando vírgulas para, diziam, dar sentido àquilo que tinham proferido na assembleia anterior. E assim se esgotava quase o tempo de uma assembleia, que de proveitoso apenas fica a certeza do que não se devia fazer quando na oposição política. Confesso que foram quatro anos de autêntico martírio.
Ao que julgo saber, as coisas permanecem iguais. Apenas o PCP continua a estudar e preparar os assuntos para a sua intervenção. Relativamente aos outros, apenas se inverteram as posições do PS e do PSD.
Por que não formam, os partidos políticos da oposição com assento nos órgãos autárquicos, uma espécie de “Vereação Sombra”, formando equipas de duas pessoas no mínimo para cada pelouro, e que essas equipas façam o acompanhamento de fiscalização e estudo sobre cada um desses pelouros? Uma equipa para fiscalizar os procedimentos sobre o urbanismo; outra para fiscalizar os procedimentos sobre a manutenção das infra-estruturas desportivas municipais e subsídios às associações desportivas, recreativas e culturais; outras sobre os concursos públicos e ajustes directos, etc., etc., etc.? Não seria assim uma forma até de incentivo para a função de deputado da oposição política e de uma maior e melhor pressão sobre quem está no poder?
Os partidos da oposição, com as excepções por mim evocadas, devem levar mais a sério o seu papel de oposição! Têm que estudar mais e melhor os assuntos e os dossiês, de forma a fazer melhor o seu trabalho de oposição, que se quer de qualidade!
  Se alguma coisa se deve aprender com o PCP é precisamente sobre a maneira de fazer oposição séria, com conhecimento das matérias em discussão e de forma concertada com os seus membros e não cada um por si e em defesa de amigos e empresas de amigos.
Há que melhorar, há que ser diferente, sem vergonha de aprender com os que mais sabem, mesmo que ideologicamente afastados.

III - Os motivos pessoais dos políticos
Li que o engenheiro Renato Santos, um dos membros mais importantes do executivo da Junta de Freguesia, tinha renunciado ao seu mandato, alegando motivos pessoas.
Devo dizer que nem sempre concordei com algumas das decisões tomadas pelo Eng. Renato Santos, que já fazia parte do anterior executivo, como aquela de proibir que os fregueses das habitações sociais pudessem tirar gratuitamente fotocópias a documentos para entregar na própria Junta, na Habitar, no Centro de Saúde ou nas Escolas dos respectivos filhos, o que mais tarde acabou por retificar! Mas isso não diminui a minha admiração pela sua capacidade de trabalho, de entrega à causa de servir a Junta servindo a população.
Não tenho dúvidas de que a Junta de Freguesia perde um membro importante, com experiência acumulada do executivo anterior e que sempre me pareceu gostar daquilo que fazia no cargo que exercia.
Confesso que tenho muitas dúvidas que o verdadeiro motivo tenha sido o alegado “motivos pessoais”, justificação que todos os políticos apresentam, mesmo quando renunciam por motivos discordantes das decisões tomadas.
A seu tempo se saberá.
   

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