INACEITÁVEL - Eutanásia não!
07-06-2018 | por Jorge Cortez
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Durante as últimas semanas ouvimos de modo intenso na comunicação social dominante a apologia da eutanásia apresentada como um direito e uma liberdade individual. Pretenderam os seus defensores, que a lei reconhecesse aos cidadãos o direito de requerer a antecipação da sua morte. Defenderam que ao Estado fosse dada a capacidade de deferir ou indeferir tal pedido e garantir, em caso de deferimento, a sua execução.
Os defensores da eutanásia, ou da institucionalização do suicídio ajudado pelo Estado, falaram em tolerância mas várias vezes o seu verniz estalou. O PCP foi alvo de ataques de alguns defensores desta medida “fraturante”. A “esquerda” pós-moderna presenteou-o com os seus “mimos”. Nada de surpreendente, vindo de quem vem, os ataques aos comunistas.
Os insultos dos anticomunistas “modernos” não surpreendem, mas o mesmo não se pode dizer de outros que nos tinham habituado ao debate com elevação. São apoiantes da eutanásia, posição que discordamos mas respeitamos. Esperávamos deles também respeito. Infelizmente, alguns não foram capazes de ultrapassar a divergência com os argumentos do tema e partiram para atitudes inaceitáveis. Como diz o ditado: “no melhor pano cai a nódoa”.
Desde a Revolução Francesa que a divisão entre esquerda e direita assenta na forma como em política se encara a classe dominante. A direita defende que esta classe deve ser conservada e que será do seu enriquecimento que se gerará meios para melhorar a vida dos mais desfavorecidos – por isso são considerados conservadores. A esquerda entende que a riqueza deve ser distribuída impondo-se a igualdade de modo progressivo - por isso são considerados progressistas. Mas agora, para os pós-modernos, mudaram-se os conceitos. Para estes ser progressista é defender coisas “fraturantes” que não belisquem os poderosos. A eutanásia é uma delas - aí os temos. Eles são pró-canábis, eles são pró-eutanásia, eles são pró-negócio da prostituição. Tudo baseado nas “liberdades e direitos individuais” como se o individuo devesse ser posto à frente do coletivo. Mas os pós-modernos não nos surpreendem por defenderem estes temas. Nada que não se esperasse. O que surpreende é apresentarem velhos temas como ideias novas quando optar por elas é retroceder no tempo alguns séculos. Publicitam as ideias como progressistas, mas não são.
Para o capital, são muito bem-vindas estas ideias. Canábis, eutanásia e prostituição são uma possibilidade de negócio e de lucro, pôr-lhes rótulos de esquerda é um equívoco.  
A eutanásia foi apresentada como algo semelhante à despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), mas em nada se assemelha. A sua despenalização, ao contrário da IVG, não resolveria nenhum problema social. O aborto clandestino era um flagelo social de grandes proporções que era preciso resolver. Desde os anos 40 do século passado o PCP defendia que o caminho era garantir à mulher a possibilidade de optar pela IVG em condições medicamente corretas. Após 25 de Abril o PCP lutou para que a Assembleia da República legislasse em defesa da vida e da dignidade das mulheres.
Os defensores da eutanásia parecem ter uma grande convicção de que são um movimento que navega nas correntes da verdade. Têm grandes certezas nesta medida apesar da falta de bons exemplos. São muito poucos, quase nenhuns, os países com eutanásia e as dúvidas e contradições são muitas. A prudência é aconselhada.
É importante lutar por medidas que correspondam às necessidades plenas do Serviço Nacional de Saúde onde se inclui um grande investimento em cuidados paliativos, garantindo a todos os cidadãos, sem exceção, condições de excelência no final da sua vida. É necessário assistir bem os que se encontram em situação extrema na vez de lhes antecipar a morte. A ciência já conseguiu avanços fantásticos no que concerne ao sofrimento físico e psicológico. Vai continuar a evoluir permitindo cada vez melhores soluções.
Estou totalmente de acordo com o PCP que defende nos princípios e na luta, que “… a preservação da vida humana, e não a desistência da vida é património que integra o humanismo real …“.  
Sou contra a eutanásia!

 

Comentários
Anónimo | 09-06-2018 06:27 Dilema ético!
Citação de um comentário próprio sobre o artigo "Eutanásia - Bom Morrer" publicado em 30 de maio, no semanário Labor:

Dois dias após a discussão pela Assembleia da República, no dia 28 de maio, foi curiosa - monstruosamente curiosa - a apresentação sucessiva de dois artigos num noticiário televisivo (passo a publicidade):

- O primeiro, sobre o fator de sustentabilidade que associa o valor das reformas à esperança média de vida, convencionada nos 65 anos de idade - a propósito do aumento da idade de reforma, em 2019;
- O segundo, precisamente, sobre a eutanásia - a propósito da discussão e votação pela Assembleia da República!

Na vez de um conceito de sustentabilidade indutor de estorvo na preservação da vida e da vontade de viver, esforcemo-nos num conceito de solidariedade orientado para a construção de uma sociedade que estimule o desejo de viver e de lutar pela vida, com derradeira avidez.

Igualmente monstruoso, será pretender vincar uma falsa ideia social em redor da morte assistida, criticando a garantia de cuidados paliativos, comparando-os a um privilégio de ricos...
Ao SNS e ao Estado, caberá garantir que esses cuidados, universais, não sejam privilégio de ricos.
Reciprocamente, então, que o apelo humano de ?ajudar o outro a morrer?, não seja convertido, pelas circunstâncias da contenção financeira, numa prática caritativa de ajudar os ?menos ricos? a terminarem o seu dispendioso ?alívio paliativo?...

O ?bom morrer? requer um ?bom matador? mas, na subjetividade do ?bom? restam duas liberdades individuais distintas!

Ao Estado não cabe, sequer, o arbítrio dessas liberdades individuais, porque não são passíveis de arbítrio.

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