Cruz Vermelha coloca alunos a pensar em normas e estereótipos sobre o género
“O preconceito nunca nos trouxe nada de positivo”
17-05-2018 | por António Gomes Costa
Apesar da falta de apoio do município, e de outras entidades, o Gabinete de Apoio à Vítimas de Violência Doméstica do Centro Humanitário da Cruz Vermelha Portuguesa de S. João da Madeira percorre, desde o início deste mês, várias turmas do agrupamento Serafim Leite, para chamar a atenção dos alunos para a Igualdade de Género.
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“A mensagem principal que queremos clarificar é o respeito pelas diferenças, com tónica na questão do género. Pretendemos deixar claro que todos somos uma mais-valia, se fizermos o que sabemos fazer de melhor e se formos nós próprios”. Esta foi uma das garantias deixada aos alunos do 9. º A por Joana Correia, diretora do Centro Humanitário de S. João da Madeira da Cruz Vermelha que, desde o início deste mês, está a percorrer turmas da EB2/3 e dA Secundária do Agrupamento Dr. Serafim Leite.
 “Juntos pela Igualdade de Género” são sessões que surgem no âmbito do trabalho de Educação da Estrutura de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica (EAVVD) do Centro Humanitário da Cruz Vermelha Portuguesa, apesar de se encontrar, ainda, “sem qualquer financiamento ou apoio por parte do município” ou entidades “externas” com relevo neste âmbito. Mas essa falta de colaboração não faz “baixar os braços ou desmotivar” esta equipa de profissionais de tentarem fazer a diferença. “A missão da Cruz Vermelha é para se cumprir e a resiliência é uma das principais características da nossa equipa”, refere Joana Correia, que possuiu formação de base em educação e experiência com jovens em contexto escolar.
Até ao momento, os alunos do 7.º e 10.º anos “têm participado em diversas atividades de promoção da igualdade de género”, com uma forte componente maioritariamente prática. Joana Correia garantiu à nossa reportagem, no fim deste encontro, que o grande objetivo é colocar os jovens a “pensar sobre normas e estereótipos sobre o género” que ainda estão muito “presentes” na sociedade. Ao abordar a igualdade de género, “damos por nós a refletir sobre um conjunto vasto de questões que surgem espontaneamente e que geram novas reflexões sobre a igualdade em geral, sobre o que é ser normal, sobre o respeito pelo outro, entre muitas outras coisas”, refere Joana Correia.
Perante uma turma atenta, esta responsável lembrou a importância para que os “adultos de amanhã não vivam à mercê de uma sociedade ainda com bastantes estereótipos e papéis de género muito enraizados”. Assumiu: “o preconceito nunca nos trouxe nada de positivo em toda a nossa história e a evolução faz-se através do respeito pelos outros, independentemente das suas características. Aliás, ser diferente num mundo altamente estandardizado só pode ser positivo”, enfatizou.
 As sessões têm a duração de 50 minutos por turma e são adaptadas à idade dos alunos. Para os mais jovens, as atividades “são mais ligeiras, menos reflexivas e introduzem-se conceitos mais básicos”. A visualização de vídeos, os brainstormings e os roleplays estão sempre presentes, garantindo a dinâmica e a partilha entre quem assiste. “Não pode haver espetadores. Todos participam ativamente e são parte integrante da atividade”, garante a responsável.
Entre os assuntos levados para discussão, está a desigualdade salarial entre homens e mulheres, desmistificar a “confusão entre o género”, a sexualidade e o sexo. “Todos estes conceitos são esmiuçados sem tabus, ao sabor da curiosidade dos alunos”. Os alunos, em muitos casos, “começam tímidos, mas, aos poucos, demonstram toda a curiosidade e acabam por se perder em tantas perguntas”. A ideia, segundo Joana Correia, “é que se dissipem todas as dúvidas, para que se tornem jovens informados, com uma opinião definida e estruturada sobre as coisas e que possam influenciar positivamente os familiares, os amigos”.
Relativamente aos alunos do 9.º e 10.º anos, as atividades são mais “complexas” e exigem uma predisposição, por parte dos alunos, um pouco diferente. “O debate está sempre presente. Fazemos duas atividades muito interessantes – ‘Caminhada do privilégio’ e ‘Defender o indefensável’ – que têm um impacto muito grande nos alunos”, assegura.
Até ao final do corrente mês, a “mensagem” deverá passar a mais de 500 alunos envolvidos nestas sessões. “Enche-nos de motivação e alegria ver que os jovens abraçam estas atividades com compromisso e seriedade”, rematou.

 

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