Capela do Parrinho inaugurada por D. António Taipa, Bispo Administrador Diocesano
“Espero que esta Capela marque a vida da nossa terra”
17-05-2018 | por António Gomes Costa / Joana Gomes Costa
A nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Lugar do Parrinho, em S. João da Madeira, foi inaugurada no domingo, 13 de Maio, em cerimónia conduzida por D. António Taipa, Bispo Administrador Diocesano, que se congratulou pela dedicação da população no envolvimento deste sonho antigo.

A placa comemorativa foi descerrada por D. António Taipa, Padre Domingos Milheiro e Jorge Sequeira
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A história da Capela Nossa Senhora de Fátima, no Parrinho, em S. João da Madeira, é antiga. Começou a ser idealizada em 1984 e veio substituir a capela provisória que servia, aos sábados, os moradores da zona. Passaram-se 34 anos até à sua inauguração oficial, que aconteceu no passado domingo, 13 de Maio, na presença de D. António Taipa, Bispo Administrador Diocesano e de várias individualidades políticas, religiosas e fundadores deste espaço de culto.
O espaço abriu portas para a primeira celebração em Setembro de 2012, precisamente dois anos depois do arranque das obras. A construção desta capela foi sempre um desejo forte e muito antigo para os habitantes daquele lugar e de muitos sanjoanenses, que não escondiam a satisfação durante o ato inaugural.
“Sinto-me feliz e um felizardo por chegar a esta cidade e encontrar uma igreja tão bonita e pródiga”. Estas foram as primeiras palavras de Álvaro Rocha, Pároco de S. João da Madeira, que assume os destinos da paróquia desde Outubro do ano passado. O abade pediu aos fiéis para estarem ao seu lado para gerir a nova capela. “Temos que continuar como hoje, juntos”.
Joaquim Alves, membro da comissão da Capela, não escondeu durante a sua intervenção a “felicidade que sentia” e a certeza do dever cumprido. Começou por traçar um pouco do percurso de todos estes anos enaltecendo “todas” as entidades que tornaram possível a realização deste espaço que “levou tempo demais” a ficar concluído. O sonho está realizado. Um percurso feito com altos e baixos, “muitas horas de trabalho”, mas o sonho é já uma realidade. “A capela é hoje entregue à comissão fabriqueira. Fiz o que pude e agradeço muito à pequena comissão que me acompanhou”. Joaquim sempre foi o rosto deste espaço e, ao finalizar a sua intervenção, lá foi dizendo em jeito de graça: “podem contar comigo se encontrarem outro local para criarmos mais uma capela”.
“Honra, emoção e um dia muito importante para a nossa comunidade, pois a cidade vai ficar enriquecida espiritualmente com a criação deste espaço”. A garantia foi de Jorge Vultos Sequeira, presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, que enalteceu que a sociedade “é tributária da cultura cristã. De uma forma ou de outra, todos nos revemos na mensagem de esperança pelo mundo melhor na mensagem de paz, apoio aos desfavorecidos e aos mais pobres”. Pegando numa das frases da homília proferida pelo Padre Álvaro, o autarca frisou que a religião “liga as pessoas” e os sanjoanenses, assegurando que a igreja católica tem “desempenhado esse papel de união”.
O chefe máximo do executivo louvou o papel “de todos os que se empenharam nesta grande empreitada”, mas destacou em particular o trabalho desenvolvido pelo Padre Domingos Milheiro e por Joaquim Alves, que “merecem uma homenagem atenta e dedicada de todos nós”. “Espero que esta capela marque a vida da nossa terra, que seja para todos um espaço de muita felicidade”, rematou.

A religião "liga as pessoas"

Na sua intervenção depois de realizada a celebração, D. António Taipa não escondeu a satisfação de presidir à celebração inaugural da capela, uma vez que “são sempre celebrações que se sentem interiormente”. Numa altura em que decorre a Visita Pastoral na cidade (13 a 20 de Maio), justificou a importância de ali estarem reunidas “todas as instituições que servem”, destacando a paróquia, o Município, a Junta de Freguesia. “É bom que as pessoas verifiquem e sintam que aqueles que estão ao serviço das pessoas, numa ou outra vertente, se dão bem na prestação de serviços” e louvou a “união de esforços para que realizações como esta aconteçam”.
Com gestão da comissão fabriqueira, este moderno “espaço de oração”, com vista panorâmica para o IC2, possui uma arquitetura moderna e simples, luz direta, zonas arejados, capacidade para mais de 250 lugares sentados, sala de paramentação, espaço para confessionário, sala de arquivo, um auditório, salas para catequese e várias casas de banho. Trata-se de um edifício com boa acústica e está equipado com o que existe de mais moderno.
A cor cinza exterior é próxima do branco de todo o interior da capela, o que lhe dá uma atmosfera serena e intimista, permitindo que a atenção se volte para o altar, onde aparece a imagem do Cristo em bronze com um patine dourado sobre uma cruz com patine em ouro, desenhada de propósito para o efeito pelo pintor sanjoanense Vítor Costa.
A nova Igreja de Nossa Senhora de Fátima, orçada em 1 milhão de euros, tem no piso superior o espaço celebrativo, nos pisos inferiores existem cinco espaços para atividades diversas. Possuiu um órgão de tubos, que foi importado da Bélgica e foi inaugurado no passado dia 13 num concerto que se realizou depois do jantar festivo. A aposta num órgão de tubos visa, como Álvaro Rocha já tinha revelado à nossa reportagem, pretende trazer qualidade litúrgica, musical e cultural à cidade, “havendo disponibilidade da paróquia para desenvolver e incrementar o estudo do órgão de tubos”. De forma simbólica, a placa comemorativa foi descerrada por  D. António Taipa, Padre Domingos Milheiro e Jorge Sequeira.

Os "alicerces" da capela

Na edição de 19 de Maio de 1984, ‘O Regional’ dava conta nas suas páginas do «esforço e virtudes do nosso povo laborioso e empreendedor», relativamente à construção deste edifício.
Durante uma cerimónia religiosa que marcou a inauguração da Capela provisória, a 13 de Maio de 1984, António Moura de Aguiar, pároco da altura, agradecia a todos que contribuíram para esta obra. Historiava também vários passos que contribuíram para a concretização de uma «Capela neste lugar», para o culto católico, declarando que «encontrou imediatamente da parte do então Presidente da Câmara, José da Silva Pinho, todo o entusiasmo imaginável».
A notícia de então dava ainda conta que «foi-lhe feita de seguida a cedência gratuita de uma parcela de terreno livre e apropriada para a construção de uma Capela, que agora se pensa seja para a construção de uma Igreja, com residência para Pároco, para criação de uma futura paróquia que sirva este populosos lugares do Parrinho-Mourisca, como convém à nossa futura-próxima cidade».
«Mas, entretanto, surgiu este pré-fabricado para pôr a funcionar provisoriamente algumas escolas, e houve a lembrança de o aproveitar também para uma Capela provisória, dada a sua grande dimensão. Tudo foi rápido e pronto como era regra de ação da Câmara da presidência de José da Silva Pinho», segundo declarou Moura de Aguiar na sua alocução. Escrevia assim ‘O Regional’ nessa altura.
Mais tarde, no seu livro «Fragmentos de Memória», o Padre A. Moura de Aguiar, abordando o assunto da Capela do Parrinho, explicava que à Capela foi-lhe dada como «orago, ou titular, Nossa Senhora de Fátima», tendo sido inaugurada a 13 de Maio de 1984. O abade escrevia ainda que não era uma «fundação de raiz, mas de cedência, por parte da nossa Câmara, de uns salões que serviram de escritório às obras de construção dos bairros novos da Mourisca». A inauguração na altura foi festiva, com a presença do presidente da Câmara da altura, Manuel de Almeida Cambra, e do anterior presidente, ao tempo José da Silva Pinho, a «quem coube a decisão da cedência das instalações e providenciar na adaptação desse salões à actual capela provisória, bem como a doação de umas áreas de terreno, que permitiam a construção de uma capela de raiz. O arranjo foi confiado à falecida D. Olga da Silva Duarte e, hoje, a D. Laurinda Rodrigues».
Ali, também foi criado um Centro de Catequese para «evitar que as crianças, e algumas muito pequenas, tivessem de caminhar maior distância, da periferia até a Igreja ou ao Centro Paroquial».
O livro do Padre Aguiar faz ainda referência da grande vontade e desejo da população na criação de uma igreja para aquele lugar, que «serve gente não só dali, mas de Arrifana, Milheirós e tem a frequência de sanjoanenses de várias ruas e locais, devido à hora a que se celebra a Eucaristia e que deixa as pessoas disponíveis para outras tarefas».
Foi a 15 de Setembro de 2010 que o sonho, com mais de 28 anos, começou a ganhar forma com o arranque das obras e, já nessa altura, não teve direito a cerimónia oficial do lançamento da primeira pedra.  
 

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