Milhares de Peregrinos a caminho do Santuário
Muitos quilómetros de emoção e sacrifício
10-05-2018 | por António
A peregrinação até ao Santuário faz de S. João da Madeira uma paragem obrigatória para centenas de peregrinos. O dia 13 de Maio é já no próximo domingo e, por isso, milhares de peregrinos já se lançaram à estrada nas caminhadas de fé, percorrendo, a pé, centenas de quilómetros, com o intuito de realizarem, ou não, promessas feitas.
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O cenário repete-se todos os anos. Milhares de peregrinos passam por S. João da Madeira, percorrendo os caminhos que os conduzem ao Santuário de Fátima, para ali participarem nas comemorações das aparições de Nossa Senhora que, tal como em anos anteriores, mobilizam milhares de fiéis.
Ao longo desta semana, têm passado por S. João da Madeira muitos devotos a Nossa Senhora, que se deslocam, sobretudo, do norte do país. São homens e mulheres, vestidos de forma desportiva, com ou sem experiência, novos e velhos, que caminham em direção ao Santuário de Fátima, onde completam as suas promessas.
A maioria dos peregrinos conhece bem o caminho, pois esta é uma missão que os acompanha há muito, mas também há quem se “aventure” pela primeira vez, para caminhar em média nove horas por dia.
Passavam poucos minutos das 7 horas da manhã, do passado sábado, dia 5, quando um conjunto de 455 peregrinos do Vale do Sousa (Paredes, Penafiel, Marco de Canaveses, Felgueiras, Guimarães, Póvoa do Varzim, Vila do Conde, Maia, Porto, Gaia, …) iniciou o seu percurso rumo a Fátima. O grupo ligado à obra do Bem Fazer, de Paredes, conhecido como o “Maior Grupo Nacional”, foi criado há 27 anos. “Começámos por ser 60 pessoas e hoje somos mais de 400. É necessário todo um processo de muito trabalho, ao longo do ano, para garantir as condições de que estas pessoas necessitam”, refere um membro da organização.  
Passaram por S. João da Madeira um dia depois da sua partida. Encontrámos o grupo em pleno centro da cidade, próximo das 16 horas. Atento a este conjunto de pessoas, que usam bonés amarelos e coletes refletores, está António Paulino, Comandante dos Bombeiros de Penafiel e “líder” destes peregrinos. “Temos sempre pessoas que vivem esta experiência pela primeira vez. O grupo tem vindo a aumentar, já temos inscrições novas para o próximo ano”, assume este responsável.  

“A fé de um peregrino não se explica. Sente-se”

Ali nada parece falhar. Para minorar o sofrimento de quem cumpre a promessa, esta associação tem ao seu lado uma “forte” equipa de voluntários para apoiar, de dois em dois quilómetros, os peregrinos. “A equipa vai desde a presença do pároco de Paredes, a médicos, a enfermeiros e a muitas pessoas anónimas”.
Paula Pinto, de 42 anos, vai pela primeira vez em peregrinação. Sem dores e com uma viagem que “corre bem”, não nos revelou o motivo da promessa. “Estou aqui com a minha fé. Não é um sacrifício fácil mas a fé supera tudo isto”, explica emocionada.
Mário Guilherme, de 50 anos, é já um veterano nestas caminhadas. Esta é a 18.ª vez que vai a Fátima a pé. “Venho num testemunho de fé, para agradecer e louvar a Deus por tudo o que me tem feito. Se não vier não me sinto bem. A fé de um peregrino não se explica. Sente-se”, revela.
Recorde-se que numa entrevista recente a ‘O Regional’, Álvaro Rocha, pároco de S. João da Madeira, revelava, que foi pela primeira vez a Fátima, a pé, o ano passado, e enfatizava que não considerava «relevante» para a sua fé ir a Fátima a pé. «Para mim foi relevante fazer um retiro espiritual, que podia fazer dentro de um mosteiro, mas que também posso fazer em forma de caminhada». Assumiu também que gostava um dia de poder «passar esta experiência para um livro, apenas para ser a minha partilha». Relativamente ao sacrifício, assumia que «ele também tem o seu lugar na vida de todos nós». Quanto a este sacrifício em concreto, a questão não está em «Deus querer este sacrifício: nós é que respondemos a Deus, impondo-nos sacrifícios, que em todo o caso não devem ser desumanos. Mas ir a pé a Fátima não significa necessariamente que é um sacrifício desumano. Desumano é ir para além do razoável», assegurava.
Na cidade, muitos peregrinos foram assistidos por várias equipas de voluntariado da Cruz Vermelha Portuguesa, núcleos de S. João da Madeira e de Cucujães.

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