12.ª edição contou com mais de 5 mil espectadores
Festival de Teatro é um “feito extraordinário da nossa cidade”
10-05-2018
Mais de 5 mil espectadores passaram pela 12.ª edição do Festival de Teatro de S. João da Madeira, lotando praticamente todos os 21 momentos de teatro que, de 13 de Abril a 5 de Maio levaram a cidade a palco na Casa da Criatividade, Paços da Cultura e chão de fábrica da CEI. Este é já, nas palavras do presidente da Câmara, “um processo sem retorno” num evento que se traduz num “feito extraordinário da nossa cidade”.
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O Festival de Teatro de S. João da Madeira encerrou no passado sábado, 5 de Maio, com o espectáculo de comédia que trouxe Joaquim Monchique ao palco da Casa da Criatividade. Foi mais uma noite de casa cheia deste evento que, a 13 de Abril, abriu com uma peça pelo Teatro da Comuna. Pelo meio, registaram-se 21 apresentações teatrais, de outros tantos grupos, a maioria amadores.
E para celebrar o evento que leva a cidade a palco, decorreu na passada sexta-feira, dia 4, nos Paços da Cultura, a cerimónia de reconhecimento a todos que subiram ao palco, com entrega de troféus aos encenadores das diferentes peças.
Nesta ocasião, que este ano assumiu maior relevância no âmbito do evento, o presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, fez questão de “homenagear as fundadoras e todos os que, nos últimos 12 anos, têm assegurado a continuidade e, persistentemente, a grande e notável qualidade” deste evento que considera ser “um feito extraordinário da nossa cidade e em especial da nossa comunidade educativa”. O autarca releva não só a “dimensão”, como a “envolvência”, “qualidade” e “a plêiade de peças que sobem a palco”.
Do Festival de Teatro de S. João da Madeira, Jorge Sequeira destaca algumas “notas”, começando pelo facto do evento emergir “da escola”, onde reside “o futuro de uma comunidade” e “o segredo da nossa sobrevivência enquanto sociedade civilizada”. Neste ponto, o autarca aproveitou para fazer “o elogio” aos professores de S. João da Madeira, destacando o “mérito, excelência, empenho e zelo” destes profissionais que, voluntariamente, ajudam a organizar eventos como o Festival de Teatro, o Carnaval das Escolas, as Marchas, entre outros.
Para Jorge Sequeira outra “nota marcante” do Festival de Teatro é “o envolvimento da comunidade”. “O território do Festival de Teatro não é apenas o da escola”, é hoje também “o território da CERCI, do Trilho, das empresas”. “O Festival invadiu espaços que não são comuns para o próprio teatro”, sendo que hoje além de educação, pelo teatro “faz-se inclusão e envolvimento social”.
O presidente da autarquia destaca também a “originalidade dos guiões”, num evento onde “os encenadores desenham os textos, criam peças originais e inovadoras”, enriquecendo assim “a vida e património cultural e estético do país”.
Por fim, Jorge Sequeira aponta que o Festival de Teatro de S. João da Madeira é “amigo do público porque é para todos”, registando um preço de acesso “absolutamente simbólico”, que “só é possível com base no trabalho voluntário que está adjacente a este Festival”.
O presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira aproveitou esta ocasião para dirigir uma palavra especial “ao pessoal da Casa da Criatividade e Paços da Cultura” pela dedicação “de corpo e alma a este projecto” no “apoio técnico ao Festival”, sublinhando que “tudo funcionou na perfeição”.
Para Jorge Sequeira “estamos num processo sem retorno ou retrocesso”, garantindo assim que “o Festival de Teatro é para continuar”.
A organização do Festival de Teatro pertence ao Projecto «Espaço Aberto», do Agrupamento de Escolas Serafim Leite, em parceria com a Câmara Municipal de S. João da Madeira e a restante comunidade educativa e associativa da cidade.

 

Entrevista com Cristina Reis, docente do Espaço Aberto
“A XIII edição já está no caminho”


‘O Regional’ - Tendo o Festival nascido do seio da escola, como vêem este crescimento e alargamento a outras áreas da sociedade, como a indústria e o movimento associativo?
Cristina Reis - O ecletismo está subjacente aos princípios do Projeto «Espaço Aberto», portanto intrínseco no mote “pelo Teatro acontece Educação” que o norteia. Certamente que a expressão das sucessivas edições do Festival de Teatro foram dando lugar sentimentos de pertença e de utilidade que nem sempre existem nos indivíduos per si e nos colectivos, mas que quando deixados tocar-se, quando desenvolvem motivação para tal, não lhes ficam indiferentes. É isto que vive em São João da Madeira a partir das ações do «Espaço Aberto» e da Câmara Municipal em parceria, descobrindo talentos, desenvolvendo criatividade, funcionalidades, espaços formais de representação e desafiando uns quantos para serem espaços não formais, enfim, dar existência a (im)possibilidades.
 
Sempre se falou no Festival como a prova de que é possível fazer educação pelo teatro. Ter em cena utentes do Trilho ou da CERCI prova que é possível também fazer inclusão pelo teatro?
Educação e Inclusão são “siamesas” na realização da dignidade humana. As sociedades têm franjas por vezes revestidas de invisibilidades, intencionais ou não, perante as circunstâncias que definem as “normalidades”, as “regularidades”,  das estruturas sociais, que desejáveis podem, também, ser opressivas e excluidoras. Os exemplos referidos, que apresentaram grupos de Teatro: a CERCI, com o Recriarte, e o Trilho com o Trilho (Em)Cena, são rostos de dimensões que devem ter lugar, visibilidade, função, na sociedade sanjoanense, pelos grupos-alvo que as respetivas instituições tratam: inclusão na deficiência ou em vulnerabilidade e exclusão social associadas a comportamentos desviantes. A maneira como se organizaram em grupo e realizaram os respetivos propósitos através das peças encenadas é demostrativo das boas práticas que levam a que cada um tenha a possibilidade de ver-se e de ser reconhecido, de reagir, repensar, progredir, agir, como entidade que tem um papel a desempenhar no grande palco que é a Vida.
 
Sentem que a cidade já assumiu o Festival como seu?
Inquestionável!  Com mais de 20 sessões, 18 grupos locais, cerca de 400 atuantes, e acima de 5 000 espectadores o Festival corre nas veias da cidade! Registe-se, ainda, que o entusiasmo e envolvimento não é exclusivo do Município, pois o raio de influência, real e metafórica, deste grande acontecimento performativo é extenso. Manifesta-se pelos grupos exteriores ao concelho Sanjoanense, que integram o Programa: na edição que termina significou Oliveira de Azeméis e Santa Maria da Feira; naqueles que de algum modo colaboram na concretização de cada grupo ou que se associam ao Festival: encenadores, atores, pessoal técnico, mecenas, jornalistas, ...; naqueles que vão aos lugares de representação e que, quantos, vêm de Geografias tão “distantes” na quilometragem e no inusitado; nos espaços óbvios e nos “não espaços”, pois associado tiveram lugar várias sessões, também de Palcos e Cenas” em lugares “estranhos”: chão da fábrica CEI, instalações do Trilho, bar Neptúlia (por ora...).

O Espaço Aberto surge de um grupo de professoras da Escola Dr. Serafim Leite que voluntariamente começou a trabalhar o teatro levando ao Festival que hoje conhecemos. Como olham para estes últimos 12 anos de dedicação a este projecto?
Um tesouro incalculável que a nossa instituição, Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, e a cidade de S. João da Madeira nos dispõe. Conhecemos nesta cidade profissionais do mais elevado gabarito na Arte Maior, encontramo-nos com os povoadores dos bastidores e dos palcos, assistimos a acontecimentos paralelos, ganhamos ou apuramos ferramentas para tornarmos as nossas práticas docentes mais versáteis na condução dos nosso discípulos à respetiva realização, potenciamos o nosso espírito crítico, problematizamos ideias na similitude, na diferença ou na divergência, sentimo-nos acolhidas por uma comunidade que não é nossa de origem, entusiasmamo-nos com uma identidade que  também já é a nossa..., dignificamos o nosso tempo com qualidade, granjeamos amizades, criamos sonhos, abrimos caminhos!

Já pensam na próxima edição? Que novos desafios gostariam de lançar à cidade?
A XIII edição já está no caminho... À cidade convidamos a que se associe cada vez mais ao sentido do «Espaço Aberto». Cada pessoa, naquilo que representa, é uma possibilidade de fazer acontecer Vida pelo Teatro, cada canto e recanto, cada acontecimento... Caminhamos tenuemente, ensaiado com a forma atual de Palcos e Cenas, para o Teatro Fringe: gostaríamos que o próximo ciclo de ação pudesse torná-lo mais afirmativo. Ideias não nos faltam! S. João da Madeira vai dar-lhes Existência! Público sedento e assíduo a/de manifestações culturais de elevado nível: imenso desafio... 12 edições são um legado que se traduz em responsabilidade. No Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite não somos parcos a propor ou a enfrentar desafios e S. João da Madeira consegue potenciar tudo isso!
 

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