A conferência sobre Violência no Desporto
19-04-2018 | por Fernando Moreira
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Nada me custaria acreditar que por de trás da oportuna (e conveniente…) iniciativa dos proponentes – Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto – para a organização da conferência que aqui trago em título, objectivamente pudesse resultar em mais uma tentativa (estratégia como outras já por todos conhecidas) visando desviar as atenções gerais daquilo que é afinal, o essencial e concreto em matéria do actual estado de violência. No futebol, para sermos claros…
Foram muitas as intervenções, de individualidades, agentes desportivos, autoridades de segurança, políticos e governantes. Se é verdade que o representante da PSP, superintendente Luís Filipe Simões, abordou a questão sem fugir do essencial – corresponsabilização dos clubes de futebol e seus adeptos pelas respectivas infracções cometidas e, as consequências para o próprio clube, interdição do estádio –, não deixou porém de ser verdade maior a declaração do Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino: “não ser necessário criar mais órgãos autónomos nem novas leis para a disciplina no desporto – façam cumprir a lei vigente para o efeito”. Contrariando categoricamente, o secretário de estado para a juventude e desporto, João Paulo Rebelo e, o presidente federativo Fernando Gomes que defendem respectivamente: “a actual lei é ineficaz no combate à violência…/…”; “subida das multas e penas para os prevaricadores…/…”. Claro, sintético e realista…
A hipocrisia subiria a níveis nunca dantes vistos. No(s) apelo(s) à pacificação no futebol – o mote perfeito ao cenário pretendido – por altos dirigentes do desporto e da governação, imaginem… na presença de pessoas (convidadas) sobre as quais recaem as mais graves suspeitas e dentre elas, aliciamento de juízes, investigação por crimes de corrupção de órgãos de soberania e, ficamo-nos por aqui…
Pelos vistos, para a maioria daqueles destacados dirigentes, a culpa de todo este “clima” é de comentadores televisivos e, sobretudo, das direcções de comunicação dos três grandes clubes. De comentadores, estou e muito, de acordo em parte: há ali alguns verdadeiros incendiários (impostos aos respectivos canais pelo seu clube), há os conscientemente não isentos opinadores, os mais ou menos assertivos mas porém suspeitos e, um ou outro guru da matéria futebolística assumido(s) de “isento(s)”… Estarão os principais canais maniatados!... Ou controlados?
Não adiantarei nenhuma novidade afirmando quanto a direcções de comunicação dos clubes que, as mesmas só terão aparecido (em força), face à latente falta de isenção (clubista) nos órgãos da comunicação especialista e até generalista, escrita, áudio e visual nacional com forte predominância nos instalados a sul (Lisboa). E todavia, os senhores da FPF mais a Liga, teimam no acusatório de “violência comunicacional” à função denunciadora que outro(s) canal assumiu justamente sobre a gravíssima suspeita de corrupção activa e passiva sob tráfico de influencias em investigação.
P.S.: Neste estado de coisas, faz-me espécie diria (honestamente, até contra mim próprio) estupefacção, que o nosso Primeiro Ministro António Costa (tanto fez e tem dado ao país, credibilidade, contas arrumadas e sobretudo a pacificação política. Goste-se ou não…), vem em pleno Parlamento na nobre sala desta nossa democracia, falar-nos do “nosso querido clube”… - O mínimo que de si se pode esperar pela causa, é passar à vassourada definitiva nos incompetentes que gravitam em seu redor, a começar já ali pelo IPDJ…

(O autor escreve segundo o antigo acordo ortográfico)

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