Cidade recebeu em 2015 os primeiros
S. João da Madeira é um “lugar indicado para abrir as portas aos refugiados”
12-04-2018 | por António Gomes Costa
S. João da Madeira tem neste momento seis refugiados, dos quais três são crianças e frequentam escolas da cidade. Apesar de ser um assunto já não muito falado nos telejornais, Teresa Tito de Morais apelou, em S. João da Madeira, à solidariedade para com estas pessoas, considerando que a cidade é um “lugar indicado para abrir as portas aos refugiados”.
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A Presidente do Conselho Português para os Refugiados (CPR), Teresa Tito de Morais, apelou, em S. João da Madeira, à solidariedade para com os refugiados, revelando que as autarquias “têm um papel fundamental” na integração destas pessoas, reconhecendo que S. João da Madeira é uma terra com “fortes tradições democráticas de solidariedade e com franco desenvolvimento local”.
Esta afirmação surgiu durante a apresentação do primeiro ciclo «Pensar Futuro», promovido pelo Município, que teve como objetivo refletir com a população a questão do acolhimento e integração dos refugiados em Portugal e na Europa.
Esta responsável reconheceu ainda aos jornalistas que S. João da Madeira é um “lugar indicado para que se possam abrir as portas aos refugiados, que tanta necessidade têm de proteção e de sítios onde possam refazer as suas vidas”.
Teresa Tito de Morais lembrou, nesta primeira conferência, que decorreu no passado sábado, dia 7, no auditório dos Paços da Cultura de S. João da Madeira, que contou ainda com a presença do jornalista Carlos Magno, anterior presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, o “grande sofrimento que esta população tem vivido e continua a viver”, reforçando a “grande necessidade para que a comunidade internacional possa agir e criar condições para os apoiar e serem sensíveis a esta problemática”.    
Até ao momento, o país terá recebido cerca de dois mil, dos quais cerca de 40 por cento abandonaram o país. “Portugal tem sido um dos países menos procurados pelos refugiados”, reconheceu esta responsável.
A presidente do Conselho Português para os Refugiados entende que o abandono destas pessoas prende-se com dificuldades ao nível da aprendizagem da língua, da dificuldade em arranjar emprego, da adaptação cultural e a falta de existência em Portugal de comunidades da Síria, Iraque e Eritreia, países originários destes cidadãos. No entanto, reconhece que Portugal hoje “tem melhores condições para aceitar estas pessoas e para que eles próprios criem raízes no nosso país e possam ajudar ao desenvolvimento”, enfatizou.

“As notícias deixaram de falar dos refugiados”

Para Carlos Magno, este assunto dos refugiados “dificilmente se discute hoje porque as notícias deixaram de falar dos refugiados”. Magno não poupou críticas à comunicação social pela forma como tem abordado o assunto, muitas vezes sem os devidos contextos históricos e civilizacionais, ligados ao Mediterrâneo.
O jornalista pediu mesmo que a população deve “exigir uma mudança”, realçando que os grandes temas internacionais têm e devem de ter direito a horário nobre e a análises aprofundadas. “Precisamos de mais exigência para com a comunicação social”, atirou.
Foi em Março de 2016 que S. João da Madeira recebeu os primeiros refugiados vindos da Eritreia, conhecida também como a ‘Coreia do Norte de África’, que encontraram nesta cidade uma nova oportunidade para terem uma vida nova e de voltar a sonhar. Neste momento, a cidade tem seis refugiados, três deles crianças a frequentar escolas da cidade.
Recorde-se que, em Setembro de 2015, a Câmara Municipal de S. João da Madeira aprovou, por unanimidade, através da Rede Social e envolvendo a comunidade sanjoanense, acolher uma ou mais famílias de refugiados, em nome da dignidade humana. Esta proposta foi apresentada, na altura, pelos vereadores do PS.

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