Intitulado F.O.R.A. – Fomentar Outras Realidades de Aprendizagem
Aprovadas as normas do programa de «Erasmus Municipal»
12-04-2018 | por Joana Gomes Costa
A Câmara Municipal de S. João da Madeira aprovou, na passada semana, o regulamento do projecto de «Eramus Municipal». Intitulado F.O.R.A. – Fomentar Outras Realidades de Aprendizagem, este programa, que foi um compromisso e bandeira eleitoral de Jorge Sequeira, propõe-se proporcionar uma deslocação ao estrangeiro a dois alunos do 12.º ano dos Agrupamentos de Escolas Dr. Serafim Leite, João da Silva Correia e Oliveira Júnior e ainda do Centro de Educação Integral, num total de oito estudantes em cada ano lectivo. Para o vereador da coligação PSD/CDS, Paulo Cavaleiro, este projecto tem “falta de ambição”.
Estatísticas

407 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

Na apresentação da proposta, o presidente da autarquia, Jorge Sequeira, lembrou que este projecto foi um “compromisso eleitoral”, explicando que a proposta submetida à reunião de Câmara, do passado dia 4 de Abril, definia “um conjunto de regras que ordenará o programa municipal” intitulado «F.O.R.A. – Fomentar Outras Realidades de Aprendizagem, Erasmus Municipal», neste primeiro ano que será “o ano piloto e experimental”.
“Vamos testar o modelo e ver como corre”, afiançou Jorge Sequeira, sublinhando que o programa F.O.R.A. foi construído e será desenvolvido “em articulação” com os três agrupamentos de escolas do concelho e com o Centro de Edução Integral (CEI).
Este será um “programa pedagógico educativo com dimensão e valência cultural”.

F.O.R.A. –Fomentar Outras Realidades de Aprendizagem

O programa F.O.R.A. é apresentado como um prémio de reconhecimento a alunos de S. João da Madeira.
Esta iniciativa da Câmara Municipal é organizada por ano lectivo, tendo como «premissa reconhecer e estimular a dedicação, a assiduidade, o esforço no trabalho e no desempenho escolar por parte dos alunos», assim como «o seu empenhamento em acções meritórias praticadas na escola ou fora dela». Serão abrangidos os alunos do 12.º ano de escolaridade, sendo proporcionada uma viagem, «de preferência a cidades geminadas com S. João da Madeira ou outras com quem o município tenha parcerias no âmbito do programa “Eramus Mais”». Determinam as normas aprovadas que os alunos interessados devem apresentar a sua candidatura na secretaria das respectivas escolas durante o 3.º período lectivo.
As deslocações ao estrangeiro estão programadas para decorrer em Setembro de 2018 ou na interrupção de Natal deste ano lectivo, tendo a duração de três a cinco dias. Os alunos serão acompanhados por professores e elementos da Câmara a designar.
O programa será divulgado aos alunos através dos directores de turma das turmas do 12.º ano das escolas envolvidas, cabendo a candidatura a cada aluno interessado.
As candidaturas serão depois analisadas pelos respectivos conselhos de turma, que devem propor a sua decisão ao conselho pedagógico da escola, fundamentando-se nos seguintes critérios: perfil de desempenho escola do aluno; resultados da avaliação interna; proactividade e participação em actividades de cidadania e/ou voluntariado; capacidade de resiliência a condições adversas no seu quadro de ensino e aprendizagem. Caberá então ao conselho pedagógico de cada agrupamento a decisão sobre «quais os dois alunos vencedores», sendo «um proveniente dos cursos cientifico-humanísticos e outro dos cursos profissionais».
No final da mobilidade, os alunos participantes farão uma apresentação pública, dando o seu testemunho da sua experiência.
O «Programa F.O.R.A., Erasmus Municipal» é integralmente financiado pela Câmara Municipal de S. João da Madeira, nomeadamente transporte, alojamento, refeições e seguro de viagem.

“Há falta de ambição nesta proposta”

“No essencial concordamos”, disse o vereador da coligação PSD/CDS, Paulo Cavaleiro, considerando, no entanto, que o programa apresentado “é muito reduzido para a ambição que existe” e “para a forma como a medida foi apresentada em campanha eleitoral”.
Referindo outras experiências que diz conhecer, com casos de “práticas de irem turmas inteiras passar uma semana a outros municípios”, Paulo Cavaleiro defendeu que “há claramente falta de ambição nesta proposta”. Referindo-se concretamente à duração da deslocação, assinalada nas normas entre três a cinco dias, o vereador da oposição apontou o exemplo da Ilha do Mayo, em Cabo Verde, cidade com a qual S. João da Madeira é geminada, que fica assim “fora de alcance”, uma vez que “para lá chegar esgota-se esses dias”.
“Escolher apenas dois alunos por escola para um programa deste género parece-me pouco”, disse Paulo Cavaleiro, sublinhando que, face “à expectativa” que a medida criou, “era necessário maior abrangência”, embora reconheça que tal “implicaria demorar mais tempo”.
Para o vereador da coligação, “não faz sentido” que “o mesmo executivo” que apresentou a proposta de isentar todos os alunos do concelho no passe escolar dos TUS – Transportes Urbanos de S. João da Madeira, apresente este programa limitado a dois alunos por agrupamento.
Embora reconheça estar “sempre disponível para melhorar a proposta”, Jorge Sequeira defendeu que as medidas referidas por Paulo Cavaleiro “não são comparáveis”, pois, enquanto no caso do passe para o TUS há uma “isenção generalizada”, cujo “custo estimado é a perde de receita”, no âmbito do programa de Erasmus Municipal “seria impossível a Câmara pagar a deslocação ao estrangeiro a todos os alunos do concelho”.
“Não sentimos que estamos a defraudar expectativas”, afiançou o autarca, explicando que em causa está a mobilidade no “mínimo de 10 pessoas”, sendo que o período de três a cinco dias “não tem de englobar o tempo de viagens”.
“Queremos oferecer uma experiência de qualidade”, garantiu.
A vereadora da Educação, Irene Guimarães, afiançou que este programa “é um prémio criado para reconhecer o trabalho e mérito dos alunos, não é um programa de mobilidade”, sendo, por isso, “diferente do que já se faz em escolas no âmbito do Erasmus +”.
“Quem deu o nome de Erasmus Municipal não fui eu”, afirmou Paulo Cavaleiro, dizendo que a coligação tinha “outra expectativa deste programa e os sanjoanenses também”. “Deviam ter estudado melhor o assunto”, concluiu.
Jorge Sequeira garantiu que “a proposta foi bem estudada” e que nos seus objectivos tem uma “dimensão que distingue o mérito e incentiva os alunos”. “Confiamos nos conselhos de turma” e “identificamos os alunos que também precisem deste programa como um estímulo para o seu processo de aprendizagem”. “A palavra Erasmus vem da dimensão de contacto com o estrangeiro, nunca esteve em causa a troca de experiências ou intercâmbio”, disse Jorge Sequeira.
Paulo Cavaleiro manteve a sua convicção de que a medida “podia ser mais abrangente”.
A proposta foi aprovada por maioria, com abstenção dos vereadores da coligação.

 

Saudação. Por proposta dos vereadores da coligação PSD/CDS, aos quais o presidente e os vereadores socialistas se associaram, a Câmara Municipal de S. João da Madeira aprovou, por unanimidade, votos de saudação a Ana Rodrigues e aos Serviços Sociais do Município pelos recentes êxitos desportivos alcançados.

Eleição. Paulo Cavaleiro, vereador da coligação PSD/CDS, felicitou o presidente da Câmara de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, pela sua eleição como líder da Federação Distrital de Aveiro do PS. No entanto, alertou que “liderar um órgão” desta natureza “exige uma disponibilidade diferente” e “consome tempo”. “Em tempos, a nossa gestão foi muito criticada com a questão do presidente a tempo inteiro”, lembrou Paulo Cavaleiro, sublinhando que a liderança da estrutura distrital do PS “vai consumir disponibilidade”, admitindo o risco de que “muitas vezes será S. João da Madeira que não terá a atenção que devia”. Em resposta, Jorge Sequeira prometeu que “este cargo não irá prejudicar a cidade”. “Só poderá valorizar”, afiançou, ao garantir que fará “todos os esforços para que esse risco não se materialize” e uma “gestão do tempo que não prejudique o município de S. João da Madeira”, tal como sublinhou ter feito durante o período de campanha interna no partido.

Apoios. Na reunião de Câmara da passada semana foram aprovados diversos apoios a instituições sanjoanenses. Em adiantamento ao contrato-programa, foi aprovado subsídio na ordem dos 18 mil euros a atribuir à Associação Desportiva Sanjoanense (ADS). Para apoio à organização do Torneio de Petizes, o município atribuiu 200 euros. A Câmara apoio ainda, em 200 euros, a organização do Campeonato Regional de Kickboxing e Muaythai.

Comentar

Anónimo