Reversejar
12-04-2018 | por F.S.L.
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Deuses terrenos – brincar aos deuses


Um médico por natureza, consciência e formação,
Avalia dia a dia a alma humana e terrena,
Toda a mecânica dos órgãos de tão simples intuição,
E concluí pelo exame se é mal que valha a pena.

Quando se é médico talvez por força das circunstâncias,
Ao avaliar sensações, sentimentos e outras razões,
Tem tendência para captar do corpo e alma as fragrâncias,
Essenciais de uma poesia ao escamotear-lhes as emoções.

Certamente que ressalta à consciência do exame
Que aquela alma clama por ajuda ocasional,
E que todo o seu tormento não seja mais que um alarme,
E ao pôr-los de atalaia, faz do médico ser especial.

Faz dele um Deus mas “humano”, com que possa questionar;
Confessor de fácil acesso, direto, sem intermédios,
Que lhe acuda num instante, sem ser preciso rezar,
Sem receios, orações ou pragas pelos remédios.

É o seu Deus, a sua fé, pés de barro, ídolo até,
Não lhe roga só lhe pede, não reza, sòmente crê
Que dele virá a cura, algo mesmo ali ao pé,
Sem outro que interfira - um deus que ele próprio vê.

E nesse momento e depois o médico que analisa o caso
Sente-se poeta no instante, pois toma para si a emoção,
E joga com ela que é de outro, descobre então por acaso
Que esculpiu um seu poema, poema de convicção.

Tornou-se embora sem querer, a ave que sobe aos céus,
Nas asas de uma aventura levando pela sua mão
Aquele irmão que cuidou, agora nas mãos de um deus,
Não desgarrado do homem, um deus à disposição.

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