As Minhas penas!...
08-03-2018 | por Oliveira Bastos
Estatísticas

525 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

Cheiro a pólvora
Rebentou uma rebelião no PSD. O cheiro a pólvora intensificou-se. Mas nada de estranhar entre os social-democratas, porque no PSD esse cheiro acaba por ser sempre agradável. Vem do início do partido, dos primeiros tempos de Sá Carneiro, líder político invulgar, e fundador do PPD, depois PSD. E, como veremos, vai manter-se...
Lembram-se da ASDI (Associação Social-Democrata Independente)? Em 1979, 36 deputados do PSD abandonaram o partido, mantendo-se, no entanto, na AR, embora com o estatuto de independentes: bateram assim com a porta porque, ao passo que Sá Carneiro tinha decidido afirmar o PSD contra o PS de Mário Soares, afastando-se um pouco para a direita, os membros da ASDI, entretanto formalizada partido, entenderam que a melhor estratégia era a aproximação ao PS. Resultado: Sá Carneiro, à frente da coligação AD (PSD, CDS e PPM), ganhou as eleições legislativas obtendo 44%, tendo visto a ASDI afundar-se nos parcos 26% da FRS (PS, ASDI e UEDS). Mais: o líder social-democrata, com esse braço de ferro, conseguiu concretizar o propósito de uma limpeza no partido...
Mas voltemos à rebelião, ainda a ecoar com alguma intensidade...Ecos que nos transmitem que, dos 90 deputados do PSD, apenas 35 votaram em Fernando Negrão, o homem lançado por Rui Rio para líder parlamentar, registando -se ainda 32 votos em branco e 21 nulos. Quer dizer, os Jovens Turcos da bancada «laranja» fizeram questão de comunicar desta forma ao Presidente de partido que lhe são oposição. Eles que nem sequer tiveram a hombridade de apresentar um candidato - e tinham-no, mas ficou de reserva - para disputar as eleições internas do PSD contra Rui Rio  e Santana Lopes, preferindo assim, à posterior, mostrar pelo menos falta de nobreza de carácter e de espírito de grupo...
Por ironia da História, o resultado de Fernando Negrão para a liderança do PSD pode pré-anunciar uma questão semelhante à da ASDI, mas de sentidos trocados, com o mesmo desfecho de 1979?
Na verdade, há dois PSD em confronto: um social-democrata, de maior dimensão, encostado à esquerda, companheiro de Rui Rio, e outro liberal, órfão de Passos Coelho, encostado à direita. Desta vez, porém, verifica-se o contrário da ASDI de 1979: ou seja, os afectos à liderança do PSD, embora reconheçam o mérito de Passos Coelho ao salvar o país da bancarrota socialista, preferem não só penitenciar-se pelos pecados por ele cometidos que, designadamente, conduziram aos resultados catastróficos do PSD nas últimas eleições autárquicas, como também fazer uma aproximação à esquerda só para eventuais acordos de regime, ao passo que os rebeldes querem a afirmação do PSD contra o PS.
E quanto a um desfecho idêntico ao da ASDI de 1979, apesar de já alvitrado por alguns comentadores, não vai acontecer, porque entre os Jovens Turcos do PSD não há pesos pesados capazes de formalizar um Partido Liberal com o mínimo de êxito. Mas mesmo que os houvesse, não avançariam porquanto sentem-se diminuídos pela responsabilidade que têm na já referida derrota nas autárquicas.
Sendo assim, os Jovens Turcos permanecerão, por conveniência, na bancada parlamentar do PSD, porque, sabendo que Rui Rio não os deixará entrar nas listas de deputados nas próximas eleições legislativas, têm dois anos pela frente para lhe ir fazendo a cama, ou seja, até lá farão oposição ao Governo e ao seu próprio partido. Contudo, poderão não ter sorte, e por isso não voltarem ao poder tão cedo quanto desejam...
Rui Rio é da escola de Sá Carneiro. Possivelmente, tal como fez este grande estadista para ganhar as eleições com a AD, vai puxar o PSD para a esquerda baseado sobretudo na recuperação da Matriz Social-Democrata, mas demarcando-o do PS um pouco para a direita à custa de uma nova política económica...
Assim, Rui Rio terá uma oportunidade extraordinária de construir uma verdadeira alternativa para o país. Mas para ter êxito, os portugueses têm de perceber porque é que devem votar no PSD e não no PS.
Mesmo assim, atendendo que o tempo é pouco e que a gerigonça continua a beneficiar de uma conjuntura económica internacional vantajosa, pode não ganhar as eleições. Todavia, se evitar que o PS ganhe por maioria absoluta, manterá a liderança do PSD. E o cheiro a pólvora quase deixará de cheirar...

Comentar

Anónimo