Tão-só, obrigado!
08-03-2018 | por Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira

Manuel Guerra
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O tempo é de silêncio. Só este interlúdio dos sentidos nos permite ver e escutar melhor. E, por isso, cumprimo-lo. Perante nós, a interpelação da família na elegia fúnebre, ainda na presença física do benfeitor. O que fica do que passa? O que fica quando o corpo já não pode ouvir, partilhar, participar, envolver-se? É comum dizer-se que resta o exemplo e o testemunho. Mas como apreendê-lo no quotidiano das coisas? Onde podemos encontrar esse exemplo inspirador dos gestos de outros e assim reencontrar aquele que passou e os inspirou? É para isto que o tempo é de silêncio. Para ver e escutar melhor.
Dia 24 de fevereiro faleceu aquele que representou durante 27 anos os associados desta Irmandade de Misericórdia, presidindo à sua assembleia-geral. Por quase três décadas protegeu e zelou pelo interesse geral dos Irmãos, que são os valores e ações da Misericórdia. Desempenhou o cargo com a ilustração que recebeu dos livros e com a sageza que dele procedia. É por isso que o designativo “Dr. Manuel Guerra” é inextricável nas suas parcelas: ao registo de batismo incrusta-se o título como prefixo nominal pois deste modo melhor se recupera a memória do homem que foi. Esta qualidade foi ainda reconhecida pela assembleia de Irmãos quando o declarou benfeitor logo que cessou funções.
Aquando da notícia do falecimento, um antigo mesário lembrava-nos o que retinha do Dr. Manuel Guerra. Dizia que na primeira conversa tida, e a propósito da importância da ação da Misericórdia, aquele falava-lhe de como o Bem é silente mas o Mal reverbera. Daí o relevo à vigilância dos nossos gestos. Para que se não multipliquem dissensões, injustiças e incompreensões, que venham a ecoar pelos tempos. Para que se harmonize a tábua da lei, a regra escrita, o significado abstrato, com a concreta vida das pessoas, a sua dignidade e felicidade terrenas. Será isto a justiça. Será isto que o mobilizou para um período tão prolongado de dedicação à causa cívica que a Misericórdia corporiza, a vontade de emprestar conhecimento, equilíbrio e moderação. Assim, hoje, quando nos pomos a escutar os últimos trinta anos, é isto que ouvimos: serviço público feito no silêncio, em defesa da “paz associativa”, para bem de tantos, não deixando que o mal ressoasse acima do interesse geral de todos. Obrigado, Dr. Manuel Guerra.
Entretanto, as notícias tristes têm tendência para se emparelharem, prolongando o luto e redobrando a tristeza. No seguimento da semana, a 1 de março, faleceu João Manuel Abecassis de Vargas Cruz, mesário durante 18 anos, e também ele benfeitor da Misericórdia, declarado por unanimidade em assembleia-geral de Irmãos. Homem dedicado a diversas causas da cidade, distinguiu-se na Misericórdia no apoio à atividade dos infantários e do centro de acolhimento de menores, culminando o seu percurso como mordomo do Culto. A assiduidade, o interesse e o empenho devotados devem por nós ficar para sempre registados. Porque ter memória é um dever e o reconhecimento um ato de justiça. Obrigado, Vargas Cruz.
 

 

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