Anabela Brandão, directora do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, em entrevista
“Têm sido anos de grandes mudanças e conquistas dentro do Agrupamento”
15-02-2018 | por António Gomes Costa
Oficinas, ginásio e campos de jogos exteriores são as intervenções mais urgentes na escola Secundária Dr. Serafim Leite, cuja obra foi adjudicada e a intervenção deverá arrancar já nos próximos meses. Nesta entrevista, Anabela Brandão, directora do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite, coloca o dedo na ferida quanto aos rankings das escolas, anuncia a importância de separar os alunos do 2.º ciclo dos restantes níveis de ensino, aborda ainda a disciplina na sala de aula, o papel da família e o sucesso dos cursos profissionais, que considera uma opção sólida.
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‘O Regional’ - É oficial. A obra na Escola Dr. Serafim Leite já foi adjudicada e a intervenção deverá arrancar nos próximos meses. Esta escola há muito merecia esta intervenção?
Anabela Brandão - Desde que cheguei à Escola Secundária Serafim Leite, há cerca de 20 anos, que se fala da necessidade de obras na escola. Efectivamente, já desde essa altura, as infraestruturas da escola mostravam problemas que obrigatoriamente deveriam ser resolvidos. Embora os sucessivos órgãos de gestão tenham feito as intervenções que estavam ao seu alcance, chegou-se a um ponto em que nada resulta, pois as obras necessárias são demasiado profundas e fora do alcance do orçamento da Escola.

Segundo sabemos, todo este processo está a ser pensado em articulação com o município, Governo e direcção da Escola. Concorda com todo o processo?
A forma articulada como temos trabalhado é essencial para que o projecto vá ao encontro das necessidades da Escola e satisfaça os requisitos essenciais para o desenvolvimento do Projecto Educativo do Agrupamento de Escolas Dr. Serafim Leite (AESL). É importante referir que o Município desenvolveu todo o projecto em estreita articulação com a Escola, pelo que foi pensado e adequado à vida do AESL.

Temeu que a obra ficasse por terra?
Não. A segurança que todos nos deram em relação à certeza de que a obra iria para a frente deu-nos a tranquilidade de que tudo estava bem encaminhado.

De que forma irá decorrer o dia-a-dia na escola da comunidade escolar durante a intervenção?
Para o AESL, é essencial que haja uma separação ente o 2.º ciclo e os restantes níveis de ensino. As duas faixas etárias são muito distintas e compreendem fases de desenvolvimento que têm que ser respeitados. Por essa razão é que estamos a planear, durante o período de obras, que os alunos mais crescidos mudem para a SL2 (edifício agora ocupado pelo 2.º ciclo) e os mais pequeninos fiquem no bloco principal da Serafim Leite.

Vão ser criadas salas de aula, instalações sanitárias, núcleos laboratoriais, espaços de arrecadação, corredores de circulação, um novo posto de recepção/atendimento (…). Tem sido difícil garantir a qualidade a professores e alunos com as actuais instalações?
As instalações encontram-se extremamente degradadas e só com muito boa vontade e gosto pelo ensino é que se consegue desenvolver as actividades lectivas e não lectivas.

O bloco principal da escola vai sofrer alguma alteração?
Não, embora precise ao nível das caixilharias das janelas. A única intervenção planeada é ao nível da cobertura, que actualmente é de amianto.

Mas qual a intervenção que considera mais urgente?
Oficinas, ginásio e campos de jogos exteriores.

A vossa escola oferece aos alunos ensino diurno, nocturno e educação de adultos. Nos últimos anos, temos assistido a uma forte competição entre escolas. Se precisasse de convencer alunos ou mesmo os encarregados de educação a escolherem a sua escola, o que lhes diria?
O AESL cuida dos seus Alunos como Nossos. Esta forma de actuar é, no entanto, bastante delicada, pois consideramos que deve haver uma separação bem definida entre a Escola e a Família. Quero eu dizer que uma nunca se deve sobrepor à outra, mas sim trabalhar em conjunto e em sintonia pelo bem de cada um dos nossos alunos.


Mas de que forma analisa e justifica os resultados obtidos no vosso agrupamento?
Se se refere aos rankings que surgem todos os anos na imprensa nacional, tal carece de uma análise cuidada… Se analisarmos o Público, a nossa posição não é muito invejável, mas se formos analisar o Expresso/Sic já estamos numa posição bastante boa, em segundo lugar em S. João da Madeira, com uma subida de 311 posições em relação a 2016 e, se ainda formos analisar o Correio da Manhã, estamos na 1.ª posição em relação a todas as escolas de S. João da Madeira.
Internamente, é claro para todos que os resultados dos nossos alunos têm melhorado significativamente ano após ano.
O importante é que se faça uma reflexão constante dentro de cada Escola e que sejam delineadas e postas em prática estratégias para melhorar ano após ano. É assim que trabalhamos. Fazemos tudo o que está ao nosso alcance para que os nossos alunos, no futuro, sejam cidadãos de sucesso a todos os níveis, pois consideramos que essa é a nossa Missão. Não é por acaso que o nosso lema é “Construímos o Futuro”.

Um estudo recente revelou uma classe docente muito desmotivada. Qual é o espírito dos seus professores?
Os professores estão cansados, mas considero que tal se deve às condições da Carreira Docente.

Mas gostava de poder escolher os professores para a sua escola?
O quadro do AESL é muito estável, pelo que as alterações são pouco significativas.

O Agrupamento tem vindo a perder alunos?
Não. Em termos globais temos diminuído um pouco, pois deixamos de ter muitos alunos no ensino nocturno. Como a escolaridade é obrigatória, poucos são os alunos que não terminam com sucesso os 12 anos de escolaridade. Nos restantes níveis não temos tido descida, antes pelo contrário.

Mas entende que isso também se deve às actuais instalações da escola?
De todo… Entenda-se que para os alunos talvez seja importante, como primeiro impacto, as instalações, mas quando entram na Serafim Leite, consideram que afinal as instalações não são o que diziam que eram e imediatamente esquecem-se das paredes e envolvem-se naquilo que é importante – a vida da Escola.

A procura pelo sucesso educativo é a matriz de qualquer escola. Os cursos profissionais são uma aposta ganha?
Diria antes que são uma opção sólida.


Mas como tem sido a relação da escola com os empresários?
É uma relação de muitos anos. A maioria dos empresários foram alunos da Escola Serafim Leite, pelo que entendem a nossa forma de actuar e mantêm uma relação muito estreita e articulada connosco.

Mas a taxa de empregabilidade destes alunos continua a ser elevada?
Sim, na ordem dos 60% e, dos restantes, cerca de 50% ingressam no Ensino Superior.

Assumiu a direcção da escola em Julho de 2013. Tem valido a pena este desafio?
Sim. Têm sido anos de grandes mudanças e conquistas dentro do Agrupamento. É muito bom quando vemos que todos se envolvem num mesmo projecto e tudo fazem para melhorar.

Quer com isso dizer que este é um cargo para quem gosta de desafios diários?
Sem dúvida. Para quem gosta de desafios diários e para quem está preparado para o sucesso e para o fracasso. O maior desafio de um director, neste caso, directora (risos), é encarar todos os sucessos e todos os fracassos como uma aprendizagem e uma oportunidade de os transformar em mais-valias para a organização e assim melhorar de forma contínua.

Que balanço faz ao trabalho realizado pelo actual Ministro da Educação?
Parece-me que tem a noção exacta das necessidades em Educação e tem dado uma margem de manobra muito significativa às escolas para se reinventarem e crescerem enquanto instituições.  

Mas, na verdade, o que falta fazer para reduzir os índices de indisciplina nas escolas?
A indisciplina é algo inerente ao facto de ser criança, adolescente ou jovem. A diferença é como a Escola lida com isso e consegue motivar os alunos a serem cada vez melhores. No entanto, o papel mais importante é dado à família, que consideramos ser o núcleo essencial para o desenvolvimento de cada um dos alunos.  

Posso concluir que é necessário e urgente depositar no professor um estatuto de autoridade?
O professor tem toda a autoridade. No AESL essa autoridade é dada a cada professor, embora por vezes seja necessária a intervenção de outros parceiros. Um desses parceiros é efectivamente a Família. Se a família não der a responsabilidade da educação ao professor (na parte que lhe compete) e não valorizar a escola, o trabalho da Escola torna-se muito mais complicado e difícil.

Tem saudades da Anabela Brandão que dava aulas todos os dias?
Às vezes (risos), mas quando tal acontece vou ter com os alunos e encho-me de energia para fazer o que ainda falta fazer enquanto directora.
 

 

O que diz Anabela Brandão

- O AESL cuida dos seus Alunos como Nossos

- A maioria dos empresários foram alunos da Escola Serafim Leite

- O professor tem toda a autoridade

- O maior desafio de um director é encarar todos os sucessos e todos os fracassos como uma aprendizagem

- Os professores estão cansados

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