Reversejar
15-02-2018 | por F.S.L.
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Passar pelo so(n)(h)o

Abram-se as janelas, estará fosco o dia?
Valerá a pena entrar no seu âmago?
Haverá dentro dele sinais de alegria?
Qualquer algo mais, um sopro de afago?

Volto à romaria do meu dia-a-dia,
Em busca de quês: de um pobre que implore,
De um cão que não ladre, de um gato que mia,
Criança que ria ou de outra que chore….

Do vão de uma escada, uma sombra que passa,
Que passa por mim; e sem disso contar
Me faça voltar na esperança da graça
De uns olhos furtivos de fazer sonhar.

Uma mãe correndo, por criança à solta,
Que foge soltando gritos de alegria,
Por um arco que corre, rolando na volta
De um eixo travesso que chia que chia.

E ela aflita quando cai o filho,
esfolando o joelho, ao de leve só;
não chores meus filho, que grande sarilho
um beijo no dói, que aí  vem a vovó.

Que dia mais lindo este meu de agora!
Ao voltar aos tempos de uma meninice;
Corria rua abaixo quando se ia embora,
A tal ciganita cheia de garridice.

Volto ao ram-ram da minha rotina,
Sacudo a cabeça para espairecer;
Isto de memórias pesa e desatina
Qualquer um de nós que sonha ao viver.

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