Questões da nossa Cidade DCCLX
08-02-2018 | por Adé
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I - Mudanças ainda pequenas
É ainda cedo para se sentir mudanças significativas na actividade do município, pois a adaptação das respectivas funções são demoradas. Entretanto, há já pequenos sinais.
Soube-se, embora não se conheça o conteúdo, que foi elaborado um código de conduta para ser seguido pelos funcionários municipais. Um dos pontos é a obrigação de se cumprir com os horários estabelecidos para entrada e saída dos funcionários administrativos e outros. Esta mudança já significa algo de positivo que pode beneficiar o público em geral. Por outro lado, há uma aproximação aos hábitos das empresas privadas, onde o cumprimento do horário é condição fundamental para todos. E isso é óptimo para a melhoria da imagem dos funcionários administrativos municipais.
Também o facto do Carnaval das Escolas ter sido direccionado para a Praça Luís Ribeiro, em detrimento do Estádio da ADS, foi uma mudança que se tem como muito boa, como forma de dinamizar o local que, segundo se diz, esteve a abarrotar de gente. A Câmara Municipal aproveitou para poupar alguns euros, já que preferiu utilizar os seus próprios recursos humanos em detrimento da requisição de policiamento, para dirigir o trânsito e as pessoas na direcção certa nesse dia especial. Um sinal de que vai haver mais cuidados com os gastos do erário público.

II - Ligações ao saneamento básico
É natural e normal que todos os prédios construídos com projectos aprovados pelo município, antes da constituição da empresa pública/privada Águas de S. João, tenham pago as taxas correspondentes e cumprido com as normas para a execução das respectivas ligações ao saneamento básico. E, se agora, a referida empresa achar que se devem fazer alterações a essas ligações ao saneamento, será ela a ter que arcar com os serviços e despesas dessas alterações, feitas no exterior desses prédios, isso é, feitas no espaço considerado público.  
Mesmo que os condomínios recebam cartas a pedir a execução desses serviços, devem informar-se se as obras a executar são no interior ou no exterior do prédio e se dentro ou fora das responsabilidades do condomínio

III - Para realidade diferente, avaliação diferente
Li a crónica de Artur Nunes, publicada no jornal Labor da passada semana, com o título, “ A Cidade, os bairros sociais e a qualidade de vida”. E como o referido cronista confirma no final da mesma que se referia a S. João da Madeira, fiquei incrédulo.
É mais que certo que a realidade dos bairros de habitação social de S. João da Madeira é diferente da dos bairros de habitação social acomodados nas localidades ao redor de Lisboa e a sul do rio Tejo. E para realidade diferente, avaliação diferente.
É preciso atender ao seguinte: os bairros de habitação social foram propositadamente construídos em paredes meias com as outras construções de habitações privadas, quer no Parrinho, na Mourisca, no Poder Local, no Fundo de Vila ou no Orreiro. E, que se saiba, os moradores nesses bairros de habitação privada não se sentem incomodados com essa proximidade com os bairros de habitação social.
É bom que se diga, por exemplo, que, somente na Rua do Poder Local, um pouco mais de 1/3 dos apartamento ali construídos são propriedade privada! São pessoas que melhoraram a sua condição económica/financeira e compraram o seu apartamento e ali continuam a viver! Entre eles, muitos são licenciados em direito, psicologia, outros com licenciaturas ligados ao ensino e muitos com cursos profissionais e em cargos de responsabilidade. E por que razão quereriam ali continuar a morar, se os nossos bairros de habitação social fossem assim tão problemáticos, como diz o amigo filósofo do referido cronista, quando diz: “É um milagre crescer nos bairros ditos sociais e não haver, por uma qualquer razão, quem acabe por cair nas malhas da justiça”. Isso é ou não uma ofensa para os moradores dos nossos bairros de habitação social?! Não sabem que a única razão que leva as pessoas a procurar obter um apartamento nos bairros sociais são as respectivas dificuldades económicas/financeiras, que têm que ser devidamente comprovadas? Ninguém vai para lá morar através de testes de avaliação intelectual, ou através do seu currículo de mal feitor. Se assim fosse, muitos dos que lá não moram teriam que para lá ir morar e muitos dos que lá moram teriam que morar no centro histórico ou na Av. Dr. Renato Araújo. Querem lá ver que os fraudulentos do BES, do BPN, da Friporte, das socateiras de ferro velho e agora das operações judiciais denominadas de Fizz, Gold e Lex viveram todos em bairros de habitação social e por isso deram no que deram?!
Felizmente, os nossos bairros sociais estão devidamente localizados, vive-se bem como estão e são exemplo para os bairros de habitação social do resto do país. Ninguém se queixa da falta de zonas verdes, porque as zonas verdes duplicaram e até triplicaram em algumas zonas, por acção do Dr. Castro Almeida, na altura presidente da autarquia, que emprestou dignidade aos bairros. As queixas são sobre a falta de manutenção de alguns desses espaços existentes, que são feitos muito tardiamente! Os jardins próximos de cada entrada são cuidados por um dos moradores, já que a autarquia não os arranja, ao contrário do que acontece com iguais canteiros em outras zonas da cidade. E, como é óbvio, todos se queixam dos desajustados aumentos de renda social, que não anda nivelado com o escasso e raro aumento das pensões mínimas e médias.
Repito: a realidade dos bairros de habitação social e bairros de latas, existentes nas várias localidades do centro/sul do país, é totalmente diferente da realidade como vivem e se relacionam os moradores do bairros sociais de S. João da Madeira.Ali não nascem criminosos e assaltantes de idosos e crianças. E os carros ali estacionados não são carros roubados. Estão devidamente registados nos nomes dos seus proprietários.
O que li foi uma realidade distorcida dos nossos bairros de habitação social e dos seus moradores, fruto de defeituosa observação e avaliação do cronista! Lamento!

IV - Um erro não habitual
Sem que eu tenha tido responsabilidade directa nisso, imprimiram o Questões da nossa cidade da passada semana com a numeração romana errada. Puseram DCCLVIX, quando era o DCCLIX (769). Pelo facto peço desculpas aos nossos estimados leitores.
 

Comentários
Anónimo | 08-02-2018 15:08 Errado
"A Câmara Municipal aproveitou para poupar alguns euros, já que preferiu utilizar os seus próprios recursos humanos em detrimento da requisição de policiamento"
nada mais errado: a psp estava em todo o desfile
Anónimo | 08-02-2018 15:07 O estigma e o elitismo do Sr. Artur Nunes
Qque grande estupidez, Sr. Artur Nunes! Só alguém que não conhece esses ditos bairros sociais como denomina pejorativamente.
Fazem essa diferenciação os elitistas e dentro de um estigma atroz.
Na sociedade moderna, esta democrata, nos "bairros sociais" é onde todas as forças políticas se empenham ao máximo na campanha eleitoral.
Senão vejamos. Alguma força política tocou à campainha do seu prédio onde vive (ou vivenda, não sei!), subir as escadas, tocar à campainha do seu apartamento e se não abrem, insistem batendo à porta para serem recebidos? Acredito (tenho a certeza), que não.
Essa é a diferença entre aqueles que vivem a que chamam "bairros sociais" e os outros. São as pessoas mais importantes, pelo menos aqui em SJM, nessas alturas. Vão ter com elas e muitas lhes abrem a porta aquando das campanhas depois são totalmente esquecidas e são poucos que posteriormente reconhecem essas mesmas pessoas.
Em relação "às malhas da justiça", muitos são que estão dentro dessa malha, tanto os que aí habitam ou não, como diz com desdém "nos bairros sociais". É só ver e ouvir a comunicação social , o que acredito que faça, mas por esta crónica deve interpretar muita coisa ao contrário, ou somente o que lhe interessa.
Deveria fazer umas visitas por essas zonas habitacionais, tanto de dia como á noite, inteirar-se da realidade. Pois acredito que só lá vá de 4 em 4 anos. Assim, ficaria a conhecer a realidade e como ilustre membro da Assembleia Municipal a desmistificar esse estigma, reconhecendo essas pessoas sem o elitismo que demonstrou e evidencia nessa sua crónica.

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