Indústria e Investigação de Produtos Adesivos
Cipade 50 anos ao serviço da qualidade
08-02-2018 | por Joana Gomes Costa
Qualidade e aposta na inovação. Estes são os lemas da Cipade – Indústria e Investigação de Produtos Adesivos, S.A., empresa sanjoanense que esta quinta-feira assinala 50 anos de crescimento assente na excelência do acompanhamento ao cliente. Numa retrospectiva destas cinco décadas, traçamos a história, perspectivando o futuro que se continua a fazer de inovação.
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Foi há precisamente 50 anos, a 8 de Fevereiro de 1968, que se começou a desenhar a história da Cipade, com a constituição da empresa Pinho e Lorens, Lda, fundada por Américo Pinho e Carlos Llorens, que se dedicava ao fabrico de colas para a indústria do calçado sob tecnologia espanhola.
Dez anos depois, em 1978, já então com o objectivo de apostar na investigação e desenvolvimento tecnológico, nascia a Cipade – Comércio e Investigação de Produtos Adesivos, Lda, que paralelamente ao fabrico de gama própria, comercializava ainda os produtos da Pinho e Lorens.
A actual designação, Cipade – Indústria e Investigação de Produtos Adesivos, S.A, surge em 1985, aquando da fusão das duas empresas.
Das primitivas instalações, localizadas numa secção da antiga fábrica de chapéus Pinho & Costa, a Cipade mudou-se para a Zona Industrial das Travessas ainda na década de 70, estando nas actuais instalações desde 1995.

“A Cipade nunca pára”

A Cipade sempre se destacou no mercado pela inovação, tendo sido pioneiros no desenvolvimento de métodos de produção que permitam baixar os níveis de toxicidade, por exemplo, com o lançamento da primeira gama de “colas de baixa toxicidade” no mercado.
“A Cipade nunca pára”, sublinham os responsáveis pela administração da empresa, os accionistas Carlos Caldas, Pedro Pinho e José Martins, avançando que a empresa tem neste momento “em fase de pré-produção” três processos, aguardando o registo das respectivas patentes. São projectos que resultam de parcerias com universidades, laboratórios e institutos, no âmbito das quais será lançado em breve um “produto que será uma revolução no sistema de colagem”, permitindo reduzir a utilização de materiais nocivos no processo de fabrico tradicional, obtendo “resultados bastante melhores”.
Dentro de um universo na ordem da meia centena de trabalhadores, cerca de metade da força laboral da Cipade dedica-se “à investigação, controlo de qualidade e assistência técnica”.
Uma aposta na diferenciação e inovação que se traduz também no mais recente investimento no alargamento das instalações e apetrechamento dos laboratórios da empresa, num esforço financeiro na ordem do meio milhão de euros. Cerca de 75 por cento deste volume foi investido em novos equipamentos. “O mercado assim o exige e só assim conseguimos acompanhar a evolução”, reconhecem os empresários, que promovem também as parcerias em áreas como a “investigação, controlo técnico ou ensaios”.
Relembre-se que a Cipade foi das primeiras empresas de S. João da Madeira a apostar na certificação, estando certificada nas áreas da qualidade, ambiental e de segurança e saúde no trabalho.
Atendendo aos produtos e tipo de materiais com que labora, a segurança e o ambiente, são os focos da Cipade. Os funcionários, por exemplo, têm formação de combate inicial a incêndios e os simulacros sem aviso prévio fazem parte da rotina da empresa.
A escolha da localização das actuais instalações – completamente construídas de raiz – também não foi aleatória. A construção em sucalcos possibilitou a instalação dos tanques num plano superior, fazendo com que os solventes sejam transportados até às máquinas de produção unicamente através da gravidade e em circuito fechado, não usando nenhum tipo de bombagem e reduzindo assim o risco de incêndio. Dentro do perímetro da empresa os pavilhões foram construídos com distância de segurança, para isolamento dos locais em caso de sinistro.
“A segurança e o ambiente são prioridades”, assumem os responsáveis.
Nomeadamente a par com a segurança está a preocupação ambiental, pelo que a Cipade está, há vários anos, equipada com a sua própria estação de tratamento de águas residuais.
Mesmo já tendo eliminado praticamente a existência de solventes no ar durante o processo de produção, o investimento na segurança é contínuo, pelo que está a ser preparada nova intervenção para instalação de torres de aspiração, com o objectivo de reduzir a mais de 90 por cento a exposição de solventes.

Das Travessas para o mundo

O calçado continua a ser “a indústria de topo” representando cerca de 77 por cento da produção da Cipade. Este é um sector “muito exigente”, que demanda elevados padrões de qualidade, técnica e assistência, vertentes onde esta empresa sanjoanense sempre deu cartas.
Líder de mercado a nível europeu, a Cipade trabalha ainda com diversos outros sectores, nomeadamente, das indústrias do papel, madeira, ou componentes automóveis, com aposta ainda na área dos revestimentos.
Em “exportação directa”, a Cipade envia para o estrangeiro cerca de 17 por cento da sua produção, tendo clientes em vários países, “desde nichos como Alemanha, França, Suécia, Holanda e outros como mais abrangentes Israel, Palestina, Marrocos, Republica Dominicana, Rússia, Moçambique, Índia, Cuba”, continuando o calçado a ser o principal sector. Mas o mapa-múndi da presença da Cipade cresce exponencialmente quando analisada a “exportação indirecta”, através dos seus clientes, que ronda os 90 por cento.
Precisamente para responder ao desafio da exportação, a Cipade foi pioneira no desenvolvimento da tecnologia que permite a exportação dos seus produtos para produção à distância, sem divulgação das respectivas fórmulas, disponibilizando apenas o conhecimento e método de mistura de solventes. Este sistema, adaptável a uma grande variedade de colas e de mercados, permite não só melhorias ao nível da segurança de transporte (uma vez que não são transportados solventes, logo o produto não é inflamável, e não há risco de deterioração), como apresenta vantagens ao nível das economias de stocks por parte do cliente (cada caixa de sólidos permite fazer 100 quilos de cola) e de energia (reduz o tempo de produção). Este sistema, em que a Cipade aposta na formação ao cliente e assistência pós-venda, chega a países como a Siria, Paquistão, Índia.

“A qualidade continua a ser o nosso lema”

Muito mudou no mundo e na indústria em cinco décadas. “Há 50 anos não imaginava que bastaria carregar num botão”, partilhou José Martins, que juntamente com Carlos Caldas recorda o tempo em que as matérias-primas eram carregadas a braço e força.
Mas apesar de todas as inovações e desenvolvimentos, a “qualidade continua a ser o nosso lema”, garantem os responsáveis. Isto a par com um rápido serviço ao cliente que conta com “assistência técnica em permanente acompanhamento” por parte da Cipade.
Na análise aos desafios de futuro, Pedro Pinho sublinha que hoje “é necessária uma destreza de agilidade na formulação” para “servir cliente com a mesma qualidade e a mesma finalidade, a um preço competitivo”.

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