Um elogio, uma sugestão e um desabafo
18-01-2018 | por Abel Paiva da Rocha
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1. Um elogio e uma sugestão para o Sr. Ministro da Agricultura
Há semanas atrás, a propósito da reação do governo aos incêndios, foi dito aqui que este nada estava a fazer no sentido de controlar minimamente o negócio das madeiras ardidas; e que, se nada fosse feito, isso significaria que alguns dos intervenientes neste negócio iriam ter enormes ganhos injustificados à custa dos proprietários que foram vítimas dos fogos.
Do mesmo modo que se deu aqui o alerta sobre este problema, cumpre agora também manifestar regozijo pelo apoio do governo à criação de parques de armazenamento e à fixação de um preço mínimo por tonelada de pinho ardido. [Note-se que um pinheiro demora cerca 30 anos para poder ter pleno aproveitamento comercial e que, portanto, os incêndios do último Verão terão um grande impacto económico e social, não só a médio mas sobretudo a longo prazo]. Assim, é da mais elementar justiça manifestar público reconhecimento e elogiar o Sr. Ministro da Agricultura, Capoula Santos, pelo seu esforço no sentido de minimizar este infortúnio de forma atempada e eficaz.
Aproveita-se também esta oportunidade para informar os potenciais interessados de que os parques de armazenamento estão obrigados a pagar aos produtores um mínimo de 46 euros por tonelada de madeira cortada e 25 euros por madeira por cortar, para poderem ter acesso aos apoios do governo. Segundo o programa agora apresentado do Ministério da Agricultura, os apoios do governo serão de 4 euros/tonelada ao produtor e 3,5 euros/tonelada ou 3 euros/tonelada ao armazenista, conforme o armazenamento for feito com ou sem rega.
Já agora importa chamar à atenção para o desequilíbrio existente na medida que obriga os proprietários dos terrenos a limparem os mesmos num raio de cinquenta metros, definido a partir das casas próximas.  Com efeito, este normativo, a crer nas informações difundidas pela comunicação social, faz recair apenas nos proprietários dos terrenos o ónus da dita limpeza e isenta os donos das casas dos respetivos encargos. Ora, sendo estes últimos os mais beneficiados, não seria razoável exigir-lhes também uma participação nestas obrigações?

2. Um desabafo, que é também uma preocupação e um protesto
Já muito se tem dito e escrito sobre a Autoeuropa por boas e más razões. Foi uma empresa trazida para o nosso país na vigência dos governos de Cavaco Silva, na década de noventa do século passado. A instalação de uma unidade da Volkswagen em Portugal foi entendida então como um grande sucesso dos nossos negociadores políticos, diplomáticos e industriais e uma aposta ganha no âmbito da incorporação e repercussão de uma indústria tecnologicamente muito avançada num tecido empresarial muito atrasado como era, e continua a ser, o nosso.
Infelizmente, a memória histórica dos povos é, por vezes, muito curta e isso faz com que se desvalorize ou, pelo menos, não se reconheça devidamente valor do esforço desenvolvido pelos nossos antepassados para atingir grandes objetivos coletivos. Este é certamente o caso dos atuais trabalhadores da Autoeuropa que, porventura por falta dessa memória, estão presentemente a pôr em causa a confiança antes conseguida com as suas desajustadas reivindicações.
Na verdade, sabendo-se que o salário médio da empresa é de cerca de 1300 euros por mês e que o sábado é pago a 125%, como é que se pode compreender que não concordem trabalhar por turnos ao sábado com o argumento de que isso prejudica a família? Se este se considera um argumento razoável, que dizer de muitas outras profissões que exigem o mesmo sacrifício e, muitas vezes, com menos encaixe financeiro? Os trabalhadores dos ramos da Saúde, da Educação, da Segurança, do Comércio, da Engenharia, por exemplo, não têm de trabalhar também ao sábado? Não é verdade que atualmente há muitos licenciados a ganhar mil euros mensais, trabalhando mesmo nas suas áreas de formação específica? Que move os trabalhadores da Autoeuropa? A convicção de que a empresa não se deslocaliza porque fez recentemente grandes investimentos? Interesses politico-partidários ou sindicais? A ganância que leva a olhar apenas para o próprio umbigo e esquece de que muitas outras empresas e trabalhadores dependem da sua? A perceção da indispensabilidade da empresa no contexto geral do país?
E se a Administração Alemã decide mesmo ir transferindo a produção de carros para outros países? Francamente, há comportamentos que, pela sua insensatez, merecem que os próprios se vejam confrontados com as respetivas consequências... O problema é que quase sempre “os justos pagam pelos pecadores”!...
Importa denunciar estas situações para que... haja mais ponderação! Para o bem de todos.

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