Gustavo Giacosa visitou Núcleo de Arte da Oliva, em S. João da Madeira
Curador da bienal de Arte Bruta de Lausanne prepara próxima exposição da coleção Treger/Saint Silvestre
18-01-2018
Ator e coreógrafo italo-argentino é um grande apreciador e estudioso deste género de arte.
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Admirador de Arte Bruta, da qual que é um profundo conhecedor, o ator e coreógrafo italo-argentino Gustavo Giacosa deslocou-se ao Núcleo de Arte da Oliva, em S. João da Madeira, para ver de perto uma das maiores coleções privadas a nível mundial nesse género artístico, reunida por Richard Treger e António Saint Silvestre.
 Gustavo Giacosa realizou uma visita à exposição “In and out of Africa”, acompanhado por António Saint Silvestre e por Andreia Magalhães, diretora do Núcleo de Arte da Oliva. Nesta mostra, que está aberta ao público até 7 de abril, é apresentada quase uma centena de obras de arte bruta e outsider, essencialmente de artistas de origem africana.
 Essa é apenas uma parte das cerca de mil obras que integram a coleção que se encontra em depósito no Núcleo de Arte da Oliva e que valeu a Richard Treger e António Saint Silvestre o prémio Colecionador atribuído em 2017 pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM).
 
“Uma pérola rara”

Gustavo Giacosa aceitou o desafio dos colecionadores para ser o curador da próxima exposição com base neste acervo único na Península Ibérica, cuja  elevada qualidade e diversidade o impressionou fortemente.
 Além da sua ligação aos palcos, Gustavo Giacosa, que se encontra radicado em França onde dirige a companhia teatral SIC.12, tem desenvolvido nos últimos anos uma pesquisa sobre a relação entre a arte e a loucura, tendo sido comissário de várias das exposições mais interessantes realizadas na Europa sobre este tema, entre as quais a que se insere na 3.ª Bienal de Arte Bruta a decorrer até finais de abril em Lausanne, localidade suíça detentora de uma das maiores coleções do género a nível mundial.
Esse acervo tem origem na doação a Lausanne da coleção de obras do artista francês Jean Dubuffet (1901-1985), a quem se deve precisamente o aparecimento da designação “Arte Bruta”, em 1945, identificando criações artísticas produzidas por quem não tem ligação ao mundo da arte, geralmente autodidatas e, em muitos casos, pessoas com problemas de saúde mental.
Gustavo Giacosa considera que «a Coleção Treger/Saint Silvestre é uma pérola rara que enriquece o património cultural português”, afirmando sentir-se “muito honrado por ter sido convidado a criar uma exposição a partir da singularidade deste acervo”.
 
“Histórias de Violência”

Com inauguração prevista para meados de abril deste ano no Núcleo de Arte da Oliva, a nova exposição terá como título “Histórias de Violência” e incluirá pinturas, esculturas e desenhos de arte bruta e arte singular, estarão reunidas à volta dessa temática comum.
Citando Jean Dubuffet, o curador lembra que “a arte bruta caracteriza-se por uma violência na sua fonte de criação e, ao mesmo tempo, por uma aspiração à liberdade”. Assim, “estes artistas não se contentam em representar a violência, pelo contrário, eles superam-na pela força de um gesto artístico com contornos simbólicos e universais”, afirma Gustavo Giacosa.
Refira-se que, além de “In and Out of Africa”, estão atualmente patentes no Núcleo de Arte da Oliva, em S. João da Madeira, outras duas exposições de grande qualidade: “Limiar da Vida”, com obras de arte contemporânea da Coleção “Norlinda e José Lima”, e “Silvestre Pestana: Um Artista de Contraciclos”, que se insere num programa de apresentação de obras da Coleção de Serralves.

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