Como é bom recordar!...
11-01-2018 | por Maria de Lourdes
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Há tempos, passei  por um escaparate de uma livraria num centro comercial do Porto e, entre muitas obras expostas, vi exemplares dos meus livros da escola  primária. Foi com muita saudade  que recordei  histórias neles contadas que me tocaram tão profundamente, pelo que  não resisto a contá-las.
«Um dia uma criança virou-se para a mãe que, com ternura a acariciava, e per­guntou-lhe:
- Mãezinha, por que é que tu és tão linda, tão boa, tão meiguinha e Jesus te deu umas mãos tão feias, tão horríveis, que até me custa olhar para elas?...
A  mãe, comovida, começou assim:
- Oh meu pequenino, um dia, um bebé lourinho dormia tranquilamente no seu bercinho, forrado de rendas  fininhas. Próximo deste cintilava uma lamparina, porque o escuro lhe metia muito medo.
Depois, e talvez porque algum vento tivesse entrado pelas frinchas das portas, a caminha do bebé começou a arder. Então a mãe, sempre atenta para poder vigiar o soninho do menino, solta um grito, corre alucinadamente para o pequenino e tira-o do meio das chamas. Rapidamente o coloca na cama que havia ao lado, sem um único ferimento ou queimadura.
Imediatamente a seguir, num rasgo de coragem e de heroísmo e quase em  desvario, vai apagando as chamas com as mãos, e lançando ao chão os trapos ainda a arder, vai-os pisando com os pés, conseguindo assim dominar o incêndio. Contudo, aquelas mãos tão perfeitinhas, tão macias, tão delicadas nunca mais foram as mesmas. Ficaram para sempre deformadas, feias, devido às terríveis queimaduras que tiveram de suportar para salvar o bebé.
A criança não a deixou concluir.  Agarrando-se ao seu pescoço e dando-lhe muitos beijinhos, disse: - As tuas mãos são as mais belas do mundo!...
Ao ouvir isto, esta mãe não pôde conter as lágrimas, agradecendo a Deus a alegria de poder estreitar nos seus braços, naquele momento, o seu filhinho querido».
Uma outra história que também nunca mais esqueci e que vinha num desses  livros da escola primária é mais divertida e até engraçada.
«O Joãozinho queria  comprar um brinquedo, mas a mãe dizia-lhe:
 - Filhinho, agora não pode ser! O dinheiro é preciso para outras coisas. De facto, ele via a mãe todos os dias a fazer contas e mais contas, pois o dinheiro era realmente pouco.
Então, como é que o Joãozinho tentou resolver o problema. Começou a ajudar a mãe, pois ele via os vizinhos a pagar às pessoas que lhes faziam os trabalhos.
Um dia de manhã, a mãe chega à cozinha e vê um  papel  em cima da mesa com umas contas feitas pelo filho, a saber:
- Varrer a casa.... 5 tostões
- Pôr a mesa.... 1 tostão
- Lavar a louça.... 2 tostões
- Apanhar lenha ....10 tostões
- Buscar água.... 5 tostões
- Soma.... 23 tostões
A mãe deixou em cima da mesa essa quantia. O Joãozinho saltou de alegria, pois  já tinha dinheiro para o seu brinquedo preferido.
No dia seguinte, ele reparou que estava em cima da mesma mesa um papel com outra conta:
-Todas as vezes que me levantei de noite para te cobrir.... 0 tostões
-Pelas noites mal dormida.... 0
-Pelas vezes que não comi, para que a comida chegasse para  ti.... 0
-Pela pouca roupa que eu tinha, para que tu pudesses andar bem quentinho.... 0
-Pelos remédios que tive de comprar para não te ver sofrer.... 0
-Pelo frio que apanhei a lavar os teus paninhos e a tua roupinha.... 0
-Soma.... 0
 Ao ler esta conta, o Joãozinho - estarrecido, envergonhado - pediu desculpa à mãe, dizendo-lhe ternamente:
- Obrigado mãezinha!... Depois, a correr, foi buscar o dinheiro que tinha cobrado à mãe pelas tarefas que tinha realizado e devolveu-lho».
Estas e muitas outras histórias tinham um fundo moral e ajudavam os alunos  a ter na vida comportamentos positivos.

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