Bonnie & Clyde
11-01-2018 | por Manuel Martins
Estatísticas

151 Visualizações

Outras Acções
Comentar Imprimir Aumentar Diminuir Restaurar

Os argumentos das telenovelas repetem-se à exaustão: há sempre um vilão principal, personagens cómicas, crime, castigo e um casal romântico de heróis. A julgar pelo insinuado na investigação sobre o caso da Raríssimas, continua a haver um casal romântico. Mas este é de vilões. A presidente da Raríssimas definiu bem a coisa: “O guito há de aparecer.” Ela sabia - porque aprendeu com as dificuldades - que é preciso estar na mó de cima e para isso é bom ter os amigos certos. No episódio político da Raríssimas está uma história patética do regime e da oligarquia dominante. Ela compreendeu bem a natureza do nepotismo e da endogamia portuguesas onde se preparou para dar uma olhadela às genealogias da banca, da administração pública e da vida política, estendeu as armadilhas apropriadas e teve benefícios que julgava normais aos que se praticam habitualmente, e a preço de mercado, como percebeu. A critica é sim motivo suficiente, mas não a intuição clara ao lidar com a oligarquia a fim para estar na mó de cima, como ajuizadamente escreveu. Nada existe de novo no caso Raríssimas para que não exista no regime familiar que vem de 1834 até hoje, com poucas e inócuas convulsões. Lições que vêm na literatura desde há séculos: ela regressa a casa e assistirá ao desfile dos que vão dizer que, afinal, não a conheciam. É certo que o caso da Raríssimas está, obviamente, a ser empolado muito para além da importância objetiva que realmente tem. O Estado - e o contribuinte - perderam quase uma dezena de milhões de euros com os bancos, cujos processos, a relembrar o caso dos submarinos que se devem juntar, mais uns pares de milhares de milhões. Por tudo isto e seguindo a zaga dos megaprocessos que ainda pode estar para vir, de mais umas dezenas de milhares de milhões. A Raríssimas pode ascender, em alegado desvio de dinheiro para ordenados, nepotismo, favorecimento, viagens, compras injustificáveis e avenças, uns pindéricos dois ou três milhões. Não tem comparação nos números. Mas tem comparação nos princípios, sobretudo para o cidadão comum, cada um destes cêntimos pode ter o simbolismo de mil milhões dos outros casos. Daí o ávido interesse da opinião pública pelo caso, denunciado dando o empolamento que merece derivado aos escândalos que a nossa sociedade tem assistido aos dias de hoje.

Comentar

Anónimo