Órgãos sociais da Associação de Bombeiros tomaram posse
Carlos Coelho define prioridades para novo mandato
11-01-2018 | por Joana Gomes Costa
Os órgãos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira (AHBVSJM), eleitos para o triénio 2018-2020, tomaram posse no passado dia 8, numa cerimónia realizada no Quartel Sede. No seu discurso de posse, Carlos Coelho, o presidente reeleito, abordou as dificuldades transversais aos corpos de bombeiros do país, reclamando mais apoio, em especial por parte da Câmara Municipal. Entre os objectivos deste mandato está a concretização da segunda fase das obras de ampliação e requalificação do Quartel Operacional, assim como a criação da segunda equipa de intervenção permanente (EIP), a profissionalização a 100 por cento da central de telecomunicações ou a renovação progressiva da frota automóvel afecta aos serviços de saúde, entre outros.
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A cerimónia de tomada de posse dos órgãos sociais da AHBVSJM, eleitos em sufrágio realizado em Dezembro último, arrancou com a intervenção de Domingos Ferreira, que, ao fim de 19 anos, se despediu do cargo de presidente Assembleia-Geral, assumindo agora a posição de presidente do Conselho Fiscal.
Neste momento, Domingos Ferreira fez questão de deixar palavras “de afecto, gratidão e gratificante recordação”, lembrando a forma como foi convidado a entrar nos órgãos da Associação. “Passados 19 anos digo que valeu a pena”, afiançou, dirigindo palavras a todos com quem trabalhou ao longo deste período.
Foi Domingos Ferreira que deu posse ao novo presidente da Assembleia-Geral, Ângelo Sousa, que por sua vez empossou todos os restantes órgãos sociais.

As prioridades do mandato

Assumindo esta como “’A’ tomada de posse”, o presidente reeleito, Carlos Coelho, partilhou com os presentes que equacionou se “não seria esta – época de mudanças na cidade – a altura ideal para dar lugar a novos dirigentes que pudessem trazer novas ideias e projectos”. No entanto, disse que, “face à insistência de algumas pessoas a quem nunca poderia dizer que não”, ele e a sua equipa foram convencidos a “apresentar recandidatura a mais um mandato”, o qual o próprio já assumiu que deverá ser o último.
Carlos Coelho assume que “a tarefa não é fácil”, mas aponta a confiança de ser “apoiado e acompanhado por uma equipa forte, coesa, interessada e competente” que irá “contribuir para um crescimento responsável, saudável e sustentável desta Associação Humanitária”.
Ao longo dos últimos 19 anos, o presidente da Associação diz ter-se confrontado com “diferentes fases”, “umas mais difíceis de que outras”, mas garantiu “partir para este mandato com energias renovadas, com ideias e projectos”.
Entre as prioridades que definiu para o triénio que agora se inicia, Carlos Coelho enumerou objectivos como o lançamento de uma campanha de angariação de novos sócios e actualização da lista actual; a “renovação progressiva” da frota automóvel com ênfase nas viaturas ao serviço da saúde e socorro; a profissionalização a 100 por cento do serviço de central de telecomunicações; ou a criação de “condições financeiras que permitam a constituição de uma segunda equipa de intervenção permanente (EIP)”.
Carlos Coelho assume também a intenção de “retomar os contactos junto da Câmara e não só”, com o objectivo de “tornar realidade” a segunda fase das obras de ampliação e requalificação do Quartel Operacional das Travessas, possibilitando o aumento da “capacidade logística”, com a criação de espaços e equipamentos como cozinha, refeitório e churrasqueira, uma oficina e espaços de lavagem auto, bem como uma sala de crise e gabinetes de protecção civil municipal, entre outros.
“Nesta casa, o trabalho nunca está concluído”, afiançou o presidente da AHBVSJM, dirigindo o seu discurso ao presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, de quem destacou a “grande sensibilidade para os assuntos de bombeiros e protecção civil”. Carlos Coelho sublinhou que o actual executivo repôs “a justiça e legalidade” ao assegurar o pagamento municipal da verba devida para a equipa de intervenção permanente (EIP).
No entanto, o dirigente ressalvou que a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários “não é nem nunca poderá ser considerada como outra qualquer instituição da cidade” e, sublinhando não menosprezar as restantes instituições, manifestou o seu lamento por o subsídio anual atribuído pela autarquia aos bombeiros estar “praticamente inalterado há 20 anos”.
Destacando o “trabalho de excelência” desenvolvido pelo corpo de bombeiros nos mais variados serviços e actividades que prestam, sendo este “o principal agente de protecção civil municipal”, Carlos Coelho considera que o actual executivo municipal tem “o desafio de ficar na história desta associação, do seu corpo de bombeiros e da própria cidade como os autarcas que, ao fim de 20 anos, terão a oportunidade de, responsavelmente, deliberarem uma actualização justa e correcta do subsídio anual a atribuir à Associação de Bombeiros, contribuindo para a sua sustentabilidade”.
Paralelamente, Carlos Coelho defende a elaboração de um “contrato-programa” entre a Associação Humanitária e a Câmara Municipal.
“Entendo ser esta a altura de pensarmos mais à frente, até porque o actual status quo que se vive nos bombeiros está a caminhar muito rapidamente para o fim da linha”, alertou Carlos Coelho, sublinhando que vários municípios do país estão já à alerta para esta situação. Dirigindo-se ao presidente da Câmara, defendeu que “ficará incomparavelmente mais confortável e sustentável aos cofres do município apoiar mais e melhor os bombeiros que temos, do que suportar, num futuro mais ou menos próximo, custos de vários milhões de euros anuais com um corpo de bombeiros municipal”.
“Igualmente importante e necessária” é a criação de incentivos “à carreira de voluntariado nos bombeiros”.
No final do seu discurso, Carlos Coelho deixou também palavras aos eleitos, aos que cessaram funções, assim como ao Comando e corpo de bombeiros.

Autarca  garante apoio

O presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Jorge Sequeira, concordou com as palavras de Carlos Coelho e com a ideia de que “o voluntariado dos bombeiros é diferente de todos os outros”, sendo que o que o distingue é a “circunstância de ser o único, em cujo exercício, quem o pratica está disposto a entregar a vida pelos outros”. E lamentando que, praticamente todos os anos se registem mortes de bombeiros em serviço, o autarca considera que “esta característica única é algo que nos deve mobilizar, tocar e sensibilizar para a luta diária que os bombeiros travam”.
Sublinhando o “orgulho” de todos no corpo de bombeiros sanjoanense, que “prestigia a nossa cidade no contexto distrital e nacional” e defendendo consequência com estas palavras, Jorge Sequeira lembrou o aumento de “30 por cento no subsídio corrente” já vertido no Orçamento da Câmara para este ano, respeitante ao financiamento da EIP.
Mesmo sendo este um “passo significativo”, Jorge Sequeira garantiu que “não vamos ficar por aqui”, avançando estar a ser preparado um “regulamento para atribuição de benefícios aos bombeiros voluntários de S. João da Madeira” e dizendo-se “disponível para estudar outras formas de apoio”.
O presidente da autarquia assumiu que convocará brevemente o “comissão municipal de protecção civil” com vista à “revisão do plano municipal de emergência”.
“Estamos a iniciar uma relação com a direcção e o Comando, que tenho toda a convicção de que será frutuosa”, referiu.
Além do voluntariado do corpo de bombeiros, Jorge Sequeira deixou também uma palavra aos empossados, reconhecendo que a sua tarefa também “é difícil”, destacou ainda a dedicação deste trabalho, também ele voluntário.
O Comandante dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, Normando Oliveira, manifestou o esforço e caminho conjunto entre o corpo de bombeiros e a direcção, recordando “todas as preocupações” para as quais tem vindo a alertar quanto ao “momento actual” dos bombeiros.
Na dificuldade de recrutar novos bombeiros voluntários, Normando Oliveira apontou o dedo à “burocracia a mais” que acaba por bloquear “muitas pessoas e muita boa-vontade para entrar nos bombeiros com estas questões”.
Coube a Ângelo Sousa, o novo presidente da Assembleia-Geral, encerrar a cerimónia, tendo considerado que, se houve apenas uma única lista candidata, é sinal de que “os sanjoanenses estão satisfeitos com as soluções apresentadas para o futuro”.
“Que a Associação tenha um futuro digno do seu passado”, concluiu, com um viva aos Bombeiros de S. João da Madeira.
No final da cerimónia, o artista Armando Tavares de Almeida ofereceu um novo quadro comemorativo à AHBVSJM.

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