S. João da Madeira
Santa Casa faz proposta para adquirir Centro Social de Fajões
07-12-2017 | por António Gomes Costa
A Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira propõe-se assumir as respostas sociais do Centro Social Dr.ª Leonilda Aurora da Silva Matos, na Vila de Fajões, em Oliveira de Azeméis, caso os credores viabilizem a operação. O Centro Social tem dívidas elevadas, o que pode implicar o encerramento da sua atividade. A transmissão à Santa Casa impediria o encerramento das respostas sociais. O convite veio do Administrador Judicial da Insolvência, por sugestão do diretor da Segurança Social de Aveiro.
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Tratar-se-á de uma das maiores apostas de sempre da Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira (SCM). O Centro Social (CS) Dra. Leonilda Aurora da Silva Matos, da Vila de Fajões, em Oliveira de Azeméis, pode vir a vai ser gerido pela Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira já no próximo ano, caso os credores viabilizem a proposta que fez.
Tudo começou com um desafio lançado pelo diretor da Segurança Social de Aveiro e pelo Administrador Judicial da Insolvência do Centro Social desta vila oliveirense, em reconhecimento de uma elevada “capacidade administrativa” na instituição de S. João da Madeira.
O convite surge para dar resposta a um problema de “falência” total do Centro Social, pretendendo-se manter 63 postos de trabalho e, sobretudo, manter em funcionamento um Lar de Idosos para 45 utentes, um Centro de Dia para 30, um Serviço de Apoio Domiciliário para 35 idosos isolados, e uma Creche e um Ensino Pré-Escolar para 20 crianças, cada.
Sucedendo o acordo, a SCM assumirá todas estas respostas sociais, garantindo “contratos de trabalho com cerca de 95 por cento dos colaboradores” e indemniza os credores numa “quantia que poderá ir até ao valor de 1,8 milhões de euros, em condições a negociar”.
Relativamente aos bens imóveis da instituição (terrenos e edifícios), as Finanças atribuíram o valor patrimonial tributário superior a 2,3.milhões de euros. Sabe-se também que o passivo do Centro Social ascende a mais de 7 milhões de euros, sendo assumido pela Massa Insolvente.
O estudo efectuado pela SCM aponta para a possibilidade de, após significativas alterações na administração do Centro Social, este poder vir a libertar todos os anos valores “ligeiramente superiores a 75 mil euros”. Os bens imóveis do Centro Social serão dados como garantia de pagamento, passando, no ato da transmissão do Centro Social, “imediatamente, à nossa propriedade plena”, explica o provedor.

“Corajoso desafio”

Segundo conseguimos apurar, foram convidadas cinco instituições do distrito de carácter social, mas apenas uma, para além da Santa Casa, terá apresentado proposta, tendo esta sido “liminarmente recusada”. As demais instituições declinaram o interesse.
Este “corajoso desafio” permitirá à SCM aumentar a sua actividade em mais de 25%, entrando também em novas áreas como o atendimento à deficiência e o apoio domiciliário, uma vez que foi recentemente construído, por aquela instituição, um Lar Residencial no lugar do Pisão, em Fajões, para acolher 24 portadores de Deficiência, e Apartamentos de Autonomização, para 10 utentes. Trata-se de um investimento superior a um milhão de euros que “está em risco de não iniciar a sua acção. Esta tipologia de equipamentos, que vem sendo muito acarinhada pelos últimos governos, vem permitir o combate a uma das maiores lacunas que se encontram na estrutura social do país”, explicou-nos o provedor.
O certo é que há muito que a Santa Casa da Misericórdia é conhecida e reconhecida como a maior instituição de carácter social do distrito de Aveiro, prestando também serviços a cidadãos de fora do concelho. Só na Unidade de Cuidados Continuados, 90% dos doentes são oriundos de outros concelhos. O mesmo acontece com as crianças que frequentam as várias respostas sociais da instituição sanjoanense. “É uma honra para a instituição poder servir uma área tão alargada e é o reconhecimento pelas populações do esforçado serviço que prestamos”, afirma José Pais Vieira, provedor da SCM. A assembleia-geral da Misericórdia aprovou o abraçar deste desafio por unanimidade.

“Solução encontrada foi a melhor”

Óscar Teixeira (PS), presidente da Junta de Freguesia de Fajões, garantiu-nos que, apesar de querer que “este espaço continuasse como sendo uma entidade da vila”, considera que esta “solução encontrada foi a melhor” , para permitir que o CS possa manter nesta vila as instalações abertas e a funcionar em pleno. Apesar de não conhecer bem “todo o processo” que arrastou esta IPSS para esta situação, assegura que não “é fácil” para os populares perder “uma instituição que foi construída na base de uma doação por grande benemérita” desta localidade, “que tudo fez para que fosse possível existir o que existe a nível de CS”, mas que, por “infortúnio do destino, a situação ficou caótica com insolvências consecutivas”, deixando a instituição “sem grandes saídas”.
Óscar Teixeira entende que a situação chegou a este ponto, ao que tudo indica, por “má gestão ao longo dos tempos” e reconhece que “possivelmente não se esgotaram todas as forças para resolver o assunto”, para que a CS ficasse na vila, não apontando, no entanto, outras soluções.  Aquilo que sabe é que neste momento a Junta de Freguesia também não tem condições financeiras para ajudar. “A situação financeira é muito complicada”, garantiu.
 

Comentários
Anónimo | 08-12-2017 11:43 Credores
Pois muito bem! Mas, dia 10, 2ª feira , está marcada uma audiencia de credores em tribunal..... muitos funcionários, fornecedores e duas Instituições Bancárias, sendo que estas últimas reclamam o Imobiliário Total ---»vai ser dificil esses 2 tubarões aceitarem a resolução proposta, assim tão facilmente, pois sabemos que o bom senso e a humanidade não são factores que os caracterizem.

Sem dúvida alguma que que é uma pena o caminho que se fez, até se chegar aqui! Não foi honrada a vontade da grande benemérita Drª Leonilda Aurora da Silva Matos, a qual queria somente ajudar a comunidade, criar valências dignas (isso a Instituição tem)... queria que o seu legado servisse crianças, idosos, doentes... não imaginava, suponho, que meia dúzia se servissem da Instituição, guiando-a até um beco escuro. :(


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