Rua da Liberdade tem 20 azulejos com a imagem da roda dentada
«Comércio Nosso», projecto para “combater a infoexclusão”
07-12-2017 | por António Gomes Costa
Os azulejos chamam a atenção de quem passa. Até ao momento, foram colocados 33, mas o objectivo é chegar aos 50 estabelecimentos aderentes até o final do ano. O projecto «Comércio Nosso», que a nível local é apresentado como «São João Nosso», é uma forma “inteligente de despertar o consumidor e é considerado pela Associação Comercial de S. João da Madeira “um veículo comunicador com a população”.
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O processo é simples. Basta encostar ou simplesmente apontar o telemóvel ao azulejo e esperar alguns segundos para aceder a toda a história do estabelecimento comercial, até aqui desconhecida pela maioria dos sanjoanenses.
A Rua da Liberdade, em S. João da Madeira, recebeu, na passada terça-feira, dia 5, os primeiros azulejos no âmbito do projecto «São João Nosso». Numa cerimónia “simbólica”, e depois de terem sido já colocados anteriormente 13, foram colocados mais 20 azulejos “inteligentes”, instalados na entrada das lojas comerciais que se associaram ao projecto. Isso significa que, em S. João da Madeira, foram já colocados 33 azulejos e é vontade da Associação chegar ao fim do ano com 50.
Trata-se de uma iniciativa já apresentada à cidade pela Associação Comercial de S. João da Madeira em Maio deste ano e que pretende “ser uma ferramenta que estará ao serviço de todos os que queiram tornar o comércio uma maior atracção, sendo uma solução inteligente para comunicar com o consumir”, garantiu-nos Paulo Barreira, presidente da Associação Comercial de S. João da Madeira.
O projecto já chegou a Aveiro (cidade onde nasceu o projecto), Porto, Lisboa e S. João da Madeira, cidade onde o trabalho é feito de forma “mais integrada”, com o apoio da Associação Comercial sanjoanense.

“As ruas sem  comércio são  muito tristes”

Em cada cidade, a localização do projecto e a imagem do azulejo é adaptada, sendo que em S. João da Madeira foi escolhida a imagem da roda dentada, associada ao Turismo Industrial.
Falando aos jornalistas, Paulo Barreira, assumiu que os comerciantes sanjoanenses viram neste projecto “uma forma de combater a infoexclusão” e encaram a iniciativa como um meio de divulgação, além de “criarem um espólio cultural do comércio”, uma vez que vão contar a sua própria história. E essas são muitas.
Numa das casas comerciais, descobrimos que o nome foi escolhido pelos sanjoanenses, através de um concurso “onde o prémio foi de 500 escudos”, feito na altura, nas páginas de ‘O Regional’. Outro dado curioso é que o falecido Carlos Paião (cantor) vinha todos os meses comprar sapatos a uma loja no centro da cidade. São estas histórias, guardando assim o património e memórias que o comércio de S. João da Madeira tem, um dos principais objectivos do «Comércio Nosso».
Paulo Barreira reforça que “as ruas sem comércio são muito tristes” e, nesse sentido, a Associação Comercial de S. João da Madeira, fundada a 24 de Novembro de 2016, nasceu para “estar sempre ao lado dos comerciantes”. Este responsável acrescenta: “com esta iniciativa, o comércio percebeu que a Associação está a fazer algo diferenciador”, aproximando as “necessidades do consumidor actual ao comércio”. Garante que a adesão tem sido muito “positiva”, acreditando que o projecto terá o “efeito contágio” e que os comerciantes vão perceber que “tipo de sinergia é que este projecto vai criar no comércio local”.
O projecto pode ser apresentado como uma ponte «entre o físico e o digital para os lugares, as pessoas e as suas memórias». «Uma ligação directa da rua para o mundo num formato inovador, que combina da familiaridade do letreiro com o potencial dos dispositivos móveis», pode ler-se no site do projecto.
Inês Carvalho, uma das mentoras do «Comércio Nosso», referiu que este é um projecto que nasceu com a ambição de ser a nível nacional, estando já a ser planeado “que outras casas portuguesas lá fora possam integrar este projecto”, pois “é através do comércio que se descobrem as histórias mais fabulosas que atravessam de geração em geração”, e que muitas vezes “ficam por detrás do balcão, pois não têm tempo de as contar”.

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