Rua dos Combatentes da Grande Guerra
Presença dos sem-abrigo incomoda populares na cidade
23-11-2017 | por António Gomes Costa
A condição em que vivem três sem-abrigo na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, em S. João da Madeira, está a revoltar populares e comerciantes. Apesar de reconhecerem que os mesmos não são “mal-educados ou agressivos”, lamentam que tudo isto se passe junto a um infantário, onde as crianças presenciam um cenário nada enriquecedor para uma cidade conhecida pela sua qualidade de via. A existência de sem-abrigo na cidade é uma das prioridades do município.
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Há quem não goste de lhes chamar sem-abrigo mas moradores de rua. Ninguém fica indiferente ao passar na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, em S. João da Madeira, ao verificar a presença de três pessoas a dormirem ao relento.
As casas abandonadas são por norma o refúgio escolhido por estas pessoas, mas este três homens, com idades a rondar os 30 anos, escolheram o vão das escadas de um prédio, junto a um infantário e a uma clínica na cidade, para ali construírem a sua “casa”.
“Não são mal-educados, não fazem mal nem se metem com as pessoas. Não é nossa vontade retirá-los daqui para outro ponto da cidade”, refere Maria Luísa, considerando tratar-se de uma questão “humana, de pessoas que necessitam de uma ajuda, de uma oportunidade na vida”, reforça esta sanjoanense, que lida diariamente com a presença destes três homem, “seguramente há mais de um mês”.
Não é a primeira vez que o “trio” ocupa este local. “Já por cá andaram há alguns meses. Começou inicialmente por um e o número tem vindo a aumentar”, acrescenta esta moradora, que alerta para a situação de “saúde pública que está em causa”.
Segundo conseguimos apurar, estes sem-abrigo passam muitas horas neste local. Ausentam-se por pouco tempo e alguns até dormem toda a manhã. É possível encontrar no local várias mantas, cartões e embalagens de vinho vazias. “Fazem as necessidades fisiológicas na frente de todas as pessoas, num local onde existem crianças do infantário e da clínica”, que assistem a este cenário, enfatiza Maria Luísa.
A questão parece preocupar grande parte dos moradores, mas nem todos estiveram disponíveis para falar à nossa reportagem. Adiantam, no entanto, que o cheiro no local “é nauseabundo”, a PSP esteve no local há cerca de uma semana e os serviços sociais do município conhecem a situação.

“É inadmissível que em 2017 ainda existam pessoas a viver na rua em S. João da Madeira”

Por seu turno, Maria Clara, proprietária de um espaço comercial no local, confirma o “mau estar” que é vivido ali todos os dias por quem passa. “Esta é uma situação que se vem arrastando e saímos todos prejudicados”, uma vez que os clientes “têm receio de cá passar”. Esta comerciante diz não entender o “silêncio” dos moradores e dos “representantes pelo infantário de não tomarem uma iniciativa”, já que as “crianças e os seus pais verificam o que ali se passa” diariamente.
Rosa Clara explicou ainda que, além de ser frequente encontrar os indivíduos a beber ao longo do dia, considera a situação “desagradável” em todos os aspectos. “É inadmissível que em 2017 ainda existam pessoas a viver na rua em S. João da Madeira”, defendeu.
Um morador do prédio, que pediu reserva de identidade, acusa as entidades responsáveis de “nada fazer” para resolver uma questão de saúde pública. “Encontrámos dejectos, cheiro a urina, restos de comida”, apesar de reconhecer que as pessoas em causa não são “agressivas e muito menos mal-educadas”. Entende que as mesmas necessitam de ajuda e de uma “vida digna”. Mas as críticas não param. “Existe aqui um infantário, crianças a acompanharem este cenário de miséria, já aqui aconteceu um incêndio” e lamenta que a PSP, depois de ter passado pelo local, não tenha tido a “sensibilidade de perceber o quanto poderá ser violento esta imagem para as crianças”, frisou.
Sandro Gomes passava no local e, ao aperceber-se da nossa presença, referiu-nos que “isto é tudo muito bonito, mas ninguém os ajuda na verdade. Aqui, como em muitas outras situações, o que se verifica é que estas pessoas simplesmente não os querem na entrada das suas casas”, pois se estiverem noutro ponto da cidade “já ninguém sabe da sua existência”.
Este sanjoanense de 35 anos reconhece que a situação não é fácil. “Nem sempre querem ser ajudados. Não querem largar os vícios” porque não estão dispostos a aceitar as “regras” impostas pelas instituições, “preferindo continuar na rua”, o que dificulta todo o processo.
Fonte da PSP confirma que já esteve no local e abordou os indivíduos, mas “nada mais podemos fazer do que reportar a situação para as entidades competentes” (Câmara e Ministério Público).
Não são conhecidos ao certo o número de pessoas que dormem na rua em S. João da Madeira, mas, segundo os últimos dados, fixava-se nas oito pessoas.
 
Cidadãos sem-abrigo são prioridadeda câmara

O novo presidente da Câmara, Jorge Vultos Sequeira, no seu primeiro despacho, datado de 23 de Outubro, estipulou 40 dias para que a Divisão de Acção Social do Município possa elaborar um plano individual de reabilitação dirigido aos cidadãos sem-abrigo do concelho, uma execução que está a ser acompanhada pela vereadora Paula Gaio.
O município faz saber que a Divisão de Acção Social tem conhecimento desta situação e que se encontra a “trabalhar no sentido de encontrar as respostas adequadas a cada caso, em conjunto com a equipa técnica especializada que intervém no concelho neste âmbito”.
Recorde-se que o assunto dos sem-abrigo existentes na cidade é um dos objectivos prioritários do autarca, que já defendeu que, se o município tem planos para processos como licenças, obras e outros, havendo “pessoas a viver em condições inadmissíveis, também devem ser objecto de tratamento institucional e medidas formais destinadas a resolver a situação”
Naquele que foi o primeiro encontro com os jornalistas após tomar posse como chefe máximo do executivo, Jorge Vultos Sequeira afiançou que “a cidade não pode dormir tranquila quando há pessoas a viver nestas condições”. E, reconhecendo que “há a tendência para achar que as pessoas vão resistir”, defende que “deve prevalecer o princípio de insistência para auxiliar as pessoas a ultrapassar a situação em que vivem”.

Comentários
Anónimo | 23-11-2017 14:46 g
sem abrigo fico triste quando vejo estas coisas e digo para mim sozinha de quem è a culpa de ver esta mocidade sem trabalho que se encontra sem trabalho sem dinleiro vivem ao ar livre e depois è o alcool que ajuda a passar otempo o culpado è quem governa o homen nao è capaz de fazer o nessesario

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