Dia de Todos-os-Santos levou milhares aos cemitérios
“É um lugar de vivos e de mortos”
09-11-2017 | por António Gomes Costa
Os sanjoanenses deslocaram-se, como manda a tradição, aos cemitérios, para homenagear os seus mortos, na última quarta-feira, dia 1. Se, para uns, é um dia de saudade e para recordações, existe ainda quem lamente os exageros. O pároco, mais do que flores ou as velas, reforça a necessidade da oração.
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A 1 e 2 de Novembro, Dia de Todos-os-Santos e Dia de Fiéis Defuntos, respectivamente, muitos sanjoanenses honraram os mortos, rumando aos três cemitérios da cidade, para ali prestarem homenagens aos familiares e amigos já falecidos.
Na passada quarta-feira, dia 1, quem passava junto aos cemitérios não ficava indiferente à multidão de pessoas que transformava este lugar num espaço de “vivos”. A celebração religiosa teve início com a visita do pároco, acompanhado da banda de música ao Cemitério N.º 3, logo ao início da tarde, seguindo-se a missa, na Igreja Matriz e, no final, a visita aos Cemitérios N.º 1 e N.º 2.  
Para muitos, a tradição ainda continua a ser o que era, mas, para outros, não, já que dizem não entender, uma vez que “gastar muito em flores nem sempre é sinal de amor, nem de saudade”, deu-nos conta Maria Gomes, enquanto visitava a sepultura de um familiar. O certo é que, logo na entrada de todos os cemitérios em S. João da Madeira, a primeira coisa que saltava à vista eram os arranjos florais. Apesar das flores tradicionais desta época continuarem a ser os crisântemos, muitas pessoas optam por outro tipo de flor para enfeitar os seus túmulos. Decoradas cuidadosamente em floreiras e, por vezes, mais do que uma por sepultura, verificava-se ainda muitos ramos com mensagens de saudade sobre as campas, muitas velas e lamparinas ocupam uma grande parte também da pedra mármore ou granito, que em muitos casos escondiam as lápides. Se, para uns, é um dia de saudade e recordações, existe ainda quem lamente os exageros. “Existem sepulturas que hoje marcam a diferença e, durante todo o ano, estão desprezadas e sem qualquer flor ou vela” e outras “colocam aqui flores de plástico”, lamentava esta sanjoanense.

“Gratidão para com aqueles que já partiram”

Apesar de não ser de exageros nesta altura dos santos, capricha um pouco mais, pois o cemitério transforma-se num “lugar de vivos e de mortos”, já que concentra muitas pessoas. “A igreja reconhece este dia como de festa e de reflexão por quem já partiu, mas, para mim, o mais importante são as visitas que faço durante todo o ano, as velas que aqui deixo e as palavras que me fazem sentir bem”, disse à nossa reportagem Maria Gomes.
Uns metros mais à frente, encontrámos António Lima. “A visita ao cemitério é algo obrigatório. As velas que aqui deixo representam saudade e esperança”, que acredita não acabarem ali, mas que continuam “com os seus entes mais queridos”. Aos 82 anos, a sua passagem pelo cemitério faz-lhe bem, pois “tenho a oportunidade de expressar a minha gratidão a uma pessoa que amei muito e que me fez muito feliz e que, apesar de não estar fisicamente comigo, permanece no meu coração”, enfatizou.
Também Rosa Gomes considera “fundamental e indispensável” a visita aos entes que já partiram, mas não necessariamente neste dia. “Vivemos num mundo de mentiras, hipocrisia e de pura vaidade”, por isso não gasto mais nem menos por serem os fiéis. Trata-se de um dia de “gratidão para com aqueles que já partiram” que deve “perpetuar-se por todos os dias do ano”.
Para o pároco de S. João da Madeira, Álvaro Rocha, as pessoas nestas alturas devem ser “módicas nos gastos”. Para o chefe máximo da igreja, mais do que flores ou grandes sepulturas, é a necessidade de “rezar” o ano todo pelos defuntos. “Não podemos dizer que deixámos de honrar os defuntos ou o lugar onde eles estão só porque ali colocamos ou não flores ou velas”, reforçando a necessidade e a importância da oração que, ao contrário das flores ou das velas, “sempre permanece”, concluiu.

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