Povo português vítima de si mesmo
13-10-2017 | por Manuel Martins
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O dia 1 de Outubro 2017 a democracia portuguesa tem nova história. O povo soberanamente deu a conhecer aos mais céticos uma lição do que sabe e quer. A liberdade mostrou o quanto vale uma democracia, apresentando nas urnas de votos o quer e como quer ser governado. No entanto, nem tudo é pleno, a abstenção revela-se um pecado maior onde os incrédulos, comodistas e irresponsáveis entregaram as suas responsabilidades em mãos alheias. Assim se apresenta um cenário de eleitores que no desejo de falar verdade sobre uma profunda e substancial mudança em Portugal. Muito se fala em dever cívico, há no entanto, como já alguém disse, os portugueses exigem mudar as coisas, mas não são capazes (não querem, são passivos ou preguiçosos) de se levantarem da sua comodidade. O grande óbice para a efetiva mudança reside, primeiro, propor e encontrar as corretas e adequadas soluções para resolver positivamente os problemas deste país. Nunca me qualifiquei de cínico e muito menos hipócrita, sem pessimismos devo afirmar que por regra e na generalidade decorrente de uma democracia já madura temos políticos com capacidade para apresentar a tão desejada mudança nacional política, económica e social. Na base deste situacionismo e imobilismo nacional está todo um pensamento político dominante e condicionante pós-Constituição de 1976, de matriz social e democrática, com capacidades para afastar todo o tipo de procedimentos mafiosos que destrói, em geral, as instituições do Estado e, em particular, os partidos políticos com assento parlamentar dos últimos 40 anos.
Assim e modéstia à parte, penso que alguns cidadãos portugueses mais descomprometidos com a presente situação e o atual estado de coisas nacionais seriam, e são bem capazes, de apresentar boas soluções, com credíveis meios para a reforma desejada em Portugal. Todos ou quase todos sabemos que o maior problema português se reflete num sistema cultural, político e económico que, per si, veda, bloqueia e cerceia a transformação que Portugal tanto necessita e anseia para a sua própria sobrevivência. Portugal viveu de facto sob uma ditadura partidocrática de cariz mafioso, mas decisiva e crucial, sendo o seu povo, o principal agente, o maior responsável e culpado da desgraçada situação sob a qual vive. Dito assim, em jeito de nota de bom humor, mas de verdade, os portugueses mostraram que querem uma mudança, mas não se querem mudar; por outras palavras, o povo português é, sem dúvidas e muito por razão duma sua teimosa displicência, a maior vítima de si mesmo.

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