O Brasão Municipal e o Cavaleiro Mercador
06-10-2017 | por JACINTO ALVES *
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Pessoa amiga sugeriu-me para que escrevesse algo sobre a História de S. João da Madeira e das suas laboriosas gentes. Ficámos a refletir sobre a sugestão feita e acabámos por achar boa a ideia de escrever algo mais !
Efetivamente para se conhecer as características e origens históricas das gentes sanjoanenses nada melhor de que observar e analisar o Brasão Municipal, reflexo direto e profundo da história do agora Concelho de S. João da Madeira.
O Brasão Municipal do Concelho de S. João da Madeira foi concebido logo após a emancipação concelhia, em 1926, pelo então ilustre Sanjoanense, Padre Dr. Serafim Leite. Na altura, o Brasão Municipal não foi aprovado pelas entidades oficiais, por contrariar algumas das normas impostas para aquele efeito, o que presumimos que tudo se tem mantido na mesma até aos tempos presentes! Situação que interessa que venha a ser esclarecida, pois que aos Sanjoanenses de forma alguma lhes convém que tenham um Brasão Municipal que se mantém à revelia !

Convém lembrar e em conformidade com o meu artigo inserto no Jornal O Regional, edição de 16 de Junho de 2007, “ A Identidade e as linhagens das Gentes de S. João da Madeira,” o agora Concelho de S. João da Madeira, a sua povoação original de nome “Mateira” é muito antiga sendo anterior à própria nacionalidade portuguesa e segundo documentos coevos do ano de 1088, neles está mencionada a sua primeira igreja cristã, a Igreja de S. João da Madeira que já existia entre 1038 e 1088 e tudo indicando de que esta primeira igreja pertenceu aos Templários !
A Igreja em referência com a extinção da Ordem dos Templários passou a pertencer à Ordem de Cristo por determinação do nosso Rei, D.Dinis.
Quando nos referimos às linhagens das gentes da S. João da Madeira, destacamos o seguinte: Na História de S. João da Madeira, a localidade sanjoanense reproduziu-se através de duas linhagens de gentes sanjoanenses, iniciando-se a primeira linhagem com a antiga Família “ Os Madeiras”, protagonizada por Afonso Martins Madeira (ano de 1284), Cavaleiro da Casa de El-Rei, destacando-se outra Família, a dos Corte-Reais, tendo como seu iniciador João Nunes Cardoso (de Gouveia), Cavaleiro da Casa de El-Rei e da Ordem de Cristo, ano de 1496.
 As diferentes e sucessivas Famílias Nobres Sanjoanenses – os Madeiras; os Pinhos; os Pereiras de Resende; os Camossas; os Moutinhos e outros produziram, nomeadamente, vários Cavaleiros da Ordem de Cristo, todos eles prestando relevantes serviços ao seu Rei e ao Reino e curioso ! Alguns deles ligados ao Comércio e ou a actividades mercantis marítimas, tornando-se navegadores e comerciantes e como será óbvio, ligados à descoberta e expansão marítimas de Portugal !
A nosso ver, poderá ser muito interessante através da pesquisa histórica vir a descobrir novos factos sobre a vida dessas diferentes famílias que viveram ou passaram pela “Uilla de Sancto Ioanne da Mateira “ ao longo dos séculos !
Historicamente, uma Segunda linhagem se apresenta nas Famílias Sanjoanenses que se projectam até ao Século XX, tendo a primeira Família iniciado-se com Cristóvão Alão de Morais, jurisconsulto e emérito escritor clássico – anos de 1633-1693. Esta Segunda linhagem de homens ilustres e filhos de S. João da Madeira, atinge a sua máxima expressão com António Dias Garcia, cujo título de Conde foi concedido por sua Santidade o Papa, Pio IX, devido aos relevantes serviços prestados no Brasil e, igualmente por Ter sido um grande benemérito em Portugal, nomeadamente, em S João da Madeira, foi-lhe concedido pelo Governo Português, o Grau de Comendador da Ordem de Instrução e Benemerência;
Nesta Segunda linhagem, as figuras ilustres são na sua maioria representadas por homens que exerceram actividades políticas, literárias e empresariais e a alguns deles foi-lhes concedido o Grau de Comendador daquela mesma Ordem Honorífica;
Quem sabe se num futuro mais ou menos próximo alguns dos filhos ou filhas de S. João da Madeira não venham a ser agraciados com a concessão de graus de Cavalaria ou Comendas das Ordens Honoríficas Portuguesas em que é seu Grão-Mestre, Sua Excelência, o Sr. Presidente da República !?
Ainda no que se refere à Segunda linhagem de ilustres Sanjoanenses e numa nova perspectiva social, cultural e histórica esses mesmos Sanjoanenses poderão vir a ser comparados historicamente à figura quase mítica do Cavaleiro Mercador criada pela Ordem de Cristo na sua acção quando da Expansão Marítima Portuguesa.
Feita esta associação com a figura do Cavaleiro Mercador – porque na verdade este era também um empresário ! Sanjoanenses ilustres que emigraram para o Brasil e para outras partes do mundo para ali se dedicarem ao comércio e a outras actividades, entre elas praticando a filantropia, verifica-se assim uma feliz associação e uma nova filosofia social poderá ser desenvolvida em S. João da Madeira por parte dos nossos empresários que na realidade estão imbuídos dos mesmo “espírito” que um Conde Dias Garcia, ou um Corte-Real tiveram quando partiram na demanda de novos mundos e de novas oportunidades ou que na sua própria terra procuraram contribuir de forma generosa para o progresso e bem estar sociais das suas gentes.
A mudança que ao longo deste nosso artigo de opinião, temos vindo a sugerir relativamente ao Brasão Municipal da nossa Cidade, aponta para a inclusão no referido Brasão a Cruz da Ordem de Cristo e a introdução das necessárias retificações que a entidade oficial e tutelar pretende que sejam feitas.
Esta nossa proposta de mudança fundamenta-se integralmente nos pontos de vista apresentados e desenvolvidos pelo Abade João Domingos Arede, no artigo publicado no Jornal O Regional, edição de 26 de Fevereiro de 1928, denominado: “ S. João da Madeira – Sua Antiguidade e Brasão”.
Chamamos a especial para todos os Ilustres leitores do Semanário O Regional para a possível importância  do “ CAVALEIRO MERCADOR” como uma possível figura de enorme importância histórica e cultural que iria enriquecer a própria projeção nacional e internacional da Cidade e Concelho de S. João da Madeira quando na possível realização do projeto  “S. JOÃO DA MADEIRA, CIDADE DO TRABALHO E CAPITAL EUROPEIA DO IMAGINÁRIO; DO SIMBÓLICO; DO MÍTICO E DO SAGRADO».
Como já tivemos a oportunidade de referir no nosso artigo, inserto no Semanário O Regional, na sua edição de 9 de Junho de 2007, sob o título de: “Contributos para o “Anteprojeto S.João da Madeira – Cidade do Trabalho”, trata-se de um anteprojeto ambicioso e de grande amplitude, com o qual se pretendia transformar  “S.João da Madeira, Cidade do Trabalho e Capital Europeia do Pensamento Filosófico do Imaginário;do Simbólico; do Mítico e do Sagrado)”,

* Co-Fundador do Clube de Empresários de S.João da Madeira

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