Acidente Vascular Cerebral - AVC
A importância da neuroreabilitação psicológica
06-10-2017 | por Célia Monteiro Correia
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O Acidente Vascular Cerebral (AVC)
O AVC refere-se a um complexo de sintomas de deficiência neurológica, durando pelo menos vinte e quatro horas e resultantes de lesões cerebrais provocadas por alterações da irrigação sanguínea, ou seja, quando parte do cérebro deixa de ser irrigada pelo sangue ou como resultado da rutura de uma artéria cerebral. Em ambos os casos, o tecido cerebral é destruído e o seu funcionamento afetado. O AVC provoca uma elevada mortalidade e a maioria dos sobreviventes apresenta sequelas, com limitação da atividade física e intelectual e elevado custo social. Além disso, 25% dos sobreviventes de um AVC acabam por sofrer de demência.
Em Portugal o AVC é a uma das maiores causas de morte e a principal causa de incapacidade. Seis pessoas, em cada hora, sofrem um AVC, e duas a três morrem em consequência desta doença, ou seja 200 em cada 100.000 portugueses (Sá, 2009).

A reabilitação pós AVC
O processo de reabilitação pode iniciar-se durante o período de hospitalização e prolongar-se até à fase de retorno à comunidade, é moroso e muito variável podendo ocorrer em semanas ou mesmo prolongar-se por anos.
As ferramentas de avaliação e material de estimulação nos dentes com AVC são de primordial importância. A avaliação neuropsicológica é realizada recorrendo a um conjunto de testes de rastreio cognitivo, avaliação da linguagem, memória, etc., os quais devem ser realizados tendo em atenção as limitações do doente.
Dos resultados da avaliação neurocognitiva é estruturado um programa de estimulação e reabilitação neuropsicologica, tendo em conta as dificuldades manifestadas pelo doente, de forma que o tratamento seja direcionado visando a compensação dos défices e as adaptações das perdas sofridas pelo doente.
Um indivíduo com lesão cerebral poder recuperar as capacidades funcionais perdidas de três maneiras: recuperação espontânea, restituição ou compensação da função perdida. A reabilitação é possível graças à neuroplasticidade ou plasticidade neuronal na qual as células das áreas não afetadas podem assumir determinadas funções realizadas pelas células da área afetada. Trata-se da capacidade de adaptação do sistema nervoso, especialmente a dos neurónios, às mudanças nas condições do ambiente que ocorrem no dia-a-dia da vida dos indivíduos,
O prognóstico do AVC é extremamente variável. Cerca de 33% dos doentes apresentarão recuperação completa, 33% défices parciais que não comprometerão a independência e 23% ficarão completamente dependentes. A mortalidade do AVC situa-se em torno de 10% relacionando-se à própria lesão neurológica ou complicações clínicas decorrentes, principalmente infeciosas.
O êxito da recuperação depende do comprometimento e participação total do doente.

A psicologia e o papel do psicólogo na neuroreabilitação
Ainda se associa a reabilitação apenas à parte física, todavia a reabilitação consagra uma equipa interdisciplinar de profissionais de saúde de diversas áreas.
A reabilitação neuropsicológica é um processo exigente que obriga a uma ampla base teórica, já que não existe um único modelo ou teoria que abarque os mais variados problemas encontrados por vítimas de distúrbios neurológicos e neuropsiquiátricos (Abrisqueta-Gomez, 2006).
A função do Psicólogo, muitas vezes desvalorizada, é de gande importância, uma vez que cabe a este profissional da saúde ajudar o doente a estimular as funções cognitivas que sofreram dano e dar ao doente uma psicoterapia eficaz nesta fase de grandes mudanças. A reabilitação cognitiva concentra esforços para ajudar os doentes a compreender as suas limitações e a compensar ou restaurar as funções perdidas de forma a melhorar adaptar e facilitar a independência. O psicólogo procederá a uma avaliação para identificar os défices e capacidades cognitivas, considerando-o dentro do contexto pessoal e social do indivíduo estabelecendo em seguida um protocolo de intervenção (McKinney, 2002).
Na minha experiência profissional verifico que uma parte dos doentes quando recebem alta continuam o processo de reabilitação física, mas abandonam o apoio psicológico, por questões logísticas, financeiras e por falta de conhecimento sobre o quanto é importante ser-se acompanhado no processo pós alta. Quando chega a casa o doente depara-se com uma nova realidade, que exige uma activação dos mecanismos de mudança e uma restruturação a todos os níveis, familiar, profissional e social. Sem este suporte, sem uma “muleta” que o ajude neste processo que é duro, exigente e muito moroso o doente começa a perder o interesse, desmotiva o que origina,menos evolução e por consequência: depressão, muito comum nos casos de AVC.
A reabilitação neuropsicológica é importante para outras patologias nomeadamente para outras lesões encefálicas adquiridas ( traumatismo crânio- encefálico, tumores cerebrais ) , doenças neuro-degenerativas (Parkinson, doença de Alzheimer , Demência de Corpos de Lewy), perturbações do neuro-desenvolvimento  (perturbação da hiperactividade com défice de atenção) e problemas de sintomas específicos (memória , atenção, concentração ).
 

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