Página de Natação da ADS
06-10-2017 | por Luís, ADS
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Tivemos várias épocas de Natação Desportiva em SJM. Aqui, a primordial, reza ter começado na época de 1980/81, na ADS (Associação Desportiva Sanjoanense). Período ainda muito quente, no rescaldo revolucionário herdeiro de Abril, quando diariamente apareciam ideias novas em catadupa, vindas de todos os quadrantes do mundo. Rompiam-se diques. Portugal voltava a estar aberto para dar e receber. Tudo estava ao serviço da liberdade. Portugal queria crescer. O Portugal sensível tornou-se grande consumidor de ideias. Os portugueses queriam criar valores, queriam correr, jogar, nadar, voar, viviam-se as experiências oportunas, o momento das coisas. Uma instituição do Estado chamada DGD (Delegação Geral dos Desportos) sonhava plantar piscinas em todos os lugares do país. Da parte do sonho tornado realidade, apareceu uma Piscina no Parque (Piscina do Parque), junto, e sem tempo a perder, apareceu gente empenhada, o período vivia-se com entusiasmo, as pessoas eram robustas, consistentes, de temperamento sanguíneo e predispostas a rumar (a nadar) para o futuro (as pessoas têm nomes e uma bem merecida história, própria, inapagável, contável, mas sem propósito aqui) e urdiram a Natação no Parque. Este clima entusiasta atraiu jovens mais novos que se dedicaram ao treino controlado, vindo a formar-se a primeira equipa de Natação sanjoanina com as cores da ADS.
1980, Jogos Olímpicos em Moscovo. Portugal não conseguiu medalhas. Mas a década revelaria grande prestígio em modalidades como o Atletismo, é a década de Carlos Lopes e de Rosa Mota; respiram com grande inspiração a Ginástica, o Hóquei, o Andebol e o Basquetebol; a Natação, por sua mão, atrai milhares de praticantes cheios de espírito e de vida. Este caldo de fervor e de energia, autêntico, artesanal, torna, de forma inequívoca, Portugal num país a praticar desporto. Aqui, em SJM, os sanjoanenses vestem o fato de treino, alinham em grupos cheios de paixão, semeiam árvores que dão como fruto criativas iniciativas sociais e culturais. Aparecem novas associações, chegam os blues e o jazz. Estão ativos, nesta época, muitos pioneiros de soluções,ansiosos por crescer, eram jovens que se queriam empenhar, uns mexiam-se, outros, seguiam juntos. Criariam obras extraordinárias. Acreditava-se no futuro. Quanto a nós, a nossa Natação, tranquilamente, com os seus próprios braços, desenvolvia-se saudavelmente no Tanque Piscina (no Parque). Noutro texto seguirá a continuação deste conto. Por agora, mas em outros parágrafos, pensaremos um pouco acerca dos receios no presente.
Ninguém vive isolado, nem a cidade, nem o país, nem a Natação em SJM, nem isolada, nem alheia ao conjunto de problemas característicos na sociedade. Todos nos confrontamos com um conjunto de crises. Por vezes, alguma barbárie nas relações humanas. Problemas com o dinheiro (que parece não haver), nestes tempos de insensibilidades e de cálculos errados, de inquietude e de futilidades. Os resultados técnicos, tal como títulos nacionais, ida aos Jogos Olímpicos, recordes nacionais, campeonatos do mundo ou campeonatos da Europa, têm sido insuficientes para valorizar consciências e diferenças. A sensação de que mesmo tudo não chega, mantém-nos no prelúdio, ad aeternum, de um ciclo mais produtivo e abrigado. Para já, foi preciso esboçar um caminho novo. Espera-se ter um pouco da responsabilidade de todos, uma única e mesma vontade comunal. Iniciou-se uma nova era. Simples.
Era bom que a Natação Desportiva (no presente existem dois clubes em atividade em SJM) estivesse numa situação materialmente independente e que, mesmo com defeitos e imperfeições, refiro condições de treino, beneficiasse de um toque mais social, que na hierarquia das diferentes modalidades despertasse o interesse público que merece. Valor que condignamente é expresso na grandeza dos resultados em competições. Pois, podendo ser mais apoiada, com certeza teria outra projeção e, seguramente, resultados ainda mais consideráveis.
 Os jovens praticantes desportistas que dedicam diversas horas por ano ao treino, qualquer treino, já não acreditam que as diversas atividades que têm ao longo do dia estejam assim tão separadas umas das outras como estavam antes, tudo o que fazem, atualmente, pressupõe a mesma ideia de futuro. Um futuro com saber, saúde, clareza de espírito e capacidade para ver no outro os mesmos problemas que nele próprio. Um mundo de todos. A pertença a um grupo de trabalho exige disponibilidade e dedicação. Tudo o que se faz contribui para a construção da mesma pessoa. Negociar as coisas como mais ou menos importantes entre si, dedicando-se a exclusivos, contribui para que as opções interessantes, às quais não estamos obrigados, vão diminuindo ao longo da vida.


 

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