Autárquicas - Andrea Domingos, candidata do PAN à Câmara Municipal
“S. João da Madeira é uma cidade parada no tempo”
14-09-2017 | por António Gomes Costa
Andrea Domingos, de 47 anos, é a candidata do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) à Câmara de S. João da Madeira, nas autárquicas deste ano, sendo a primeira vez que o partido concorre a este município. Auxiliar numa clínica veterinária, residente no concelho de Santa Maria da Feira, Comissária Política do PAN Vouga e Activista à causa animal há vários anos, entende que S. João da Madeira é uma cidade “subaproveitada” e “parada no tempo”. Nas eleições de Outubro espera eleger um representante municipal, mas acrescenta que qualquer resultado será visto como favorável. Quanto à actual gestão camarária, explica que a mesma é “fechada sobre si própria”, não demonstrando preocupação pelos sanjoanenses e, por essa razão, o partido quer ser a “voz no município”.
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Jornal ‘O Regional’ - Quem é a Andrea Domingos?
Andrea Domingos - Sou uma pessoa simples. Vivo o dia-a-dia em prol dos outros, sejam animais ou pessoas. Sinto me feliz se de alguma forma puder contribuir para o bem-estar de alguém.
Ajudar, partilhar e escutar são características que sempre fizeram parte da minha pessoa.

Quando e como se começou a dedicar à actividade política?
Juntei-me ao PAN em 2011, em pleno período eleitoral. Foi interessante juntar-me a um grupo de pessoas que defendia as mesmas causas e partilhava os mesmos valores.

Por que razão aceitou o convite que lhe foi feito para se candidatar à Câmara Municipal de S. João da Madeira?
Aceitei porque entendi que poderia contribuir com alguma da minha experiência adquirida noutros momentos da vida política do PAN. Com a equipa actual, estamos a fazer um bom trabalho, dando visibilidade no município de S. João da Madeira às causas e aos valores que o PAN tem vindo a defender.

Não tendo tido qualquer experiência governativa anterior, encara esta sua candidatura como um desafio pessoal?
Claro que é um desafio. Nos dias de hoje, ser ativo, mostrar de forma positiva os nossos ideais e valores é um desafio constante.

Mas sente estar à altura de desafios políticos?
Claro que sim. Os desafios são e serão enfrentados em equipa e isso é uma mais-valia para todos, pois equipas motivadas e organizadas conseguem ultrapassar qualquer obstáculo e vencer desafios.

O PAN apresenta-se nestas eleições autárquicas com a designação de Pessoas, Animais, Natureza, um movimento de cidadãos por causas e valores. Que valores defende nestas eleições para S. João da Madeira?
Esclareço que o PAN é um partido político. Queremos que os valores e causas que têm sido defendidos a nível nacional possam ecoar de forma mais firme e forte em São João da Madeira, de modo a termos uma cidade mais humanista, mais consciente para com os direitos dos animais e mais ativa na proteção da natureza.

Qual é a grande mensagem do PAN?
A mensagem do PAN é “A tua voz no município” – queremos apelar às pessoas para que se envolvam, sejam activas e participem na ação local, dando voz às suas ideias, logo queremos que os cidadãos e as cidadãs tenham voz na sua autarquia.

S. João da Madeira tem muitos animais abandonados. De que forma avaliam o trabalho desenvolvido pelo município neste sentido?
Cabe também aos cidadãos e cidadãs avaliar esse trabalho nestas eleições. Pelo que me é dado a conhecer, posso afirmar que o bem-estar e saúde animal é uma área esquecida dos poderes autárquicos que têm vindo a governar S. João da Madeira.

Tem acompanhado a polémica em torno da construção do albergue para animais errantes que está a ser construído pela Câmara na sequência do Orçamento Participativo Municipal (OPM) de 2014?
Sim, tenho acompanhado.

Acha que a gestão deste equipamento deverá ser assumida pela Ani São-João?
Acho que sim, logo que apresente um plano sustentável para a sua gestão, adequado às necessidades do município.

Considera que esta será a solução para resolver o problema existente na cidade relativamente aos animais errantes?
Considero que precisamos de um verdadeiro Centro de Recolha Oficial de Animais, em S. João da Madeira, para localmente dar respostas aos problemas recorrentes que um albergue com quatro boxes não poderá fazer.

“Qualquer resultado será visto como favorável”

A Câmara tem vindo a defender uma gestão intermunicipal do problema dos animais errantes, nomeadamente através do Canil Intermunicipal. Concorda com esta visão intermunicipal ou defende uma gestão municipal deste problema?
A situação deverá ser gerida localmente, mas é óbvio que em qualquer política é preciso ter em conta a realidade intermunicipal, para que em conjunto se procurem soluções para um problema que é de todos.

A Ani São-João - Associação dos Amigos dos Animais existe em S. João da Madeira há oito anos. O que destaca de positivo e de negativo quanto ao trabalho prestado pela associação?
É positivo o trabalho que fazem em prol dos animais com as limitações a todos os níveis e dificuldades com as despesas diárias. Recordo que é a única associação de causa animal legalizada no Concelho de S. João da Madeira e que não é contemplada com nenhum apoio financeiro da parte da autarquia.

Além dos animais, que outras linhas orientadoras existem no seu programa para a cidade?
O nosso programa abrange todas as áreas, dando ênfase de forma transversal à necessidade  da defesa da democracia e da transparência, a participação activa e a igualdade. Queremos continuar a mudança de paradigma que já ecoa no país.
Queremos ser o partido que vai dar voz aos assuntos esquecidos, como o desenvolvimento sustentável, a mobilidade e acessibilidade para outros. Temos como grande objectivo melhorar a qualidade de vida dos Sanjoanenses.

Entende que S. João da Madeira é neste momento uma cidade com poucos motivos de atração comparativamente a outros concelhos?
Pode-se dizer que S. João da Madeira é uma cidade subaproveitada, parada no tempo.

Mas, no seu entender, o que é que faz falta ao concelho?
Faz falta planear o concelho em todas as áreas, de forma mais sistémica, mais integradora, a médio/longo prazo, permitindo a participação activa das pessoas. Deverão ser criados mais planos/protocolos com municípios vizinhos, em várias áreas, por forma a criar-se uma política de cooperação, que inclua o bem-estar e a proteção das pessoas, dos animais e do ambiente.

“O Município tem uma gestão fechada sobre si própria”

Qual a sua visão da actual gestão camarária?
O Município tem uma gestão fechada sobre si própria que não tem vindo a demostrar preocupação por todos os Sanjoanenses, nem pelo espaço que habitam e partilham com outros seres vivos.

O que destaca o PAN dos restantes partidos nestas eleições?
O principal objetivo nacional nestas eleições é reforçar e materializar localmente o trabalho que o PAN tem realizado no Parlamento. A Transparência e a mitigação e adaptação às Alterações Climáticas são também áreas-chave, a par do desenvolvimento humano e social e da proteção dos animais.

Quer com isso dizer que a agropecuária é, por exemplo, um dos assuntos a que só o PAN tem dado a devida atenção?
O PAN tem criticado a exploração do subsolo sem critério, o uso de energias não renováveis e não limpas e o incentivo à pecuária intensiva poluente e à produção agrícola tóxica e química. Queremos que o país deixe de subjugar o bem comum aos interesses económicos e que transite para uma visão mais integrada e sustentável da gestão dos recursos existentes, interligando-a sempre com os direitos e a proteção das pessoas, dos animais e da natureza.

Mas tem noção de que o PAN é ainda um partido com pouca expressão no país...
O PAN é um partido recente, que tem crescido de forma sustentável e com bastante expressão desde a sua criação em 2011. Temos uma representação parlamentar e vários representantes municipais e certamente conseguiremos bons resultados nestas eleições. Cada vez surgem mais pessoas com vontade de apoiar e ajudar a fazer crescer o nosso projeto.

Nas últimas eleições, em 2011, o PAN conquistou a nível nacional 57.700 votos. O vosso objectivo para as autárquicas de 2017, segundo André Silva, líder do Partido, passa por eleger dois deputados a nível nacional. O que seria um bom resultado em S. João da Madeira?
Um bom resultado em S. João da Madeira seria eleger um representante municipal, mas qualquer resultado será visto como favorável, tendo em conta o facto de estarmos a concorrer pela primeira vez e de querermos continuar a trabalhar diariamente neste concelho.

André Silva assumiu também publicamente que votar nestas eleições no PAN é um voto útil, convicto de que o partido não será governo nesta legislatura. Aveiro e S. João da Madeira são para já as cidades onde o PAN concorre pela primeira vez. A ideia no futuro passa por crescer em todos os concelhos?
A ideia é crescer de forma sustentável em todo o país.

Onde estão focadas neste momento as vossas grandes preocupações na cidade e no distrito?
O que mais nos preocupa é procurar reverter a inexistência de atenção por parte das autarquias a nível ambiental, ao nível do bem-estar, saúde e proteção animal. Isto devido a uma visão instaurada e tripartida do todo, ou seja, pessoas por um lado e ambiente e outros seres por outro. Queremos transformar essa visão.

Recorde-se que o PAN nasceu há seis anos com o nome Partido pelos Animais e pela Natureza. Em 2011, retiram a palavra Partido e substituíram pela palavra Pessoas. Não se sentem um Partido, é isso?
Pelo contrário. Somos o Partido PAN – Pessoas-Animais-Natureza. Faz todo o sentido incluir as pessoas nesta equação.

Defende nesta sua candidatura a existência de direitos jurídicos para os animais?
Foi recentemente estabelecido o estatuto jurídico dos animais, depois de uma proposta parlamentar do PAN, iniciativa que apoiei enquanto voz activa deste partido.

Quer com isso dizer que os animais têm direitos e que os mesmos não estão a ser aplicados devidamente?
Há muito para mudar na legislação, regulamentação e fiscalização, tanto a nível local como nacional.

Como está a ser feita a vossa campanha e de que forma estão a ser recebidos pela população?
Já iniciámos o contacto com as pessoas e temos sido bem recebidas. As pessoas têm demonstrado curiosidade em entender quem somos e o que propomos, questionam-nos e ficam satisfeitas por serem ouvidas.

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