Dia Municipal presta homenagem aos bombeiros sanjoanenses
“Os Bombeiros são a pedra angular do socorro em Portugal”
14-09-2017 | por Joana Gomes Costa
No Dia Municipal do Bombeiro, que se assinalou no passado sábado, 9 de Setembro, S. João da Madeira voltou a homenagear o seu corpo de bombeiros. Na sessão solene, a tragédia de Pedrógão Grande e a incidência dos incêndios florestais deste Verão foram o ponto de partida para o sublinhar do papel cimeiro dos bombeiros na protecção e segurança a nível nacional, com as diferentes entidades a reclamar reformas estruturais. Nesta data, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira recebeu o crachá de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses.
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As cerimónias do Dia Municipal do Bombeiro decorreram na praça junto ao edifício da Câmara (Fórum Municipal), com a recepção às entidades convidadas e apresentação das forças em parada. Seguiu-se uma demonstração de actividade, com a realização de simulacro de um salvamento em grande ângulo, num cenário onde foi necessário retirar duas vítimas de um prédio em chamas, usando o próprio edifício da Câmara como teatro de operações.
“Hoje é o vosso dia”, disse Normando Oliveira, Comandantes dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, dirigindo-se aos bombeiros que marcaram presença na sessão solene, que se realizou no Salão Nobre do Fórum Municipal. Ao presidente da autarquia agradeceu “todo o empenho, cooperação e colaboração para com os bombeiros” durante o seu mandato, acrescentando que “bombeiros bem preparados e bem equipados” podem prestar “melhor serviço à população”.
“Felizmente temos um concelho seguro e a sirene dos Bombeiros não toca”. Mas Normando Oliveira confessa que, por vezes, se interroga se tem “de pôr a sirene a tocar para que a população perceba que os bombeiros existem”. “Os Bombeiros continuam a existir e fazem até mais serviço que há 20 ou 30 anos”, disse, assegurando que a corporação tentou criar “outras condições”, procurando sempre “olhar para o futuro”.
“Estamos no século XXI”, pelo que o Comandante lembra que “tudo tem de ter uma dinâmica diferente”. E é nesta adaptação aos novos tempos e exigências, que Normando Oliveira reclama das próprias estruturas de bombeiros “uma visão sustentada e equilibrada” para que o serviço prestado “seja respeitado por todos”.
O Comandante dos Bombeiros sanjoanenses sublinhou ainda que o serviço prestado pelos bombeiros voluntários “é o básico”, mas é “o sustento” e a “pedra angular de todo o socorro em Portugal”.
Terminou a sua intervenção deixando aos bombeiros “uma palavra de ânimo e reforço” no reconhecimento do serviço prestado.

Estruturas reclamam reformas

O Dia Municipal do Bombeiro foi instituído pela Câmara Municipal de S. João da Madeira em 2012, sendo assinalado a cada ano no último sábado do mês de Junho. No entanto, os trágicos acontecimentos relacionados com os incêndios que fustigaram o país nessa altura do ano mobilizando corporações de todo o território, incluído os bombeiros sanjoanenses, levaram à opção por adiar a efeméride, que se assinalou no passado sábado, dia 9 de Setembro. A explicação para o adiamento foi avançada por Carlos Coelho, presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira (AHBVSJM), sublinhando que o presidente da Câmara concordou com a alteração, “fazendo apenas questão que [o Dia Municipal do Bombeiro] se realizasse durante a sua presidência”.
Dirigindo-se ao presidente da Câmara, Ricardo Figueiredo, que se encontra em fim de mandato, Carlos Coelho agradeceu a “luta amiga fraternal e salutar” que travaram nos últimos anos, garantindo que as “divergências” que os começaram por separar foram totalmente ultrapassadas.
Agradecendo ao presidente da Liga dos Bombeiros a presença na cerimónia para entrega do crachá de ouro, Carlos Coelho fez questão de usar a sua intervenção para deixar uma palavra de “admiração e reconhecimento” aos bombeiros, destacando o “trabalho extraordinário” do Comando e corpo activo.
O representante da Federação de Bombeiros do Distrito de Aveiro, Nuno Canilho, referiu-se ao “semestre negro” vivido em Portugal, defendendo ser necessário que “as autarquias assumam a sua responsabilidade no âmbito da protecção civil” e que o “apoio aos bombeiros seja evidente e prático”. Mudanças estruturais no socorro que o responsável considera vitais, até no respeito para com as vítimas mortais dos incêndios deste Verão.
Também Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, sublinhou a importância no serviço prestado pelos soldados da Paz, que se constituem como “o maior exército do país” e o “principal agente de protecção civil” em Portugal. Para este responsável, a Associação Humanitária dos Bombeiros sanjoanenses é “bem gerida e bem comandada”, sendo “uma estrutura que nos orgulha a todos”.
Numa perspectiva mais regional, o presidente da Liga dos Bombeiros destacou o facto do socorro em todo o distrito de Aveiro assentar “no associativismo”, uma vez que não existem estruturas profissionais de bombeiros. “É algo extraordinário atendendo a um distrito desta natureza e dimensão”, afiançou.
À autarquia sanjoanense, Jaime Marta Soares disse que a instituição do Dia Municipal do Bombeiro foi “das decisões mais acertadas”, pois estruturas como esta são “parceiros essenciais dos municípios”. E por reconhecer que o apoio dado pela Câmara de S. João da Madeira à sua corporação de Bombeiros não ser prática em todo o país, Jaime Marta Soares lembrou a luta da Liga que preside por uma “reforma que faça justiça aos direitos das associações de bombeiros”, para que sejam “ressarcidas em dimensão da sua prestação de serviço”.
Agradecendo e reconhecendo o trabalho da direcção e Comando, o presidente da autarquia, Ricardo Figueiredo, reconheceu que “apoiar os bombeiros é apoiar a população na necessidade básica e fundamental de atender à segurança de pessoas e bens”. Assumindo que desde que iniciou a presidência da Câmara passou a dormir com o “telemóvel na mesinha de cabeceira” – que “felizmente nunca tocou” –, o edil garantiu que repousava no “conforto e tranquilidade” de saber que a missão de garantir a segurança no município estava “garantida pelos bombeiros sanjoanenses”.
E admitindo ter tido “reuniões tensas” com a direcção da Associação, Ricardo Figueiredo garante que “nunca estivemos em lados oposto da trincheira”. “Lutávamos os dois pela mesmíssima coisa”, afiançou.
“A Associação Humanitária é também uma escola de cidadania e valores, de construção de homens e mulheres com notável nobreza de carácter”, disse Ricardo Figueiredo, deixando a garantia de reconhecimento de todos os sanjoanenses à sua corporação de bombeiros.

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