Morreu Ricardo Stockler
27-07-2017 | por Manuel Ismaelino
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Não passaram ainda muitas semanas em que nas colunas de ‘O Regional’ lamentávamos o falecimento de sua esposa, a distinta Prof.ª D. Fernanda, que durante anos, até à sua aposentação, foi Diretora da Escola do Espadanal.
Não prevíamos para tão cedo o falecimento do marido, Ricardo Stockler.
A morte chegou, na passada quarta-feira, à sua residência, na Rua Afonso de Albuquerque, em Arrifana.
Partiu com a mesma humildade com que viveu.
O seu falecimento não foi anunciado nem o dobrar dos sinos anunciou, assim como os papéis do costume não foram afixados.
Só o Padre foi a representação da Igreja a acompanhar Ricardo Stockler, à sua última morada, onde já se encontravam o filho querido, Dr. Manuel Stocker,  economista, acidentado na fatídica estrada de ligação de Arrifana a Santa Maria da Feira, assim como a esposa Prof.ª D. Fernanda.
Teve o casal três filhos muito queridos que Deus lhes mandou, quando a esperança esteve quase a morrer, contrariando a opinião de médico, Professor Universitário.
Além do Dr. Manuel, morto em plena juventude, a que atrás nos referimos, são duas as filhas que choram a perda de seus amados progenitores: a Dr.ª Maria José, médica, e a Engenheira Química, Maria Clara.
Ricardo Stockler era homem de grande cultura que adquiriu, principalmente, nos beneditinos, a cuja ordem pertenceu.
A sua atividade principal era exercida na desaparecida Empresa Industrial de Chapelaria, na Rua Oliveira Júnior.
A sua acção profissional foi de muita importância para a Empresa, chegando muitas vezes a deslocar-se aos Estados Unidos da América e aos países nórdicos para angariar encomendas que mantivessem a laboração da chapelaria, tendo feito grandes amizades com muitos desses clientes.
Alguns, da Suécia, em visita a Portugal, ficavam em sua casa, ao tempo na rua Gil Vicente, em S. João da Madeira.
Muitos serão, de certeza, os nossos leitores que recordam com saudade as crónicas que semanalmente publicava nas páginas de ‘O Regional’, sob a Secção «Cenas da Vida».
Fê-lo durante muitos anos, até que a doença o obrigou a remeter-se ao silêncio, com grande pena da direção, redação e leitores de ‘O Regional’.
Tão importante foi a sua colaboração que ‘O Regional’ decidiu oferecer a Ricardo Stockler a publicação em livro de algumas das suas crónicas.
Foi uma homenagem muito merecida e uma demonstração de quanto o estimávamos.
Não ficou Ricardo Stokler com o produto da venda do livro das suas crónicas.
Se bem me lembro, uma grande parte destinou-a ao Seminário dos Beneditinos, a que ficou devendo a sua formação cultural.
Outra parte teve destino semelhante, ajudando instituição social.
No exemplar que me ofereceu escreveu uma muito amiga dedicatória.
Nas horas vagas, dedicou-se ao ensino do Inglês, facilitando a vida a estudantes angustiados.
Grande católico, católico de fé robustecida, Ricardo Stockler já estará na mão de Deus, a receber o prémio das suas virtudes.
Zeza e Clarinha, permiti que assim vos trate, em nome da nossa antiga amizade.
Acompanho-vos no vosso luto, enviando-vos daqui, destas colunas de ‘O Regional’, que o vosso querido Pai tanto ilustrou com o brilho da sua pena, a promessa de que ao Céu ergo as minhas orações pelo eterno descanso do vosso querido e saudoso Pai.
 

 

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