A memória descritiva da intervenção
«É necessário reafirmar a praça como o espaço público por excelência da cidade»
27-07-2017 | por Joana Gomes Costa
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Para melhor compreensão da proposta do Projecto de Revitalização do Centro da Cidade de S. João da Madeira, da autoria dos arquitectos Nuno Pedrosa e Vasco Cortez, que teve aprovação por unanimidade em reunião de Câmara extraordinária a 29 de Junho, publicamos o excerto da memória descritiva relativa à Praça Luís Ribeiro1.
«A Praça Luís Ribeiro é simultaneamente o espaço mais importante do centro urbano, e o que apresenta maior prioridade em ser intervencionado. É um espaço icónico, símbolo da cidade e está em grande degradação. A confusão de intervenções levou a que este espaço se encontrasse num estado caótico, seja ao nível do edificado, seja ao nível de pavimentos ou de mobiliário urbano. É necessário reafirmar a praça como o espaço público por excelência da cidade, como o centro da polis que outrora foi. Para isso são necessárias intervenções a vários níveis (económico, social, cultural, etc.), mas é necessário também que arquitetonicamente este seja um espaço convidativo e atraente e que esteja preparado para grandes reuniões e grandes eventos.
Propõe-se a remoção da cobertura metálica existente em torno das esplanadas, assim como de todo o mobiliário urbano, a demolição do Elemento Arquitetónico, por forma a abrir visual e fisicamente a praça, permitindo a criação de um novo espaço público central, uma nova praça, em que todo o espaço seja uno e funcione em conjunto e harmonia. O que temos neste momento é uma espécie de rotunda, em que o espaço público existe em volta do Elemento Arquitetónico e não há ideia de unidade, de um só espaço, uma só praça. É de salientar ainda que não existe uma orientação preferencial para a realização de eventos, uma zona específica. O espaço é disforme, não conformado ou organizado, é difícil de saber como ocupá-lo e apropria-lo.
Para isso preconiza-se uma limpeza total e uma intervenção sóbria, minimalista e de unificação de toda a linguagem utilizada. Dado que parte da praça é conformada em semicírculo, existe já a sugestão da criação de um espaço de união de confluência de coabitação. Note-se que as principais ruas do centro confluem radialmente para este ponto central, onde em vez de existir um edifício (Elemento Arquitetónico) devia precisamente existir um espaço público. Propõe-se a criação de um espaço deste género.
Aliando a intenção de limpeza deste espaço, com a intenção de introdução do verde que é quase inexistente em toda a área de intervenção e tanta falta faz para a criação de espaços públicos de qualidade, propõe-se a instalação do mesmo. O verde é usado ainda com uma segunda função: criar um novo enquadramento à praça Luís Ribeiro. Daí ser criado de árvores ao longo da fachada do Edifício Parque América por forma a dar uma nova fachada a esta praça. Estas e as restantes árvores propostas procuram atenuar a desproporcionalidade de escala entre esse edifício e a restante praça.
Procurou-se que o desenho deste novo espaço urbano fosse suficientemente grande e alargado para poder albergar uma quantidade considerável de pessoas, mas que guardasse também espaço para uma zona plana em volta, não só para a zona de esplanadas dos edifícios em semicírculo, mas que também poderia ser utilizada para a instalação de barracas temporárias ou outro tipo de equipamentos de apoio aos eventos a realizar.»

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