Demolição provocou muitas reacções, da selfie de despedida ao protesto de jovens
Até sempre Pirilau…
27-07-2017 | por Joana Gomes Costa
Depois de décadas de polémica, o Elemento Arquitectónico da Praça Luís Ribeiro, conhecido como Pirilau, começou mesmo a ser demolido esta semana e as reacções não se fizeram esperar. Uma selfie de despedida, uma manifestação de jovens e muitos comentários, com o assunto a dominar as conversas em toda a cidade. «O sítio que fica na história da gente», a mensagem pintada nas paredes deste monumento que, durante gerações, marcou a imagem do centro da cidade de S. João da Madeira.
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Desenhado e construído como um «Monumento à Indústria», por entre alturas em que não teve nenhum uso específico, o Elemento Arquitectónico da Praça Luís Ribeiro já foi um fontanário, serviu de base a decorações natalícias, foi sede de uma associação e acolheu concertos, debates e muitas outras iniciativas, ocupando o espaço central do coração da cidade.
Se ainda antes da abertura, em 1992, já havia um parecer de vários especialistas a apontar no sentido da sua demolição, o monumento, baptizado na cidade como Pirilau, foi resistindo, sempre sem opiniões unânimes, como ficou patente assim que foi notícia a data de arranque da operação para o demolir e as reacções se multiplicaram.
Se há quem concorde com a medida, houve também quem tenha tentado reverter a situação.

«Uma Praça Luís Ribeiro ampla»

«O projecto escolhido em concurso público para a revitalização do centro da cidade de S. João da Madeira contempla uma Praça Luís Ribeiro ampla», começa por recordar a Câmara Municipal de S. João da Madeira, numa informação remetida esta terça-feira às redacções, sublinhando que, por conseguinte, «a sua implementação implica necessariamente a retirada do Elemento Arquitectónico existente, razão pela qual se impõe a sua demolição».
Os «trabalhos preparatórios» desta intervenção arrancaram logo na manhã do dia 24, sendo que «o bom andamento» da operação permitiu avançar para a demolição logo no dia seguinte, terça, o que apanhou alguns populares de surpresa, uma vez que a demolição propriamente dita estava prevista para ter lugar esta quinta-feira. A autarquia estima que a demolição «possa ficar concluída num prazo de 30 dias».
«Os trabalhos estão devidamente vedados e circunscritos, de forma a que os estabelecimentos na envolvente possam continuar a funcionar», destaca a informação da Câmara, que acrescenta ainda que, «após a remoção do Elemento Arquitectónico, a área em causa será provisoriamente pavimentada com solo-cimento, ficando nivelada com a zona circundante e permitindo a fruição do espaço da Praça na sua plenitude e em boas condições».
«Ao mesmo tempo, essa solução facilitará a posterior pavimentação, definitiva e integral, em lajetas de granito, tal como previsto no projecto».
«No âmbito da realização destes trabalhos de retirada do Elemento Arquitectónico, a Câmara Municipal «apela à compreensão de todos os comerciantes e cidadãos em geral pelos incómodos que as obras possam causar, incómodos que procurará minimizar».


 

Reacções

Selfie «Xau Xau Pirilau»
«Xau Xau Pirilau» foi o nome dado ao evento no Facebook criado por Rodolfo Andrade, que convidava os sanjoanenses a despedirem-se do Elemento Arquitectónico com uma mega selfie conjunta.
A iniciativa juntou muitas dezenas de pessoas que quiseram marcar a despedida deste monumento, numa fotografia, tirada no último fim-de-semana, que ficará registada na história da imagem da Praça.


Manifestação  «Salvar o Pirilau»
A despedida do Elemento Arquitectónico não foi bem recebida por todos. Um grupo de jovens sanjoanenses organizou mesmo uma acção de protesto intitulada «Salvar o Pirilau». O avanço dos trabalhos de demolição apanhou os jovens de surpresa, pelo que à hora marcada para a concentração, 15h de terça, 25 de Julho, já restava pouco mais que o piso térreo do monumento, depois do início da remoção da chaminé, logo pela manhã.
Mesmo assim, o protesto avançou, com os jovens a fazerem ouvir a sua “indignação” por esta decisão que atribuíram “aos partidos”. “Não ouviram a nossa parte”, reclamaram, dizendo não terem tido conhecimento do período de discussão e debate público do projecto.
“Não nos é indiferente a demolição”, explicaram aos jornalistas, lamentando que a sua acção de protesto não tenha sido a tempo de evitar a destruição do monumento com o qual dizem ter crescido, por entre críticas à opção de voltar a levar o trânsito ao centro da cidade.

 

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